SÃO JOÃO
MP responde críticas de Del Feliz sobre debate dos cachês no São João
MP rebateu críticas feitas por forrozeiro


O debate sobre os valores dos cachês do São João da Bahia em 2026 ganhou novos capítulos nesta terça-feira, 16, durante a apresentação do Painel de Transparência dos Festejos Juninos, na sede do Ministério Público da Bahia (MP-BA), em Salvador. Na ocasião, o promotor de Justiça Pablo Almeida rebateu as críticas feitas pelo cantor e forrozeiro Del Feliz.
Na última quarta-feira, 10, durante o lançamento oficial do São João do estado, Del Feliz havia contestado a fiscalização do órgão sobre os contratos artísticos, classificando a discussão como inconstitucional:
“Isso não resolve nada. Eu não tenho o direito de dizer se o cachê de fulano deve ser R$ 8 mil ou R$ 2 milhões. Não é justo, não é constitucional. Agora, R$ 700 mil é muito dinheiro? Sim, acho um cachê muito alto, mas cabe aos prefeitos o bom senso”, pontuou o cantor na ocasião, defendendo também o colega de profissão Flávio José.
Em resposta, o promotor Pablo Almeida reiterou que o Ministério Público não tem a intenção de tabelar ou precificar o mercado artístico. O foco do órgão é analisar os valores pagos em 2025 e avaliar se os reajustes pleiteados para 2026 possuem lastro legal ou se configuram irregularidades administrativas.
Critérios para justificar o aumento de cachês
De acordo com o representante do MP-BA, a legalidade do aumento nos valores cobrados pelos artistas em relação ao ano anterior depende de comprovação técnica de evolução na carreira. “Precisamos de uma comprovação documental de que existiram, nesse período, elementos que atestem o ganho de notoriedade do profissional”, explicou o promotor.

As prefeituras e os empresários devem apresentar justificativas baseadas em indicadores de mercado, tais como:
- Expansão territorial: Artistas que antes realizavam apenas shows locais e passaram a se apresentar em outros estados;
- Volume de contratações: Aumento expressivo no número total de apresentações realizadas ao longo do ano;
- Desempenho digital: Crescimento consolidado e comprovado nos rankings das principais plataformas de streaming de música.
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Impasse e ausência de Flávio José no São João 2026
Del Feliz também utilizou seu espaço para criticar a disparidade entre os valores pagos a artistas do forró tradicional e a atrações de outros gêneros musicais contratadas para o período junino.
“Flávio José receber um cachê de R$ 350 mil é muito mais compreensível do que qualquer outra atração que não tem relação com o São João receber R$ 1 milhão”, criticou.

O ícone do forró Flávio José não integrará a programação oficial do São João da Bahia em 2026. A decisão ocorreu após uma reunião entre a equipe do cantor e o MP-BA, realizada no dia 8 de junho com o objetivo de mediar o valor do contrato, que terminou sem consenso entre as partes.
Sobre a ausência do sanfoneiro e de outros músicos no calendário festivo, Pablo Almeida esclareceu que o Ministério Público não impôs proibições ou vetos judiciais.
“Esses artistas cancelaram seus eventos voluntariamente. Nós respeitamos essa decisão, mas entendemos que, no âmbito da administração pública, precisamos de processos que comprovem os fatos, e estávamos cobrando apenas isso”, concluiu o promotor.
Painel registra redução de gastos públicos em 2026
Apesar das discussões, o Ministério Público apresentou um balanço financeiro positivo sobre o cumprimento do Painel de Transparência pelas gestões municipais:
- Adesão de municípios: 410 cidades enviaram os dados contratuais. Dos 7 municípios restantes, parte já notificou formalmente que não realizará eventos públicos este ano.
- Orçamento consolidado (2026): Cerca de R$ 600 milhões empenhados até o momento em todo o estado da Bahia;
- Comparativo com 2025: O valor atual é significativamente inferior ao registrado em 2025, que acumulou R$ 701 milhões — montante que, corrigido pela inflação para valores atuais, equivaleria a R$ 730 milhões.


