SALVADOR
Sindicato dos Rodoviários detalha imbróglio com empresários após fim da greve
Categoria aceitou encerrar a paralisação após aprovação de acordo em assembleia


Após ofim da greve dos rodoviários em Salvador, dirigentes do Sindicato dos Rodoviários detalharam o imbróglio envolvendo as negociações com os empresários do transporte coletivo e acusaram as empresas de contribuírem para o agravamento da crise que afetou a capital baiana nesta sexta-feira, 22.
Em entrevista ao portal A TARDE, o vice-presidente do sindicato, Fábio Primo, afirmou que a categoria aceitou encerrar a paralisação após aprovação, em assembleia, da proposta reformulada pelo Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-5), mesmo sem considerar o acordo ideal.
“Hoje a assembleia deliberou pelo final da greve, isso se faz com democracia, entendendo que não era o que nós queríamos como reajuste, mas a gente entende que era a proposta que os trabalhadores podia sair da greve de uma forma honrosa”, declarou.
O sindicalista responsabilizou diretamente os empresários pelo descumprimento da decisão judicial que determinava circulação mínima de 60% da frota nos horários de pico.

“As imagens de vocês mostram que a gente não fizemos piquete em nenhuma das garagens. Então, se a gente não fez piquete e os ônibus não saíram, nós não somos responsáveis pelos ônibus. Responsáveis pelos ônibus é a Integra”, disse.
"Greve poderia ter sido evitada"
Fábio Primo também afirmou que a greve poderia ter sido evitada caso os empresários aceitassem anteriormente a proposta construída pela presidente do TRT-5.
“Essa greve poderia ter sido evitada antes. Quando a presidente fez essa proposta, eles poderiam ter chamado a presidente e ter evitado a greve. Mas por falta de responsabilidade deles com a cidade, empurrou os trabalhadores para uma greve”, criticou.
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O vice-presidente do sindicato explicou ainda que a proposta aprovada nesta sexta foi resultado de sucessivas reformulações feitas durante as negociações no tribunal.
“Tivemos três propostas. A primeira ela ofereceu 3% de ganho real, depois uma proposta com menos de 1% de ganho real, e depois ofereceu o INPC. O INPC foi o que chegamos ao consenso”, afirmou.
Outro ponto de conflito citado pelo sindicalista envolve a possibilidade de aplicação de multa ao sindicato pelo descumprimento da frota mínima.
“Os empresários não criaram a logística para atender a decisão de 60%. Então a Justiça deve punir sim os empresários”, declarou.
Já o diretor do sindicato, Thiago Ferreira, explicou que a retomada da circulação dos ônibus ocorre gradualmente porque muitos trabalhadores ainda precisavam retornar às garagens após o encerramento da assembleia.

“Os trabalhadores vão estar sendo informados pela imprensa que devem voltar aos seus locais de trabalho. Isso talvez leve um tempinho até a regularização final, mas a greve está encerrada”, disse.


