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LUGAR HISTÓRICO

'Gruta milagrosa’ em Salvador: local sustenta história secular

Devotos do catolicismo e de religiões de matrizes africanas guardam o desejo de que o espaço seja tombado para preservar culto

Por Leo Prado*

29/03/2025 - 4:30 h
Guardião Evilasio da Silva se junta  ao povo de fé na luta pelo tombamento da Gruta de São Lázaro
Guardião Evilasio da Silva se junta ao povo de fé na luta pelo tombamento da Gruta de São Lázaro -

Em meio ao bairro de Ondina, uma das regiões mais turísticas de Salvador, esconde-se um local com história secular, símbolo do sincretismo religioso na cidade. Conhecida como “gruta milagrosa”, a Gruta de São Lázaro, ou Casa de Omolu e Obaluaê, é considerada um local sagrado, mas seus responsáveis ainda buscam por mais reconhecimento.

De acordo com o presidente do Conselho Municipal de Comunidades Negras de Salvador (CMCN), Evilásio da Silva, o grande desejo é que o espaço seja tombado. As tentativas começaram há cerca de quatro anos, após a especulação de que uma obra de um hotel próximo ao lugar sagrado pudesse tomar conta da sua área. Segundo ele, a Superintendência de Patrimônio da União na Bahia (SPU-BA) foi acionada, mas não deu continuidade ao processo.

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“Com o tombamento, seria possível ter um olhar diferente do Estado para a gruta, um investimento no entorno ou outros recursos. Esse local guarda uma fonte, que não é só de água, mas também uma fonte cultural, e fala sobre o nosso passado. Então, se faz importante que se dê mais atenção”, analisa o professor de História da Bahia, Murilo Mello.

‘Água milagrosa’

À beira da praia, a estrutura formada por rochas possui uma fenda, de onde brota um pequeno minadouro. Com a água, considerada milagrosa pelos devotos, eles se lavam em busca de proteção e cura, as bênçãos de São Lázaro, santo dos enfermos, e Omulu e Obaluaiê, orixás da cura e da doença. “As pessoas vêm aqui e chegam até a levar a água para beber, e dizem que realmente foram curadas pelo milagre”, conta o ogã Marco Antônio Neri, atual guardião da gruta.

“As pessoas se emocionam por tudo de sagrado que existe aqui, pela energia e a força presente. Mas, infelizmente, parece que nós somos esquecidos. Eu estou lutando, desde que passei a cuidar desse lugar, por melhorias, mas não temos o apoio necessário”, declara Marco.

A origem sagrada do local se dá ainda nos tempos de escravidão, segundo o professor Murilo. “A descoberta dessa gruta chamou a atenção, primeiramente, dos escravizados. Reza a lenda que eles a visitavam como forma de refúgio, para se curar quando estavam feridos. Ao longo do tempo, as religiões passaram a ter uma relação muito forte com esse local. É um patrimônio natural da cidade”, explica.

Registros mostram que a gruta começou a ganhar destaque no final da década de 1970, quando, sob autorização do então arcebispo de Salvador, dom Avelar Brandão Vilela, uma cruz e uma imagem de São Lázaro foram instaladas no local. Na época, o lugar era destino dos cortejos de celebração a São Lázaro e São Roque durante o mês de agosto, momento esse que, além dos católicos, também atraía fieis e autoridades das religiões de matriz africana. “As duas religiões reconheciam o lugar como um espaço sagrado. Os católicos na figura de São Lázaro, e o candomblé com Omolu e Obaluaê”, pontua Murilo.

O guardião Marco conta que frequentava a gruta ainda antes de se tornar seu protetor. Segundo ele, a missão de tomar conta do lugar lhe foi passada pelo antecessor, o babalorixa Ari de Oxalá, antes de falecer, em 2020. “Foi ele quem me convidou para frequentar a Casa. A sua espiritualidade lhe disse que esse era o meu lugar. Eu obedeci, e até hoje estou aqui”, lembra.

Além de Ari, uma outra figura se destaca na história do santuário. Albertino Araújo dos Santos, o primeiro dos cuidadores, chegou a morar no local, na companhia de seus sete cachorros. Estima-se que ele tenha vivido por lá entre os anos de 1956 e 1969.

Candomblecista, o presidente da CMCN Evilásio da Silva também tem a sua história de conexão com o lugar. “Aos 4 ou 5 anos, eu tive alguns problemas de saúde. Então, minha mãe, que era religiosa, me levava para a gruta para tomar banho com a água milagrosa. Aos 61 anos, eu entendo que foi por isso que cheguei até aqui”, relata.

Para Evilásio, a existência da gruta milagrosa ajuda a contar a história dos 476 anos de existência da capital:

“Do centro ao subúrbio, esses espaços místicos têm uma grande importância na representação da cultura e da religiosidade existente na cidade, desde o tempo dos povos originários. Isso transforma a nossa cidade no que ela é, esse lugar de tantos encantos”.

*Sob a supervisão da editora Isabel Villela

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Bahia Gruta Milagrosa Ondina Salvador

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