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NA MIRA DA PF

Prefeitura de Barreiras é suspeita de desviar verbas da educação

Prefeito Zito Barbosa (UB) recebeu R$ 178 milhões em 2017, não repassou nada aos professores nem cumpriu o próprio plano de aplicação

Da Redação
Por Da Redação
| Atualizada em
Prefeito Zito Barbosa (União Brasil) é investigado por desviar recursos da educação
Prefeito Zito Barbosa (União Brasil) é investigado por desviar recursos da educação - Foto: Divulgação

O prefeito de Barreiras, Zito Barbosa (União Brasil), deixou de repassar R$ 115 milhões aos professores da rede municipal, referentes aos precatórios do Fundef, depositados em 2017, primeiro ano de mandato do gestor, que está há 7 anos e 7 meses no cargo.

Nesta quarta-feira, 24, a Polícia Federal esteve na sede da Prefeitura mas não foi informado o motivo da presença dos agentes. No município especula-se que possa se tratar de um desdobramento da operação 'Kindergarten', deflagrada em março de 2021, para apurar desvios de verbas da educação.

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No centro das denúncias está o valor de R$ 178,6 milhões, relativo à correção do extinto Fundo de Desenvolvimento da Educação Fundamental, substituído pelo Fundeb, que teria sido gasto com investimentos em obras e equipamentos para educação, segundo plano de aplicação divulgado pelo prefeito.

Zito alega que, à época, a lei não determinava o repasse de 60% aos professores, o que corrigido hoje daria R$ 115 milhões, e, mesmo após decisão do STF determinando o pagamento, em 2021, ainda não repassou nenhum valor aos professores.

O Ministério Público Federal apontou irregularidades na constituição e contratação de um consórcio formado por empresas sem estrutura operacional, para a reforma de escolas municipais pela Prefeitura de Barreiras, uma das destinações previstas no plano de aplicação dos precatórios.

Outras aplicações, como implantação de videomonitoramento e capscitação dos professores nunca chegaram a ser realizadas, segundo informações do Sindicato dos Professores da rede municipal de Barreiras, o Sinprofe.

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Ideb

Para a ex-vereadora, ex-vice-prefeita e pré-candidata a uma vaga na Câmara de Barreiras, Professora Nilza Martins (PT), a falta de investimento nos docentes é principal motivo para que a cidade ostente o mais baixo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) entre os 17 municípios da Bahia com mais de 100 mil habitantes. Para se ter uma ideia, o índice de Barreiras é 4,1, enquanto o 1º lugar é de Vitória da Conquista, com 5,6.

"A gente vê muitas escolas com estrutura boa, mas não houve investimento na qualidade do ensino, o município não tem um projeto para a educação", desabafa Nilza. Ela lembra que quando foi diretora do departamento técnico-pedagógico, em 1993, construiu escolas na zona rural, mas o atual prefeito promoveu uma centralização da educação.

"Ele usa o transporte escolar para levar os meninos até a sede, promoveu o fechamento de escolas no campo, a desterritorialização do ensino", desabafa a professora. Além disso, desde 2017 uma lei proposta pela gestão Zito Barbosa eliminou conquistas dos professores, como licenças e gratificações e, em 2021, acabou com a eleição para diretores escolares e, segundo Nilza, "entregou as nomeações para os vereadores".

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