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AGOSTO BRANCO

Câncer de pulmão pode ter até 95% de cura; conheça sinais de alerta

A campanha Agosto Branco visa esclarecer a população sobre os sintomas, prognóstico e tratamento

Luiza Nascimento
Por
| Atualizada em
Câncer de pulmão
Câncer de pulmão - Foto: Freepik

Uma das principais causas de mortalidade no Brasil, o câncer de pulmão tem 35.380 mil novos casos estimados por ano no triênio 2026–2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Destinada a conscientizar a população sobre a doença, a campanha Agosto Branco (Lei 15.207) visa esclarecer a população sobre os sintomas, prognóstico e tratamento.

Segundo os dados, entre os homens, este é o terceiro tipo mais comum (18.020 casos novos) no Brasil, e entre as mulheres, o quarto (14.540 casos novos). No âmbito mundial, a mortalidade é o primeiro entre os homens e o segundo entre as mulheres.

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No entanto, se for diagnosticado no início, o câncer de pulmão tem cerca de 90% de chance de cura, mas a informação e a conscientização podem reduzir significativamente a incidência dos casos.

O portal A TARDE ouviu especialistas sobre a doença, que explicaram como prevenir e quais sinais mnostram que há algo errado.

Fatores de risco

Amplamente conhecido como um dos principais fatores de risco da doença, o uso de cigarro não é o único vilão. A poluição do ar também pode contribuir negativamente para os dados do órgão.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Dr Paulo Saldiva, professor de patologia da Universidade de São Paulo (USP), estima que a exposição de três horas ao ar no trânsito paulista, equivale a cerca de meio cigarro.

À reportagem, Iuri Santana, oncologista da clínica AMO, explicou que outro fator de risco também vem ganhando mais importância, que é o histórico familiar.

"Com melhor entendimento de mutações genéticas, temos reconhecido síndromes hereditárias de predisposição ao câncer de pulmão", exemplificou.

Além disso, existe um fator de risco que ainda é oculto no Brasil: a exposição ao radônio, um gás nobre radioativo, natural, incolor, inodoro e insípido, formado pela decomposição do urânio e do tório presentes nas rochas e no solo. O gás pode se acumular em locais fechados e sua inalação prolongada aumenta o risco de câncer de pulmão.

"Em países como o Canadá, é muito bem mapeada as areas com maior quantidade de radônio, e há recomendações para redução da exposição a esse agente. No Brasil, não temos isso mapeado, não sabemos qual a real exposição. O que sabe-se é que áreas habitadas no subsolo com pouca ventilação (porões), parecem ter um maior acúmulo desse gás", disse o médico.

Sinais merecem atenção

A descoberta precoce, que aumenta as chances de cura, está inteiramente ligada à atenção aos sinais. Desta forma, alguns sintomas merecem um foco a mais.

São eles:

  • Tosse ou rouquidão persistente (>4 semanas);
  • presença de sangue na secreção da tosse;
  • perda de peso não intencional;
  • dor torácica.

"Câncer de pulmão tem cura se diagnosticado precoce. Se detectado em estágio I, a chance de cura é acima de 95% só com cirurgia", destacou Iuri.

Para além dos sintomas, há um grupo de risco merece atenção e realizar o rastreamento sempre que possível:

  • Pacientes entre 50 e 80 anos;
  • tabagistas ativos;
  • ex-tabagistas com carga tabagica maior ou igual a 20 anos-maço.

Tratamentos disponíveis

Duas grandes revoluções mudaram a história natural do câncer de pulmão:

  • Terapia-alvo: medicações direcionadas a alterações genéticas específicas;
  • imunoterapia: medicamentos que estimulam o sistema imune do próprio paciente a combater o tumor.

"Ambas terapias oferecem alta eficacia e baixa taxa de efeitos colaterais quando comparado com quimioterapia", disse o oncologista.

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Como fucionam as cirurgias?

Quando os médicos recebem um paciente com diagnóstico recente de câncer de pulmão, existem várias opções de tratamento. A cirurgia é uma dessas opções, mas primeiro é necessário fazer o estadiamento, ou seja, o processo para descobrir o tamanho do tumor, localização e o quanto ele se espalhou pelo corpo.

Em seguida, é preciso fazer uma avaliação clínica geral do paciente, para saber como é a função cardíaca e respiratória, e entender qual tipo de tratamento o paciente tolera.

Ao portal A TARDE, José Dias, cirurgião torácico do Hospital da Bahia, de maneira geral, a cirurgia é indicada em pacientes que tenham uma boa performance para serem submetidos a uma cirurgia.

"Nos tumores mais avançados, especialmente aqueles que têm metástases à distância, em geral, a gente não indica a cirurgia, salvo algumas exceções. Em geral, a cirurgia é mais indicada para os pacientes que têm tumores iniciais", disse.

