BASTIDORES
Renan Santos ficar atrás de Cury seria um revés para o projeto presidencial do Missão
Resultado de 2026 é visto no Missão como decisivo para medir tamanho do projeto político da legenda



A disputa entre Renan Santos, do Missão, e Augusto Cury (Avante) pela terceira posição na corrida presidencial passou a ser acompanhada com atenção dentro do Missão. Nos bastidores, o entendimento é que um eventual quarto lugar de Renan, com Cury à frente, seria uma derrota relevante para o projeto político da legenda.
Um interlocutor próximo ao Missão, em conversa com a reportagem de A TARDE, avalia que a candidatura de Renan não foi construída apenas para medir força na eleição deste ano. O plano envolve também a formação de uma base eleitoral própria, o fortalecimento da bancada e a criação de musculatura para uma disputa presidencial mais competitiva em 2030, considerando um cenário sem Lula e com uma eventual maior desidratação do bolsonarismo. A estratégia, nesse contexto, seria ocupar o espaço de uma terceira via.
O terceiro lugar sempre foi visto como uma posição garantida. Perder essa colocação para Cury seria um verdadeiro desastre.
É por isso que Cury aparece como um adversário especialmente incômodo nesse cálculo. Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quinta-feira, 10, os dois aparecem praticamente empatados no primeiro turno: Cury tem 6,6%, enquanto Renan registra 6,5%.
A diferença ganha outro peso no cenário de segundo turno.
Quando o adversário é Lula, Cury chega a 41,1%, contra 43,8% do petista. Renan, por sua vez, aparece com 33,8%, diante de 46% de Lula. Ou seja, apesar do empate técnico no primeiro turno, Cury apresenta desempenho significativamente superior ao de Renan no teste de enfrentamento ao presidente.
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Olho em 2030
A leitura feita nos bastidores é que o resultado de 2026 pode definir o tamanho do espaço que o Missão terá para avançar nos próximos anos.
O partido trabalha com a perspectiva de que a eleição de 2030 poderá encontrar um cenário bastante diferente do atual, especialmente diante da possibilidade de Lula não estar na disputa e de um eventual enfraquecimento do bolsonarismo como força dominante no campo da direita.
Nesse cenário, a intenção seria chegar à próxima eleição presidencial com uma estrutura eleitoral capaz de apresentar uma candidatura competitiva nacionalmente e não apenas como uma legenda de nicho dentro da direita.
Por isso, a posição de Renan na eleição deste ano é vista internamente como mais do que uma disputa por colocação. Um desempenho abaixo de Cury, na avaliação do interlocutor, poderia colocar em xeque a capacidade do Missão de transformar a candidatura presidencial em ponto de partida para esse projeto.
A briga pelos décimos de ponto entre Cury e Renan, portanto, ganhou um significado maior nos bastidores e se tornou uma disputa pelo espaço que cada projeto pretende ocupar na direita brasileira nos próximos anos.

