SALVADOR
Varanda de Michael Jackson no Pelourinho pode fechar após decisão da Justiça
Decisão judicial pode retirar administrador da famosa varanda de Michael Jackson


Um dos cenários mais conhecidos do Centro Histórico de Salvadorpode passar por uma transformação que preocupa moradores, comerciantes e fãs de Michael Jackson. A Justiça determinou a desocupação do imóvel onde funciona a famosa varanda eternizada pelo cantor durante a gravação do clipe They Don't Care About Us, em 1996, abrindo um novo capítulo para um dos pontos turísticos mais visitados do Pelourinho.
Mais do que um imóvel, o espaço se tornou, ao longo das últimas décadas, um símbolo da relação entre Salvador e um dos maiores artistas da música mundial. Diariamente, turistas brasileiros e estrangeiros fazem fila para registrar uma foto no mesmo local onde o Rei do Pop apareceu ao lado do Olodum, em imagens que ajudaram a divulgar a capital baiana para milhões de pessoas.
A determinação judicial atende a um pedido de reintegração de posse apresentado pela empresa My Falcam Brasil Empreendimentos e Participações Ltda. contra Carlos Alberto dos Santos, responsável pela administração do espaço há 17 anos. Apesar da decisão em primeira instância, o processo ainda não foi encerrado e recursos seguem em análise pela Justiça.
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Patrimônio da memória turística de Salvador
Desde que Michael Jackson escolheu Salvador como cenário para parte do videoclipe dirigido por Spike Lee, em fevereiro de 1996, a varanda passou a integrar o roteiro obrigatório de quem visita o Pelourinho.
O local se consolidou como um dos pontos mais fotografados da região e ajudou a fortalecer a imagem internacional do Centro Histórico, unindo música, cultura afro-brasileira e turismo em um único espaço.
O reconhecimento permanece até hoje. Em junho deste ano, a homenagem ao artista ganhou um novo totem em acrílico, substituindo a antiga estrutura desgastada pelo tempo. A iniciativa buscou preservar a memória da passagem do cantor e manter a experiência oferecida aos visitantes.
Espaço movimenta turismo e economia local
Além do valor simbólico, a varanda também exerce papel importante na economia do Pelourinho.
Ao longo dos anos, o espaço passou a receber visitantes de diferentes países interessados em conhecer de perto um dos cenários mais marcantes da carreira de Michael Jackson. O fluxo constante de turistas também beneficia comerciantes, guias, artesãos e empreendedores que atuam na região.
Em entrevista ao portal Massa!, o responsável pela administração do imóvel desde 2010, Carlos Alberto dos Santos afirma que foi ele quem transformou a varanda em um ponto aberto à visitação.
"Eu estou nesta casa há 17 anos. Fui eu quem criou essa ideia de permitir que as pessoas subissem para tirar fotos na varanda do Michael Jackson. Com o tempo, ela ficou conhecida mundialmente como a casa do Michael Jackson", declarou.
Segundo ele, o local também representa sua principal fonte de renda.
"É daqui que tiro o meu sustento. É daqui que consigo cumprir minhas obrigações, sustentar meus filhos, pagar as despesas da casa e comprar os medicamentos de que preciso. Tenho criança pequena e muitas responsabilidades. Tudo depende daqui", afirmou.
Carlos também lamentou a possibilidade de deixar o imóvel.
"Eu me sinto muito triste. Imagine você construir uma história como essa em torno do Michael Jackson, fazer com que as pessoas venham visitar o local", disse.

Entenda a disputa judicial
A ação de reintegração de posse foi ajuizada em março deste ano pela empresa My Falcam Brasil Empreendimentos e Participações Ltda., proprietária do imóvel.
Segundo o processo, Carlos Alberto ocupava parte do espaço por meio de um contrato de comodato — modalidade de empréstimo gratuito — restrito ao térreo do prédio. A empresa argumenta que o acordo dependia da autorização do proprietário e que decidiu encerrar a cessão do imóvel.
Com esse entendimento, a juíza Ana Karena Nobre, da 9ª Vara Cível e Comercial de Salvador, determinou a reintegração de posse e estabeleceu prazo para desocupação. A defesa recorreu da decisão, mas o pedido de suspensão foi negado. O recurso ainda aguarda julgamento.
Paralelamente, Carlos Alberto ingressou com uma ação de usucapião, alegando exercer posse contínua sobre o imóvel desde 2010 e sustentando que foi responsável por recuperar o espaço, implantar uma atividade cultural e dar função social ao local. O pedido foi extinto sem análise do mérito por ausência dos requisitos legais, mas também é objeto de recurso.
Em nota, a defesa afirma que a decisão não é definitiva e destaca que o imóvel representa um patrimônio de relevante interesse histórico, cultural e turístico para Salvador, reforçando que o processo continua em tramitação na Justiça.
Até a publicação desta reportagem, a empresa My Falcam Brasil Empreendimentos e Participações Ltda. não havia se manifestado sobre o caso.






