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ARRASTA-PÉ URBANO

Ilê Aiyê promove ressaca de São João no Pelourinho neste sábado

Bloco mistura forró e percussão afro no Arr'Aiyê neste sábado

Júlio Cesar Borges*
Por Júlio Cesar Borges*
Com Virgílio e samba junino, Ilê Aiyê realiza edição do Arr'Aiyê no Pelourinho
Com Virgílio e samba junino, Ilê Aiyê realiza edição do Arr'Aiyê no Pelourinho - Foto: Divulgação

Mesmo com o fim oficial dos festejos juninos, o Ilê Aiyê promete manter o clima de São João na cidade. No sábado, 4, a Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba, no Pelourinho, recebe mais uma edição do Arr'Aiyê do Ilê, evento que mistura forró, samba junino e percussão afro em uma celebração que aproxima diferentes expressões baianas.

A programação começa às 18h30 e contará com apresentações da Band'Aiyê, anfitriã da festa, além do cantor Virgílio, da quadrilha Forró do ABC e do grupo Samba Zé.

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O Arr'Aiyê aposta no diálogo entre manifestações que tenham raízes nas culturas populares. A proposta nasceu há alguns anos e, segundo o produtor Sandro Teles, tornou-se a marca do evento. “A gente sempre pensa em reunir um grupo de forró tradicional, um grupo de samba junino e o Ilê Aiyê como anfitrião. É uma grande celebração das festas juninas dentro da identidade do Ilê”, explica.

Conhecido mundialmente como um dos principais símbolos da cultura afro-brasileira, o Ilê Aiyê leva para o Arr'Aiyê a percussão e a estética construída ao longo de mais de cinco décadas.

Ao lado dela, surgem linguagens igualmente tradicionais das festas nordestinas, como o forró pé de serra, o samba junino e as quadrilhas. Para a presidente da quadrilha Forró do ABC, Mariete Lima, essa aproximação acontece de forma natural porque todas essas manifestações fazem parte da mesma cultura popular.

“A Bahia é a terra da diversidade e das misturas. A Forró do ABC nasceu na Liberdade, berço dessa cultura afro que também carrega a grandeza do Ilê Aiyê. Para a gente é muito importante unir esses dois mundos, que se completam culturalmente”, afirma.

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Tradições preservadas

Ela destaca ainda que ocupar espaços como o Arr'Aiyê representa um reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelas quadrilhas juninas ao longo de décadas. “A gente precisa estar em todos os espaços. Quando nos aproximamos de um evento grandioso como esse, vemos que a nossa cultura também está sendo valorizada e abraçada”.

Uma novidade desta edição será a participação do Samba Zé, grupo formado por ex-alunos da Band'Erê, escola de música do Ilê Aiyê. A presença da banda reforça a valorização do samba junino, manifestação genuinamente soteropolitana marcada por tambores, canto coletivo e forte participação popular.

Para o vocalista Valter Ouro, o ritmo representa muito mais do que uma expressão musical típica do período. “O samba junino é uma das mais belas expressões da cultura popular de Salvador. Ele une a tradição do São João, a força da percussão e a ancestralidade do nosso povo, fortalecendo os laços entre as comunidades e preservando nossas raízes”

Segundo ele, a tradição permanece viva justamente porque continua ocupando ruas, praças e bairros da cidade, transformando cada apresentação em um momento de pertencimento e resistência cultural. “Preservar essas tradições é honrar quem veio antes de nós e garantir que o coração do São João de Salvador continue batendo no compasso dos tambores”.

Representando o forró tradicional, o veterano cantor Virgílio promete um repertório que passeia pelos grandes clássicos do gênero sem abrir mão de composições próprias. “Preparei um repertório bastante eclético, com muito forró tradicional, grandes clássicos que marcaram a história do São João e também músicas autorais. Quero ver todo mundo dançando forró, cantando junto e fazendo dessa celebração um momento inesquecível”, diz o vocalista.

Arr’Aiyê do Ilê 2026 / Sábado (04), 18h30 / Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba (Pelourinho) / R$ 140 e R$ 70 / Vendas: meubilhete.com.br

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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