ZONA PET
Seu pet pode transmitir leishmaniose para você? Entenda
Dia 10 de agosto marca o Dia Nacional de Combate e Controle da Leishmaniose

Uma das doenças mais temidas pelos tutores de pets, principalmente aqueles que cuidam de cães, é a Leishmaniose. Uma doença causada por um parasita que atualmente conta somente com tratamentos que controlam os sintomas e melhoram a qualidade de vida do pet. Vale ressaltar que o dia 10 de agosto é marcado como o Dia Nacional de Combate e Controle da Leishmaniose.
Pensando nisso, no dia em que antecede o Dia Nacional de Combate e Controle da Leishmaniose, dia 10 de agosto, o portal A TARDE responde o seguinte questionamento: “A leishmaniose pode ser transmitida de um cachorro para o ser humano?”
O que é a Leishmaniose?
A leishmaniose é uma doença infecciosa causada por pequenos parasitas do gênero Leishmania. Seu contágio é feito pela picada das fêmeas de insetos infectados, conhecidos como mosquito-palha.

Pets infectados podem passar a doença para seus tutores?
Por mais que os cães sejam um dos animais mais afetados pela doença, eles não transmitem diretamente a leishmaniose para os seres humanos.
Como dito anteriormente, a Leishmaniose é uma doença parasitária, ou seja, ela depende exclusivamente de um animal vetor (aqueles que transmitem a enfermidade), que, neste caso, é majoritariamente a fêmea do mosquito-palha.
Ou seja, o cão infectado serve somente como hospedeiro para o parasita causador da Leishmaniose e não consegue transmitir a doença diretamente.
"A transmissão não ocorre de forma direta do pet para o tutor. No entanto, se o mosquito transmissor estiver muito presente no ambiente onde estão o pet infectado e a pessoa, a transmissão ocorrerá através da picada desse mosquito", explicou a Professora titular do curso de Medicina Veterinária da UFBA, Stella Melo, Stella Barrouin, ao portal A TARDE.

Leia Também:
Pets e humanos: veja a diferença entre as doenças
De acordo com a professora, as principais diferenças entre a Leishmaniose em pets e em humanos consistem em:
- Manifestação clínica: Os pets (cachorros e gatos) apresentam mais alterações e doenças na pele. Já nos humanos, a doença se manifesta de forma mais "não na pele" (no caso da leishmaniose visceral).
- Suscetibilidade em humanos: A leishmaniose visceral em humanos geralmente acomete indivíduos mais suscetíveis, como crianças desnutridas ou pessoas que tomam medicamentos imunossupressores.
- Sintomas em humanos: Em humanos, a doença tem uma progressão insidiosa (não é aguda ou hiperaguda). Os sinais de alerta incluem indisposição e febre no final do dia.
1. Papel de contaminação (Reservatório vs. Hospedeiro)
- Em pets (especialmente cães): O cão atua como o principal reservatório urbano da doença. Devido à alta carga parasitária mantida na pele (mesmo quando assintomático), o cão contamina o mosquito-palha ao ser picado, mantendo o ciclo de transmissão ativo na região.
- Em humanos: O ser humano é considerado um hospedeiro acidental (terminal) no ambiente urbano. A carga parasitária na pele humana é baixa, o que torna muito rara a transmissão do humano de volta para o vetor.
2. Manifestações Clínicas e Sintomas
Em pets
- Sinais dermatológicos: alopecia (perda de pelo ao redor dos olhos e orelhas), descamação, feridas que não cicatrizam e úlceras na pele.
- Onicogrifose: crescimento exagerado e anormal das unhas.
- Sistemas internos: aumento dos linfonodos, perda de peso progressiva, apatia e comprometimento renal grave (insuficiência renal é uma das principais complicações em cães).
Em humanos
- Leishmaniose Visceral (Calazar): Febre contínua e irregular, inchaço acentuado do fígado e do baço, anemia, fraqueza severa e queda nas plaquetas e leucócitos.
- Leishmaniose Tegumentar: feridas indolores na pele com bordas elevadas ("em moldura de quadro") ou lesões nas mucosas (nariz e boca).
3. Tratamento e Cura
- Em pets: O tratamento veterinário promove a cura clínica, reduz os sintomas e a carga parasitária, impedindo a infecção do vetor, mas não atinge a cura parasitológica completa. O animal permanece infectado e precisa de acompanhamento veterinário constante e uso de coleiras repelentes.
- Em humanos: os protocolos de tratamento da rede de saúde pública buscam e atingem a cura clínica e parasitológica por meio de medicamentos leishmanicidas.
Vale ressaltar que, em humanos, se não tratada corretamente, a leishmaniose pode levar o indivíduo a óbito em 90% dos casos, aponta o Ministério da Saúde.