A tecnologia também tem avançando no campo cirúrgico, sobretudo ao que diz respeito à cirurgia torácica, através de evoluções importantes de técnicas que têm ajudando os pacientes.

"Mais de 90% das nossas cirurgias são feitas através de técnicas minimamente invasivas, seja por vídeo, seja por técnica robótica. E isso tem um ganho muito grande de recuperação pós-operatória. São incisões pequenas, então o paciente tem menos dor, menos tempo de permanência nas UTIs, menos tempo de permanência no hospital, retorno precoce às atividades cotidianas", explicou José.

Citada pelo cirurgião, a técnica de cirurgia robótica é uma ferramenta fundamental no auxílio do procedimento e, ao contrário do que muita gente pensa, não é o robô que realiza a operação, mas ele funciona como peça fundamental para a execução.

"Tem uma visão em 3D, que melhora muito a visualização do campo cirúrgico. São pinças multiarticuladas, que mimetizam muito o punho humano e os movimentos da nossa mão. Facilita muito tornando os movimentos mais precisos, mais seguros, tem menor taxa de conversão de uma cirurgia que é minimamente invasiva para uma cirurgia aberta, facilitando também a recuperação pós-operatória", pontuou José.

Gerlmente não é necessário remover o pulmão inteiro

A quantidade de tecido pulmonar que será removido em uma cirurgia depende do estadiamento.

"Tumores que são detectados de maneira mais precoce, menores e que estão mais na periferia do pulmão, tumores abaixo de dois centímetros, a gente consegue tirar segmentos pulmonares. Precisamos dar uma margem de segurança para evitar que ocorram recidivas no futuro. De forma bem geral, um segmento pulmonar corresponderia talvez a 5% a 10% do volume do pulmão", explicou.

O pulmão direito tem três lobos e o esquerdo dois. Nos casos de tumores maiores do que 2 cm, a recomendação costuma ser uma lobectomia, que retira um lobo inteiro de um órgão.

"Para isso, a gente precisa fazer uma avaliação pré-operatória. Tem uma série de exames que a gente faz para ver se aquele paciente tolera a retirada daquele lobo", explicou.

Há ainda, no entanto de forma mais rara, casos em que a retirada do órgão inteiro é inevitável. De acordo com o cirurgião, situações do tipo não costumam mais acontecer com frequência, devido à evolução dos tomógrafos, equipamento médico de diagnóstico por imagem que realiza a tomografia computadorizada.

"A gente tem detectado tumores cada vez menores, mais precoces, mas ainda nos deparamos, às vezes, com casos em que o tumor é maior, ou que tem alguma invasão de algum órgão importante, de alguma estrutura mais central e que se precisa tirar o pulmão inteiro", afirmou.

Pós-operatório

O pós-operatório depende de múltiplos fatores, como por exemplo, o tipo de cirurgia, pois quanto menos invasiva, mais rápida tende a ser a recuperação. Outro fator é o estado geral de saúde da pessoa operada.

"Aquele paciente que é saudável, que nunca fumou, que não tem enfisema, que não tem nenhuma outra doença inflamatória, principalmente pulmonar, tem uma tendência a ter uma recuperação mais rápida. Mas, em média, a gente em torno de três ou quatro dias de internação hospitalar", disse.

Na maioria das vezes, o paciente usa um dreno, que monitora a cicatrização pulmonar. Assim que acontece a retirada do dispositivo, a pessoa costuma ser liberada para iniciar o processo de recuperação em casa.

"Às vezes, o paciente tem um pouco de dor, que vai sendo manejado com analgésic. Mas em geral, especialmente se for feito por técnica minimamente invasiva, eu acho que ele consegue voltar às suas atividades habituais, voltar a dirigir, voltar a suas atividades profissionais, a depender da profissão, de 15 dias a 3 semanas mais ou menos", pontuou.

"Não devemos ter medo do câncer de pulmão"

O diagnóstico assusta, no entanto, o cirurgião afirma que, com o avanço da ciência, há grandes chances de cura. Portanto, José Dias garante que não é necessário se apavorar.

"Não devemos ter medo eh do câncer de pulmão. Hoje a medicina evoluiu muito, são muitas alternativas de tratamento que a gente tem, não só no campo cirúrgico, mas também no campo medicamentoso", garantiu.

Existe um conhecimento de biologia molecular avançado, com possibilidade de uso de diversas medicações, com menos efeitos colaterais e maior eficácia.

"A gente vê muitos pacientes sobrevivendo durante muitos anos com o diagnóstico. E a gente não deve ter medo, principalmente do diagnóstico. Eu sei que o nome, às vezes, soa pesado, mas a gente tem que enfrentar", aconselhou.

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agosto branco Câncer câncer de pulmão

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