TRADIÇÃO
Festas juninas devem atrair 140 milhões de pessoas
Pesquisa aponta aumento do interesse pelas celebrações


A região Nordeste do Brasil concentra a maior população disposta a participar dos festejos juninos este ano, dos quais, 51% devem se divertir em festas de rua com acesso gratuito e 34% em eventos fechados como chácaras e residências. A expectativa é que 140 milhões de brasileiros sejam atraídos aos festejos que acontecem em todos estados, considerando os religiosos e profanos.
Os dados são da pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, indicando que 85% dos entrevistados entre 29 de abril e 6 de maio estão propensos a integrar alguma festividade relacionada às celebrações dos santos juninos em 2026. Em 2025, primeiro ano da pesquisa, o resultado apontou o desejo de 81% dos brasileiros participarem das festas de junho.
Em outras regiões do Brasil, como Sudeste, Centro Oeste e Sul, a cultura dos festejos juninos está ligada aos católicos que celebram algum dos santos comemorados neste mês com a realização de novenas e quermesses, bem como aos eventos realizados em escolas públicas e privadas, geralmente visando arrecadar fundos para melhorias na sua infraestrutura. No Norte e Nordeste os principais atrativos são as festas de rua, em casas e chácaras.
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Tradição
De acordo com o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, a pesquisa mostra “que essa celebração atravessa o país de jeitos diferentes, muda conforme a região, o território e a forma de viver de cada comunidade, mas preserva uma força comum: reunir pessoas em torno da tradição, da comida, da música e do pertencimento”.
Para o estudioso, a tradição permanece forte e ganha fôlego. “O que muda um pouco é a forma de celebrar” disse, acrescentando que “de um ano para o outro, os brasileiros ajustam o tipo de evento que pretendem frequentar, alternando entre festas de rua, encontros em família, quermesses, escolas e espaços comunitários”.
Ele destacou que a festa junina “é uma das expressões mais bonitas de como o Brasil transforma cultura em encontro”, acrescentando que em um momento em que o orçamento pesa nas escolhas das famílias, os festejos mostram que a cultura popular segue sendo um espaço de afeto, identidade e também de movimento para a economia local.
Presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, afirmou que as festas juninas “são as mais democráticas, porque todos participam de alguma forma. Ele reconheceu a importância dos festejos para as economias locais, apontando que nas diferentes regiões do estado é grande a mobililização, envolvendo desde os produtores do campo, aos mestres gastronômicos e trabalhadores do segmento forrozeiro.
Para ele, no entanto, os encontros entre familiares e amigos são marcantes nas festas. “O mais importante é a participação daqueles que saíram das suas cidades pra trabalhar e ganhar dinheiro em outras cidades e estados, pois eles juntam dinheirinho o ano todo pra voltar e vim dançar um forró”, enfatizou, citando que as músicas típicas, a cultura, as quadrilhas, a animação são de graça nas festas de rua, com shows patrocinados pelas prefeituras.
Cardoso ressaltou um movimento positivo e crescente nos municípios de pequeno porte que tem feito decorações com participação popular, já que não têm grandes receitas. “Então envolvem secretarias e fazem lindos trabalhos pelas mãos dos próprios munícipes”, afirmou, salientando que pequenas cidades que valorizam essa cultura agradam turistas, “que buscam segurança, animação e tradição”.
Barreiras
Em Barreiras, onde São João Batista é padroeiro, a programação religiosa é forte e começa com 10 dias de antecedência com passeio matuto anunciando a novena, quermesse e a festa, no dia 24. “Minha avó era muito devota e participava de toda programação na igreja. Hoje nós continuamos os costumes dela”, afirmou a professora, Anna Ferreira, esperando parentes que vêm de Brasília e Goiânia “pra gente fazer a maior festa na chácara”, asseverou.
Este ano a cidade terá o Arraiá Cultural entre 22 e 24 de junho, com 13 atrações locais e regionais e a perspectiva de movimentar o Centro Histórico, com forró, bebidas e comidas típicas. Estas serão vendidas em 10 barracas que levam os nomes de expoentes do forró baiano e nordestino, de Luiz Gonzaga a Adelmário Coelho e Elba Ramalho.
“Estamos resgatando o São João Raiz, valorizando os nossos artistas, as nossas quadrilhas juninas, inclusive com incentivo às juninas mirins”, afirmou o secretário de Cultura e Turismo, Virgulino Pinto (Gulla do Kimarrei). Ele pontuou os concursos de quadrilhas em diferentes categorias e apresentações musicais na praça Landulfo Alves e no Mercado Cultural Caparrosa.
A estudante de Psicologia, Patrícia Fonseca, trabalha com produção e venda de bolo de mandioca, pamonha, curau e milho verde cozido. Ela se disse animada com o movimento deste ano, pois desde o final de maio está atendendo pedidos para festas. “Primeiro foi Santo Antônio, agora São João e já temos encomendas para São Pedro. Além das festas de rua as pessoas fazem novenas nas igrejas e também nas casas. Muito bom este período do ano”, concluiu.