Como se prevenir da Leishmaniose?
A prevenção da Leishmaniose Visceral, que é a mais comum, acontece por meio do combate ao inseto transmissor. Para isso, a principal forma de afastar o vetor da doença é mantendo uma boa higiene ambiental.
Essa limpeza deve ser feita por meio de:
- Limpeza periódica dos quintais, retirada da matéria orgânica em decomposição (folhas, frutos, fezes de animais e outros entulhos que favoreçam a umidade do solo, locais onde os mosquitos se desenvolvem).
- Destino adequado do lixo orgânico, a fim de impedir o desenvolvimento das larvas dos mosquitos.
- Limpeza dos abrigos de animais domésticos, além da manutenção de animais domésticos distantes do domicílio, especialmente durante a noite, a fim de reduzir a atração dos insetos para dentro de casa.
- Uso de inseticida (aplicado nas paredes de domicílios e abrigos de animais). No entanto, a indicação é apenas para as áreas com elevado número de casos, como municípios de transmissão intensa (média de casos humanos dos últimos 3 anos acima de 4,4), moderada (média de casos humanos dos últimos 3 anos acima de 2,4) ou em surto de leishmaniose visceral.
Principais sintomas da Leishmaniose canina
Identificar a leishmaniose canina por meio dos sintomas é uma tarefa desafiadora, já que os sinais que aparecem são graduais e facilmente confundíveis com outras condições.
Por isso, é válido que o tutor fique atento ao seu pet e, em caso de algum comportamento fora do usual, leve-o para um veterinário imediatamente.
No início, o cão pode não demonstrar nenhum sinal claro. Quando os primeiros sintomas surgem, eles tendem a ser:
- Perda de peso progressiva, mesmo com apetite normal;
- Descamação da pele, especialmente no focinho, orelhas e ao redor dos olhos;
- Pelos sem brilho, com aspecto ressecado e opaco;
- Unhas crescendo de forma exagerada e curvada (condição chamada onicogrifose);
- Cansaço fácil e menor disposição para brincar.
À medida que a doença avança, outros sinais começam a ficar mais evidentes e podem indicar que os órgãos internos estão sendo afetados. Com isso, o tutor deve se atentar a:
- Úlceras na pele, especialmente nas juntas, patas e orelhas;
- Inchaço dos gânglios linfáticos (“caroços” perceptíveis no pescoço, axilas ou virilha);
- Olhos com secreção, vermelhidão ou pálpebras inchadas;
- Sangramento espontâneo pelo nariz;
- Dificuldade para caminhar ou dor ao se movimentar;
- Barriga dilatada, causada pelo aumento do baço e do fígado.

Como o diagnóstico é feito?
Vale ressaltar que o diagnóstico da Leishmaniose não depende somente de avaliação clínica e, pelos sintomas serem semelhantes aos de outras doenças, o médico-veterinário solicita exames laboratoriais específicos para confirmar a infecção.
Entenda o tratamento da Leishmaniose canina
O tratamento da leishmaniose canina deve ser prescrito e acompanhado por um médico-veterinário, visto que cada caso possui sua peculiaridade, com o protocolo de tratamento podendo mudar de acordo com o estágio da doença.
No geral, o tratamento inclui uma combinação de medicamentos para inibir a reprodução do parasita no organismo. Vale ressaltar que os medicamentos reduzem a carga do parasita, gerando uma melhora clínica, mas não retirando o parasita completamente do pet.



