SALVADOR
ConstruNordeste coloca Bahia no centro dos debates da construção civil
Evento reúne 200 expositores e amplia debates sobre os rumos da construção civil


A 4ª edição da ConstruNordeste começou nesta quarta-feira, 12, no Centro de Convenções de Salvador, reunindo empresas, profissionais e representantes do poder público para discutir os rumos da construção civil no Norte e Nordeste.
Com 200 expositores e 5 mil metros quadrados de área, a programação reúne cerca de 45 horas de conteúdos voltados a diferentes segmentos da cadeia produtiva. Entre os participantes estão empresários, fornecedores, trabalhadores, estudantes e profissionais interessados em novas tecnologias e oportunidades de negócios.
Durante a abertura, o diretor técnico do Sebrae Bahia, André Gustavo, destacou a presença das micro e pequenas empresas na cadeia da construção civil. Segundo ele, cerca de 80% dos negócios ligados ao setor são formados por empresas desse porte.
“São muitas empresas que trabalham fornecendo matéria-prima, serviços, empresas do comércio. Então, é um segmento muito importante, por ter essa capilaridade em todo o estado da Bahia também, ela está em praticamente todas as cidades”, afirmou, em entrevista ao portal A TARDE.
Para o representante do Sebrae, a dimensão da cadeia produtiva faz com que iniciativas de capacitação, inovação e acesso a crédito tenham impacto direto em diferentes regiões do estado.
A instituição participa da ConstruNordeste desde a primeira edição e, neste ano, leva ao evento ações relacionadas à gestão, inovação e produtividade, além de aproximar startups e empresas apoiadas pelo Sebrae de médias e grandes companhias.
“A gente se sente muito feliz em estar participando do evento, nessa quarta edição. Estamos aqui desde a primeira edição e fazendo aquilo que o Sebrae sabe fazer, levar informações, conhecimento, trazer as startups, trazer as empresas que são apoiadas por Sebrae para fazer negócios com as médias e grandes empresas”, disse André Gustavo.
Governo destaca investimentos em obras na Bahia
A participação do poder público também marcou a abertura da feira. Representando o governador Jerônimo Rodrigues, o secretário da Casa Civil, Eracy Lafuente, ressaltou o peso da construção civil nos investimentos realizados pelo Estado.
Segundo ele, a Bahia tem ampliado sua participação em obras de infraestrutura, educação e mobilidade, criando uma relação direta entre os investimentos públicos e a atividade das empresas do setor.
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“A Bahia se notabilizou para ser o grande Estado investidor da União. Hoje, em termos orçamentários, em termos de performance, nós somos, hoje, um grande patrocinador de atividades de construção civil”, afirmou.
Para Eracy, a relação entre governo, empresários e trabalhadores tem papel relevante na execução das obras e na movimentação econômica. “É um esforço extraordinário de um povo e de um empresário. Ou seja, nós, como baianos, representantes do Estado, temos que trazer uma homenagem para esses parceiros que fazem acontecer a construção civil nas nossas obras públicas, nas obras privadas", pontua.
Tecnologia e sustentabilidade entram no centro dos debates
Entre os principais assuntos da ConstruNordeste está a transformação dos métodos de construção. Um dos painéis discute os caminhos para ampliar a construção industrializada no Brasil, reunindo representantes de entidades empresariais, indústria e instituições financeiras.
A agenda também aborda os possíveis impactos da Reforma do Código Civil sobre o setor, além de temas ligados à redução das emissões de carbono e às consequências das mudanças climáticas para as obras.
A inteligência artificial também integra a programação. Uma das palestras discute o uso de IA generativa e engenharia de prompts aplicadas aos negócios, com foco em ferramentas que podem ser utilizadas na gestão e nas atividades comerciais da construção civil.
Para Eduardo Bastos, presidente do Sinduscon-BA, a diversidade de públicos é uma das características do evento. Ele afirma que a programação foi pensada para aproximar diferentes elos da cadeia.
“Nós teremos desde o estudante a operários qualificado que vem ver materiais, conhecer novas tecnologias, além de empresários, expositores e toda a cadeia da construção. É assim que a gente acha que movimenta a economia, é assim que a gente acha que melhora as conexões na construção civil”, detalha.
ESG e acessibilidade
A sustentabilidade ganhou espaço na própria estrutura do evento. Entre as iniciativas estão reciclagem de resíduos, inventário de emissões de gases de efeito estufa e compensação das emissões de carbono.
Materiais utilizados na montagem também terão destinação após a feira. Lonas de comunicação serão encaminhadas para reciclagem, enquanto madeiras dos estandes serão destinadas a projetos de reuso. As credenciais utilizadas pelo público também serão recolhidas para reciclagem.
No eixo social, a ConstruNordeste prevê treinamentos sobre sustentabilidade e diversidade, incentivo à presença feminina em posições de liderança e contratação baseada em critérios de inclusão. A programação também conta com tradução em Libras e abafadores destinados a pessoas com TEA.
Na área de governança, o evento adotou consultoria especializada em ESG e criou um selo para reconhecer expositores que seguem boas práticas de sustentabilidade. A organização também prevê relatório de sustentabilidade, ações para neutralização de carbono, proteção de dados e medidas de prevenção à corrupção.
Outra iniciativa é a destinação do valor arrecadado com a bilheteria para a Organização de Auxílio Fraterno (OAF).
A ConstruNordeste segue com programação até sexta-feira, 14, no Centro de Convenções de Salvador, reunindo representantes de diferentes áreas da construção civil para discutir negócios, qualificação, tecnologia e os próximos caminhos do setor.


