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Lula tinha razão…o grosso iria mesmo 'chegar' em setembro
Confira o artigo de Eduardo Dias


Setembro costuma chegar com outra disposição. É o mês de manhãs mais claras, do Dia da Independência do Brasil, da chegada da primavera, do vento frio que começa a perder força e também daquela sensação de que o ano entrou na reta final.
No entanto, na política brasileira, porém, setembro chegou de outro jeito. Bem diferente da calmaria que imaginávamos.
Em 2023, Lula soltou uma célebre frase num podcast que ao comentar a situação econômica do país que “em setembro ia entrar o grosso”, ao se referir a investimentos previstos de maneira mais robusta.
A frase, dita ainda no calor da entrevista, parecia apenas mais uma declaração jocosa do presidente entre tantas outras ditas por ele. Agora, olhando para o que acontece em Brasília, ela ganhou o peso literal merecido e inevitável. Seria ali um prenúncio?
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O mês mal começou e já tivemos a queda de sigilos das investigações no caso do Banco Master autorizadas pelo presidente do STF, Edson Fachin e, junto com ela, fomos bombardeados com uma sucessão de informações que atingem diferentes personagens do poder.
Relatórios da Polícia Federal com nomes de políticos, áudios e mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, movimentações financeiras e referências a integrantes do Judiciário passaram a ocupar o noticiário quase diariamente.
O que chama atenção não é apenas a quantidade de informações que vieram à tona, mas a maneira como elas atravessam diferentes campos da política. Não há uma fronteira confortável entre governo e oposição, entre direita e esquerda, entre Legislativo e Judiciário.
O que aparece é um ambiente em que interesses políticos, dinheiro e instituições se encontram de maneiras que ainda precisam ser esclarecidas à sociedade. E talvez seja justamente essa a parte mais incômoda.
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Quando os inquéritos que estavam sob sigilo vêm a público durante a madrugada desta sexta-feira, não há como controlar completamente o que será encontrado neles. As versões começam a surgir, os envolvidos se manifestam (ou não), os adversários aproveitam e as assessorias trabalham para conter os estragos.
Enquanto isso, o cidadão comum tenta separar o que é fato, o que é acusação e o que é apenas disputa política. E é nesse momento que a política costuma perder a delicadeza.
A famosa frase de Lula ganhou, com isso, uma espécie de segunda vida. Não porque o presidente tivesse necessariamente adivinhando o caos que viria acontecer neste fatídico mês, mas porque setembro chegou trazendo justamente aquilo que a política brasileira costuma produzir quando as portas começam a ser abertas e que geram suspeitas e muito mais perguntas. E o mês ainda nem acabou, tá?
Toda essa conjuntura me fez lembrar de uma música que cresci ouvindo, da cantora Vanusa, que fala de angústia, solidão, mas também da beleza e vontade de viver manhãs de setembro tranquilas, como nunca antes vividas, abrir a janela, ver a primavera, o sol, as flores...
Mas a política do Brasil de hoje, pelo visto, resolveu fazer o mesmo. Só que quando abrem a janela, nem sempre entra a tão sonhada primavera. Na verdade, sai o tudo aquilo que estava mantido escondido.


