EDUCAÇÃO
Dores menstruais: 37% das alunas deixam de ir à escola por cólica
Os números correspondem quatro em cada 10 estudantes brasileiras


Quatro em cada 10 estudantes dos ensinos fundamental e médio que menstruam, deixam de frequentar as escolas por, em média, duas vezes por mês, devido a dores durante o período. Os números correspondem a 37,1% das alunas, segundo levantamento realizado pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info divulgado nesta semana.
Seis em cada dez entrevistadas relatam ter cólicas moderadas a fortes, que atrapalham a rotina escolar e exigem intervenção através de medicação.
O levantamento foi realuzado em fevereiro com 2.551 estudantes – sendo 770 estudantes que menstruam –, 303 docentes e 181 gestores escolares, das redes pública e privada de ensino de todas as regiões do país.
Dores mais frequentes
O principal sintoma menstrual que costuma interferir na rotina das alunas de irem às aulas é a cólica, mencionado por 57,7% das entrevistadas.
Confira lista de sintomas:
- Cólica (57,7%);
- cansaço e dores no corpo, citado por 30,1% das entrevistadas;
- dores de cabeça (28%);
- dor de barriga, por 20,1%;
- vergonha e medo de vazamento, por 19,3%;
- falta de banheiro ou produtos de higiene, por 8,2%.
O estudo verificou que parte das ausências, quando associada a sintomas menstruais, ainda é tratada como questões individuais, privadas ou inevitáveis.
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Desigualdade racial na menstruação
O estudo aponta ainda que, apesar das meninas negras relatarem menos dores fortes, elas faltam mais às aulas.
Neste recorte racial, as alunas negras perdem até 1,5 vez mais dias de aula (dois a cinco dias por mês) que alunas brancas: 14,5% das alunas negras faltam de dois a cinco dias/mês por motivos menstruais. Entre as alunas brancas, o índice de faltas cai para 9,6%.
Entre as entrevistadas brancas, 37,5% descrevem suas cólicas como fortes. Entre as meninas e adolescentes negras, esse índice é menor (25,9%). Ao mesmo tempo, 16% das meninas negras dizem não sentir cólicas menstruais, contra 8,5% das brancas que informam não sentir dor em intensidade alguma.
Recorte por região
As regiões Norte e Centro-Oeste sofrem mais com a falta de infraestrutura e produtos. Falta de banheiro e de produtos de higiene menstrual aparecem como motivos de ausências nas aulas especialmente no Norte (18,9%) e Centro-Oeste (30,2%).
O estudo considera que o acesso à infraestrutura adequada é condição básica de permanência escolar.


