TRADIÇÃO
Bandeirolas e fogueiras: qual a origem desses símbolos históricos?
Elementos que fazem parte da cultura junina reúnem costumes milenares


Indispensável na decoração dos festejos juninos e responsável por representar a chegada do São João, as bandeirolas e as fogueiras fazem parte de um conjunto de símbolos que alegra o coração de todo nordestino no mês de junho.
Mas você sabe qual a origem dessas tradições? O professor de história, Ricardo Carvalho, explica. As bandeirolas podem ser coloridas ou verde e amarelas, em época de Copa do Mundo, mas muito antes de virarem decoração, elas tinham um significado religioso.
"Essa tradição tão bonita, arquitetura temporária que é a bandeirola, que cobre os céus do Nordeste, nasceu na Europa, na Península Ibérica, mais precisamente. Em uma tradição dos santos do mês junino, em que se colocavam estandartes e bandeirolas com as imagens dos santos, existia até uma cerimônia de bênção, que se lavava essas bandeirolas para que a água ficasse abençoada", diz o professor.
A cultura europeia veio se transformando ao longo dos séculos. As antigas bandeirinhas ganharam recortes geométricos e se aproximaram do povo nordestino, os primeiros a receberem essa influência.
"Quando ela vem para cá, via jesuítas, como tradição católica colonial, as bandeirolas com o tempo foram sendo substituídas por esses elementos coloridos que representam criatividade, pujança, fartura, acolhimento e tudo que tem a ver com o nosso São João do Nordeste", conta Ricardo.

Agora, existe algo mais simbólico no São João do que uma rua cheia de fogueiras? Quem passa as festas juninas no interior conhece bem essa realidade. A porta de todas as casas com famílias e amigos reunidos, crianças brincando e uma variedade de comidas típicas, mas a origem é milenar.
"Ela chega como uma celebração que curiosamente não é cristã, é pagã, com a celebração do solstício de verão. Mas também tem a ver com a cristianização, a tradição católica diz que, Isabel, a Santa Isabel teria acendido uma fogueira para anunciar a chegada de João Batista, primo de Jesus, que nasceu seis meses antes do que o mestre", afirma o professor Ricardo.
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"Essa tradição vem com os europeus para cá, é uma mistura pagã com uma tradição cristã, ibérica, e que aqui se transforma nessa celebração maravilhosa. É um local não só do simbolismo do fogo, da renovação, mas também um local onde a gente vai assar o milho, onde vai praticar as simpatias", completa.
Assim, a fogueira e a bandeirola são elementos essenciais desse período e muito importantes para a manutenção de costumes que atravessam gerações.


