SALVADOR
Fechamento de shoppings aos domingos acende embate entre lojistas e empregados
Proposta divide opiniões e acende discussão sobre jornada e economia

Um Projeto de Lei na Câmara Municipal de Salvador quer proibir o funcionamento de lojas em shoppings aos domingos, mantendo apenas lazer e alimentação. A proposta do vereador Maurício Trindade (PSDB) também limita o expediente de segunda a sábado até as 21h.
A medida abriu um embate direto entre representantes patronais e dos trabalhadores. Enquanto o sindicato da categoria foca na segurança e saúde, os lojistas alertam para prejuízos econômicos e o avanço da concorrência digital.
Segurança e dignidade no centro da proposta
A principal justificativa do projeto reside na proteção do trabalhador. Muitos comerciários residem em áreas periféricas e dependem de transporte público em horários de baixa oferta, o que os torna vulneráveis à criminalidade.
"A manutenção de horários excessivamente estendidos acaba transferindo aos empregados um ônus desproporcional, colocando em risco sua segurança e qualidade de vida", defende o vereador Maurício Trindade.
Comerciários veem alívio em jornada exaustiva
Para o Sindicato dos Comerciários, a medida dialoga com pautas nacionais, como o fim da escala 6x1. O presidente da entidade, Renato Ezequiel, aponta que o atual modelo é predatório à saúde física e mental da categoria.
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"Essa carga de trabalho é exaustiva, está adoecendo os trabalhadores. O que os patrões estão fazendo é usar o ser humano como uma cana: tira o caldo e joga o bagaço fora", afirma Renato Ezequiel.
Lojistas alertam para prejuízos e concorrência digital
O setor patronal reage com indignação. O presidente do Sindicato dos Lojistas (Sindilojas), Paulo Motta, classifica a iniciativa como "lamentável" e alerta para o fortalecimento do e-commerce em detrimento das lojas físicas.
"É lamentável que um parlamentar ache que pode melhorar a condição de trabalho limitando o trabalho na cidade. O e-commerce tem uma concorrência forte e isso gera prejuízos", rebate Paulo Motta.
Punições e próximos passos no Legislativo
O texto prevê sanções rígidas para o descumprimento, com multas de R$ 15 mil e risco de cassação definitiva do alvará em caso de reincidência reiterada. A proposta estabelece:
- Funcionamento do comércio de segunda a sábado até 21h;
- Proibição de abertura de lojas aos domingos, mantendo apenas serviços de alimentação e entretenimento;
- Possibilidade de horários especiais em datas autorizadas;
Atualmente, o projeto aguarda análise nas comissões temáticas da Câmara. Se aprovado, seguirá para votação em plenário e posterior sanção ou veto do Executivo municipal.
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