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Homens cobram até R$ 700 para evitar blitz da Lei Seca em Salvador

De acordo com o advogado Bruno Medeiros Durão, a conduta vai muito além de uma irregularidade administrativa

Carla Melo

Por Carla Melo

07/02/2026 - 8:55 h

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Ato foi flagrado na avenida ACM, em Salvador
Ato foi flagrado na avenida ACM, em Salvador -

Imagens de câmera de segurança viralizaram nas redes sociais ao mostrar homens circulando ao meio do tráfego de grandes avenidas na capital baiana, abordando motoristas para ‘burlar’ blitz da Lei Seca. Eles chegam a oferecer R$ 700 para assumir a direção de veículos pertencentes a motoristas alcoolizados.

Em uma das cenas é possível ver um grupo de homens atraindo possíveis motoristas ‘alvos’. Alguns veículos chegam a parar no acostamento após aceitar a proposta. O objetivo é evitar que sejam autuados com multas que podem ultrapassar R$ 2,9 mil.

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“Blitz é só para arrecadar mesmo”, escreveu o advogado na publicação, que gerou centenas de compartilhamentos e comentários. Para ele, a existência desses intermediários enfraquece o discurso de que as fiscalizações têm como principal finalidade a preservação de vidas. “A sensação de impunidade que esse tipo de prática transmite não apenas compromete a credibilidade da fiscalização, como também expõe toda a coletividade a riscos desnecessários”, afirmou.

Ação pode ser crime grave

Do ponto de vista jurídico, o advogado civilista e especialista em direito de trânsito Bruno Medeiros Durão alerta que a conduta vai muito além de uma irregularidade administrativa.

“Estamos diante de uma prática que pode configurar crimes graves, como corrupção ativa e passiva, associação criminosa e até obstrução de fiscalização. Tanto quem oferece quanto quem aceita esse tipo de ‘facilitação’ pode responder criminalmente”, explica.

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Segundo Durão, as consequências podem ser severas. “Além da multa por dirigir sob efeito de álcool, que ultrapassa R$ 2.900, o motorista pode ter a CNH suspensa, o veículo apreendido e ainda responder criminalmente, com pena de detenção. Já os intermediários podem ser enquadrados em crimes contra a administração pública e organização criminosa”, ressalta.

Nos comentários da postagem, usuários relataram abordagens semelhantes. “Esse tipo de relato é extremamente grave, porque indica uma tentativa clara de fraudar a fiscalização e comprometer a segurança viária”, observa Durão.

Dirigir sob efeito de álcool

Especialista em segurança viária lembra que dirigir sob efeito de álcool é infração gravíssima e uma das principais causas de mortes no trânsito. Dados nacionais mostram que, apenas em 2021, mais de 10,8 mil pessoas morreram em acidentes associados ao consumo de bebida alcoólica no Brasil — o equivalente a cerca de 1,2 mortes por hora.

Para Durão, o combate a esse tipo de prática exige mais do que blitzes pontuais. “Fiscalização séria, transparência e punição efetiva são essenciais. Qualquer brecha que permita ‘atalhos ilegais’ mina o objetivo maior da Lei Seca, que é salvar vidas”, conclui ele.

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Tags:

corrupção Direito de Trânsito Infração Grave lei seca Segurança Viária Trânsito

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