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"Nunca fui esquerdista”, declara Lula a chanceler alemão em flagra de vídeo

Conversa informal foi flagrada pela transmissão do evento, que acontece na França

Gustavo Zambianco
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| Atualizada em
O presidente Luiz Inávio Lula da Silva
O presidente Luiz Inávio Lula da Silva - Foto: Agência Brasil/ Fabio Rodrigues Pozzebom

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que “nunca foi de esquerda durante um diálogo informal com autoridades internacionais nesta quarta-feira, 17, na cúpula do G7. A declaração foi feita antes do início de uma das reuniões de trabalho do evento.

O diálogo ocorreu entre o mandatário brasileiro, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e o chanceler alemão, Olaf Scholz. A conversa foi captada pelas imagens oficiais da transmissão do evento.

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Ao analisar as recentes transformações no cenário político global, Lula argumentou que "o mundo não é de esquerda" e defendeu que a maior parte dos governos adota um posicionamento intermediário.

Diante da reflexão, Georgieva pontuou que, quando o petista venceu sua primeira eleição presidencial no Brasil, a comunidade internacional esperava uma postura radical de esquerda, o que não se concretizou.

Lula concordou com a leitura da diretora do FMI e ressaltou que sua formação política está ancorada no pragmatismo sindical, e não em doutrinas ideológicas rígidas.

“O mundo não é de esquerda, o mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade. Eu nunca fui esquerdista, eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, que é muito forte. Tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano e com a UGT da Espanha”, declarou o presidente brasileiro.

Veja o vídeo completo

Trajetória sindical e rótulo de "anticomunista"

Para ilustrar seu distanciamento das correntes ideológicas mais radicais, o presidente relembrou um episódio do início de sua trajetória pública, na década de 1980. Lula revelou que recusou um convite para participar de um congresso operário na então União Soviética (URSS).

“Eu nunca fui [de esquerda]. Em 1980, houve um congresso na Rússia para o qual fui convidado. Eu não fui à Rússia porque acabei condenado pela Lei de Segurança Nacional [da ditadura militar]. Fiz uma viagem pela Europa para angariar solidariedade ao nosso movimento e, a partir dali, passei a ser tratado por alguns setores como anticomunista”, recordou.

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Defesa do sistema eleitoral brasileiro

Antes de detalhar sua visão geopolítica, o presidente brasileiro debateu com as autoridades estrangeiras sobre o sistema de votação adotado no Brasil, elogiando a eficiência e a segurança das urnas eletrônicas.

Lula destacou o desafio logístico superado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para fazer os equipamentos chegarem a regiões remotas do país, como comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas na Amazônia.

O presidente sugeriu que o modelo de apuração célere do Brasil deveria servir de referência global para o fortalecimento democrático.

“Não sei por que a Organização das Nações Unidas (ONU) não adota o sistema eletrônico brasileiro como uma orientação oficial para os demais países”, concluiu.

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