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CORAÇÃO DO FORRÓ

Doutores da sanfona: conheça os luthiers que garantem a afinação do São João

Profissionais são responsáveis por consertar sanfonas

Franciely Gomes
Por
Luthier Juniu Bala falou sobre o seu ofício
Luthier Juniu Bala falou sobre o seu ofício - Foto: Clara Pessoa | Ag. A TARDE

Instrumento que pulsa forró e tradição nordestina, a sanfona não sobrevive sozinha. Também chamada de acordeon, ela precisa de alguns reparos para manter a vibração que aquece os amantes de uma boa música.

Os responsáveis por estas operações são os luthiers, artesãos especializados na construção, reparo, ajuste e manutenção de instrumentos musicais de corda, como violões, guitarras, violinos, violoncelos, além dos de outros segmentos, como a sanfona de 120 baixos.

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O termo deriva do francês luth, que significa alaúde, e remete à maestria de trabalhos em madeiras e acústica, composição da maioria dos instrumentos no Brasil e no mundo.

Profissionalização

Trabalhando com o ofício há 22 anos, 'Juniu Bala' contou ao portal A TARDE que se apaixonou pela profissão ainda jovem. Ele passou a mexer na sanfona por curiosidade e descobriu o dom para consertar o instrumento.

Luthier Juniu Bala exercendo seu ofício
Luthier Juniu Bala exercendo seu ofício - Foto: Clara Pessoa | Ag. A TARDE

“Meu interesse pela sanfona partiu de conhecer a fundo esse instrumento. Na época que eu comecei a estudar, não tinha luthier, nem professor de acordeon, principalmente na região onde eu morava, que era em Porto Seguro. Não tinha o acesso a esse material que tem hoje aí disponível na internet”, contou.

“Então, eu usei o dom que Deus me deu de compreensão e observação. Comecei abrindo, tirando um parafuso e consertando uma coisinha. Minha primeira sanfona foi uma bem precária, danificada e precisava de reparos. Como não tinha luthier, eu comecei a mexer, fazer um consertozinho aqui e ali na intuição mesmo”.

Apesar de os luthiers mais antigos terem se capacitado de forma autodidata, atualmente, existem cursos técnicos e profissionalizantes na área. Dentre as principais exigências estão: conhecimentos de marcenaria, física acústica e música.

Complexidade da profissão

Durante a entrevista, Juniu também falou sobre a dificuldade de mexer com a sanfona, já que a mecânica de 120 baixos é considerada uma das mais complexas do mundo.

“Em se tratando de instrumento musical é um dos mais complexos que tem, pois é artesanal, com muitos arames ali. Cada botão que você aciona, aciona três arames que abrem orifícios que dão vazão de ar onde é produzido o som”, explicou.

Ele ainda reforçou que, apesar da dificuldade, é gratificante fazer o sentimento da canção ser transmitido pelo artista através do toque do instrumento. “Eu acredito muito nessa questão do sentimento que você tem ao tocar o instrumento. Acho que ele pode ser expressado através da sonoridade”.

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Mulheres luthiers

Aline Rebouças com as sanfonas que conserta no dia a dia
Aline Rebouças com as sanfonas que conserta no dia a dia - Foto: Arquivo pessoal

Apesar de ser uma profissão dominada por homens, a luthieria também conta com representantes femininas. Aos 29 anos de idade, Aline Rebouças é uma dessas mulheres que atuam no conserto de sanfonas e outros instrumentos.

Atuando na profissão desde 2014, ela conta ao portal A TARDE que tem muito orgulho das atividades que desempenha no dia a dia. “Atuar na luthieria é gratificante. Tenho muito orgulho de todas as atividades que desempenho. É uma profissão viva, em que cada projeto de instrumento é singular”.

Entretanto, nem tudo são flores e Aline também enfrenta algumas dificuldades por ser mulher. “Claro que quando falamos de uma figura feminina atuando num cenário que é dominado por homens, gera algumas reações, como curiosidade, admiração, e espanto, no público que procura pelo meu trabalho”, revelou.

Por fim, ela pede que os luthiers se unam para dar ainda mais valor à profissão. “Peço aos meus colegas de profissão para que a cada dia nossa categoria esteja mais unida, focada principalmente em compartilhar nossos conhecimentos, para que a arte da luthieria prevaleça por outras gerações”.

Luthieria dá lucro?

Juniu Bala em seu espaço de trabalho
Juniu Bala em seu espaço de trabalho - Foto: Clara Pessoa | Ag. A TARDE

O amor pelo ofício não é a única coisa que move a luthieria. Os profissionais costumam ser bem recompensados financeiramente por seus serviços de reparo aos instrumentos musicais.

De acordo com dados do Portal Salário / CAGED, um luthier que atende diversos instrumentos, além da sanfona, ganha, no Brasil, em média, R$ 2.338,36 mensais, para uma jornada de 43h semanais. Entretanto, essa renda pode oscilar para os profissionais autônomos ou que possuem ateliês consolidados, variando entre R$ 5.000 e R$ 10.000, de acordo com os profissionais do ramo.

De acordo com Juniu, o lucro para a sanfona, especificamente, aumenta no São João. “O lucro sem dúvida compensa. A média de preço varia, né? No São João, é claro que o valor aumenta pela demanda, que é muito grande, e por ser uma atividade artística. A luthieria é uma arte. Então, o valor varia muito de luthier para luthier, pois ele dá o valor de acordo com a habilidade que ele tem”, explicou o luthier.

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Sanfona São João São João 2026

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