DIA DAS MÃES
IA no WhatsApp: tecnologia baiana ajuda mães solo a gerir finanças em Salvador
Economista aponta que o custo mensal não é menor R$ 2.500

Ser mãe é umas das tarefas mais importantes e complicadas da humanidade e diversos quesitos amplificam essa complicação. Um deles são os preços do itens essenciais para realização dessa tarefa e as dificuldades de entender as finanças nessa fase.
Na prática, os preços para cuidar de um filho no Brasil vêm se tornando cada vez mais altos, já que tudo que envolve o processo de crescimento de uma criança, se somadas, resultam em um gasto que pode ser considerado alto.
Entre as variáveis, como alimentação, saúde e educação, “o custo mensal fixo de um filho raramente fica abaixo dos R$ 2.500", de acordo com o economista e presidente do Corecon-Ba (Conselho Regional de Economia da Bahia), Edval Landulfo ao portal A TARDE.

Entre esses gastos estão incluídos:
- Fórmulas infantis ou misturas lácteas, que podem chegar de R$ 450 a R$ 700/mês;
- Fraldas descartáveis que variam de R$ 200 a R$ 350/mês dependendo de promoções ainda podem ser mais baratas;
- Alimentação: atualmente uma cesta básica em Salvador custa R$ 624,01.
- Educação, que a depender do colégio, pode chegar a R$ 6 mil, além do material escolar, cujo preço varia muito;
- Saúde também é um ponto de observação, já que um convênio pode sair de R$ 125 a R$ 450.
Ou seja, a missão para manter financeiramente uma criança pode ser desafiadora, e esse cenário somente se agrava quando a mãe está em uma caminhada solo e não possui uma pessoa para dividir esses gastos, por exemplo.
Essa situação ainda piora quando se nota que, no Brasil, 11,3 milhões de lares são chefiados por mães solo — segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas) — que precisam fazer um malabarismo financeiro para manter os gastos da casa.
Vale ressaltar que o termo “mãe solo” é diferente de “mãe solteira”, já que engloba todas as nuances, seja a mãe separada, viúva ou divorciada.
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E se existisse uma ferramenta para facilitar os desafios diários?
Isso já foi possível graças ao trio soteropolitano composto por Adriele Ornellas, Luã Mota e Péricles Oliveira, que criaram a ferramenta de auxílio financeiro, nomeada como “Yá”, do Yorubá, “mãe”.

Não ironicamente, a ferramenta funciona como um suporte de registro de organização, que utiliza inteligência artificial (IA), diretamente pelo WhatsApp e de forma gratuita.
Nela, as mães podem registrar os gastos sem precisar baixar aplicativos, passar por imbróglios bancários ou julgamento. O registro pode ser feito por meio de:
- áudio;
- texto;
- foto de comprovantes.
O portal A TARDE falou com Péricles Oliveira, engenheiro eletricista e um dos líderes do projeto, que explicou o processo de criação da ferramenta.
“A Yá nasceu pra ser uma assistente no WhatsApp, que entende áudio, texto e foto de comprovante, e devolve clareza, sem julgamento e sem aquele tom de aula de educação financeira, que não conversa com a realidade da periferia".
Entenda como a Yá funciona
A Yá opera sem exigir downloads de outros aplicativos, sem solicitar dados bancários e não tem um cadastro complicado.
Para utilizar a Yá, a mãe solo precisa somente enviar uma mensagem, seja ela no formato de:
- Áudio: a mãe manda um áudio dizendo "gastei [R$] 50 no mercado". A IA transcreve, categoriza e registra.
- Texto: mensagens simples como "luz [R$] 120" ou "gás 85" são interpretadas automaticamente.
- Foto: comprovantes e recibos são lidos pela IA e organizados por categoria.
Após a captação dos dados, a Yá envia resumos periódicos de gastos, com linguagem acolhedora.
Como utilizar a "Yá"
De acordo com os desenvolvedores, a funcionalidade ainda está em fase de finalização, mas já pode ser testada. Basta seguir os seguintes passos:
- Realizar um pré-cadastro no site oficial da Yá;
- Esperar o contado da Yá no seu WhatsApp, que vai acontecer como qualquer outro contato adicionado;
- Dialogue com a Yá, dando detalhes sobre a realidade da mãe solo, contexto financeiro e outros pontos;
- Informe os gastos cotidianos, seja por mensagem, áudio ou imagem;
- A Yá vai analisar, arquivar os dados e repassar uma análise.
Vale ressaltar que a previsão do lançamento oficial da ferramenta é estipulado para o início do segundo semestre de 2026.
Maior desafio que a ferramenta ajuda
Ao portal A TARDE, o engenheiro explicou que o maior desafio das mães nem sempre é o matemático, mas sim o emocional.
“A sensação de que o dinheiro some e ela não sabe pra onde foi. É a culpa de negar alguma coisa para o filho sem ter certeza se precisava negar, é o medo de abrir o app do banco no fim do mês. A Yá ajuda a dissolver isso.”, contou Péricles.
Escolha de ser uma ferramenta, não aplicativo
Péricles declarou que a escolha da “Yá” ser uma ferramenta de WhatsApp e não um aplicativo, foi proposital. “Mãe solo da periferia não tem espaço no celular pra baixar mais um aplicativo, não tem tempo pra aprender uma interface nova, e muitas vezes nem tem plano de dados que aguente. Então a Yá vive no WhatsApp, que ela já usa todo dia”.
Auxílio da ferramenta na economia das mães
Com o uso recorrente da ferramenta, ela vai começar a notar padrões de onde o dinheiro está escorrendo mais, se a conta vai “apertar” próximo do final do mês ou onde é possível economizar.
Porém, de acordo com Péricles, “a Yá não vai decidir pela mãe, a decisão é dela, sempre, mas a Yá entrega informação no formato que dá pra usar".
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