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Canetas emagrecedoras começam a chegar ao SUS; veja cidades

Municípios passaram a distribuir medicamentos como semaglutida e tirzepatida

Iarla Queiroz
Por
Municípios passaram a distribuir medicamentos
Municípios passaram a distribuir medicamentos - Foto: CAROLINE MORAIS/MINISTÉRIO DA SAÚDE

Medicamentos usados no tratamento da obesidade, como semaglutida e tirzepatida, começaram a ser oferecidos por municípios brasileiros mesmo antes de uma incorporação oficial ao Sistema Único de Saúde (SUS). A movimentação tem provocado debates sobre custos, prioridades na saúde pública e desigualdade no acesso às novas tecnologias.

O avanço ganhou força após a Prefeitura do Rio de Janeiro investir na compra de semaglutida para distribuição na rede municipal. Além da capital fluminense, cidades como Urupês e Sorocaba, em São Paulo, também já criaram programas com os medicamentos. Outros municípios, como Palmas, Cuiabá e Feira de Santana, além do estado de Santa Catarina, discutem a adoção das chamadas “canetas emagrecedoras”.

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Mercado bilionário impulsiona expansão

A procura pelos medicamentos acontece em meio ao crescimento global desse mercado, estimado em US$ 150 bilhões — cerca de R$ 760 bilhões — até 2030, segundo projeção da Morgan Stanley.

Enquanto algumas cidades passaram a investir nos tratamentos, outras capitais afirmam que seguem apenas as diretrizes do governo federal. São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia, Recife, Porto Velho, Vitória, Rio Branco e Porto Alegre estão entre os municípios que ainda aguardam uma decisão nacional sobre a incorporação dos medicamentos ao SUS.

Especialistas apontam lacuna no combate à obesidade

Para entidades médicas, a iniciativa adotada por parte dos municípios escancara uma ausência de política nacional mais ampla para o tratamento da obesidade, condição que atinge 26% dos adultos brasileiros, segundo dados do Vigitel.

Fabio Trujilho, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), afirma que os medicamentos podem ampliar o acesso ao tratamento, desde que sejam combinados com mudanças no estilo de vida.

“Nada impede que municípios estabeleçam linhas de cuidado mais completas, incluindo medicamentos para o tratamento da obesidade”, declarou.

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Conitec já recomendou não incorporar semaglutida

Apesar do avanço municipal, especialistas alertam que as iniciativas acabam antecipando uma discussão que ainda está em análise no âmbito federal.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por assessorar o Ministério da Saúde sobre novos tratamentos na rede pública, recomendou em agosto de 2025 a não incorporação da semaglutida.

Segundo o órgão, o alto impacto financeiro — estimado em até R$ 7 bilhões em cinco anos — e as incertezas sobre o tempo de uso do medicamento pesaram na decisão.

A comissão também defende que o enfrentamento da obesidade deve priorizar alimentação adequada, atividade física e acompanhamento psicológico.

Em nota, a Conitec afirmou que o processo de avaliação busca garantir acesso aos melhores tratamentos “sempre pautado pela ética e pela responsabilidade com os recursos públicos”.

Municípios defendem autonomia local

Mesmo sem autorização nacional, estados e municípios têm autonomia para implementar políticas públicas próprias utilizando recursos locais.

No Rio de Janeiro, a prefeitura investiu R$ 42,4 milhões na compra da semaglutida. O ex-secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, justificou a medida afirmando que a obesidade “interna e mata muito”, declarou em entrevista a Folha.

Já em Urupês, no interior paulista, cerca de R$ 200 mil foram destinados à compra de tirzepatida. A prefeitura argumenta que o município possui alto índice de sobrepeso na população, estimado em 43%.

Segundo a gestão municipal, a criação do protocolo local representa um “exercício legítimo da competência constitucional de organização da rede local de saúde”.

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