FESTA
Lavagem de Itapuã é a mesma de antes? Foliões avaliam transformações
Festa acontece reúne tradição, fé e opiniões divididas sobre as mudanças ao longo dos anos

Por Beatriz Santos e Edvaldo Sales
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A Lavagem de Itapuã acontece nesta quinta-feira, 5, em Salvador, e volta a ocupar as ruas do bairro com fé, música e celebração popular. Com 121 anos de história, que serão completados em 2026, a festa reúne cerca de 40 atrações, entre blocos e fanfarras, que começam a desfilar a partir das 2h, mantendo viva uma tradição que, para muitos foliões antigos, passou por transformações ao longo do tempo.
A programação tem início nas primeiras horas da madrugada com o Bando Anunciador, que percorre as ruas do bairro entoando louvores até a Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã.
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A chegada da alvorada é marcada por uma queima de fogos, seguida pela lavagem das escadarias do templo, realizada pelas baianas, um dos rituais mais simbólicos da celebração.
Entre os frequentadores que acompanham a lavagem há anos, as mudanças são percebidas de formas diferentes. Valquíria Moraes, que participa da festa há cerca de uma década, faz uma avaliação ponderada. “Eu acompanho a lavagem há cerca de 10 anos. Em comparação com outras edições, acho que está mais ou menos. Algumas coisas melhoraram, outras nem tanto.”

Segundo ela, a principal diferença está no formato do cortejo. “Antes, a lavagem era mais tradicional, com as baianas e as carroças. Hoje em dia, tem trio elétrico, algo que não existia antigamente. Isso não chega a atrapalhar o cortejo, mas acaba deixando tudo um pouco mais tumultuado.”
Apesar disso, Valquíria vê o processo como parte da evolução da festa. “É uma evolução. Só tende a melhorar, não prejudica em nada. Está muito bom, porque todo mundo gosta de curtir. Cada um aproveita do seu jeito, cada um curte um pouquinho.”
Para Cleusa Dias Mendes, que acompanha a Lavagem de Itapuã há muitos anos, a sensação é de avanço em relação ao passado recente. “Eu acompanho há muito tempo e estou achando melhor em comparação com outros anos. Tem mais espaço, está melhor organizado do que antes.”

Ela também destaca a principal diferença em relação às edições mais antigas. “Antigamente era só o cortejo, hoje tem os trios. Essa é a principal diferença. A festa, no geral, é maravilhosa. A Bahia é bela.”
Já Paulo Cezar, que conhece a lavagem há mais de duas décadas, reforça o caráter simbólico e pacífico da celebração. “Eu conheço a lavagem daqui há mais de 20 anos. É uma lavagem boa, maravilhosa. É uma festa de paz, uma festa de amor.”
Ele também relata a rotina do início da festa. “A gente sai cedo. Eu cheguei na Igreja da Conceição da Praia por volta das seis horas da manhã e seguimos de lá até aqui. Está tudo tranquilo, tudo de boa.”
“Cada ano melhora. A segurança este ano está boa. Não existe fazer uma festa e ela melhorar de uma vez. Com o tempo, vai melhorando. Até vocês que estão trabalhando sentem isso. Melhora porque quem organiza vai observando os erros e vai corrigindo", completou o folião.
Em 2026, a festa homenageia duas personalidades ligadas à cultura e à religiosidade afro-baiana: a Ekedi Teresa Alves de Souza, do terreiro Ilê Axé Oyá Demim, de Lauro de Freitas, e o músico, pescador e fundador do Afoxé Korin Nagô, Ulisses dos Santos, de 84 anos.
A programação da Lavagem de Itapuã segue até a segunda-feira, 9. Na sexta-feira, 6, e no sábado, 7, os shows acontecem às 20h, e no domingo, 8, às 18h, no palco montado na Rua do Tamarineiro. O encerramento será dedicado ao ritual de entrega dos presentes a Iemanjá, reforçando a dimensão religiosa e ancestral de uma festa que, entre tradição e mudanças, segue mobilizando gerações.
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