POLÍTICA
Síria negocia entrada na ‘Otan islâmica’ e pode ampliar aliança militar
Adesão colocaria o país como o quarto integrante do acordo de defesa militar firmado em agosto



A possível entrada da Síria no Acordo Conjunto de Defesa de Meca foi anunciada neste sábado, 31, pelo chanceler do país, Asaad al-Shaibani. A adesão colocaria o território sírio como o quarto integrante da aliança militar formada por Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, conhecida como “Otan islâmica”.
Durante uma conferência realizada no Bahrein, o ministro das Relações Exteriores confirmou que o governo sírio avalia a possibilidade de integrar o grupo. “Estão em curso discussões para avaliar a entrada da Síria na aliança de Meca”, revelou.
Criado em agosto, o acordo estabelece um compromisso de defesa coletiva entre os três países. O modelo prevê uma resposta militar conjunta caso algum dos integrantes seja alvo de ataques, seguindo uma lógica semelhante à da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Conflitos no Iêmen motivaram aliança
A formação do bloco militar ocorreu após a retomada dos confrontos entre a Arábia Saudita e os Houthis, grupo que controla parte do território do Iêmen.
Em julho deste ano, a trégua estabelecida em 2022, com participação da Organização das Nações Unidas (ONU), foi rompida. A escalada aconteceu depois que os Houthis acusaram forças sauditas de bombardear o Aeroporto Internacional de Sanaa.
Como reação, o grupo realizou ataques contra o território saudita e anunciou um bloqueio de embarcações do país no Estreito de Bab el-Mandeb. A Arábia Saudita, que desde 2015 lidera uma coalizão militar em apoio ao governo iemenita contra os Houthis, respondeu com operações aéreas.
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Desde então, os confrontos envolveram bombardeios sauditas em regiões controladas pelo grupo no Iêmen e ataques dos Houthis contra instalações estratégicas e energéticas da Arábia Saudita.
Aproximação com antigos opositores
A possível adesão ao acordo também representa um novo capítulo na política externa síria após a queda de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.
Durante a guerra civil iniciada em 2011, Arábia Saudita e Turquia estiveram entre os países contrários ao governo de Assad, que atualmente está exilado na Rússia. Há relatos de que o governo turco participou ativamente do financiamento de grupos que posteriormente contribuíram para a derrubada do então presidente.
O cenário mudou após a ofensiva de organizações opositoras liderada por Ahmed al-Sharaa, atual presidente sírio. Com a chegada do novo governo, as duas potências regionais retomaram a aproximação diplomática com Damasco.
A reaproximação também foi acompanhada por boa parte da comunidade internacional, apesar do histórico de al-Sharaa, que possui ligações anteriores com o jihadismo, incluindo conexões com a Al-Qaeda e o Estado Islâmico (ISIS).
Nos últimos anos, porém, o atual presidente passou a adotar uma postura mais pragmática, apresentando promessas de inclusão e unificação nacional.


