SAÚDE
Canetas emagrecedoras ilegais: saiba os riscos antes de comprar
Alta busca pela perda de peso impulsiona o mercado clandestino e aumenta os riscos à saúde


O resultado rápido e expressivo das canetas emagrecedoras enche os olhos de quem busca reduzir os números na balança. Mas à medida que esse interesse cresce, a procura por versões vendidas no mercado ilegal também aumenta, provocando complicações graves ou até fatais para a saúde do paciente.
Muitos medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro são falsificados e comercializados clandestinamente em sites, redes sociais ou até em clínicas sem autorização.
Já foram encontradas, em lotes falsificados, substâncias como insulina, responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue, e retatrutida, produto que sequer foi lançado oficialmente e ainda passa pela fase de testes.
Segundo a endocrinologista Mariana Strauch, medicamentos sem procedência não passam pelos controles de qualidade exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e podem conter substâncias diferentes das informadas na embalagem.
"O mercado ilegal propicia riscos sanitários severos e imprevisíveis sobre esses produtos. A ausência de controle de qualidade pode resultar em contaminação, erro de dosagem, impurezas e até perda da eficácia do medicamento", explica a médica.
Quais são os principais riscos das canetas ilegais?
De acordo com a especialista, além dos efeitos colaterais já conhecidos das canetas emagrecedoras originais, os produtos falsificados podem provocar complicações muito mais graves.
Entre elas estão:
- Náuseas e vômitos intensos;
- Gastroparesia (retardo do esvaziamento do estômago);
- Pancreatite aguda;
- Infecções causadas por contaminação bacteriana;
- Lesões no fígado e nos rins;
- Choque hipoglicêmico, convulsões e coma.
A presença de insulina, por exemplo, aumenta significativamente o risco de hipoglicemia grave.
Como identificar uma caneta regularizada?
O primeiro passo é adquirir o medicamento exclusivamente em farmácias autorizadas. Depois, sempre verifique se o produto possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Outros sinais que também ajudam a identificar possíveis falsificações são:
- Confira o número de registro no portal da Anvisa;
- Observe se embalagem e bula estão em português, caso contrário, pode significar falsificação;
- Desconfie dos preços abaixo do mercado;
- Não compre pelas redes sociais, aplicativos de mensagens ou vendedores informais.
Por que o acompanhamento médico é indispensável?
Apesar da eficácia comprovada das canetas emagrecedoras para o tratamento de doenças como a obesidade e o diabetes tipo 2, esses medicamentos não devem ser utilizados por conta própria, em hipótese alguma.
Segundo Mariana, antes do início do tratamento é necessário fazer uma série de exames para avaliar possíveis contraindicações, como histórico de pancreatite, câncer de tireoide e doenças renais, além de ser importante acompanhar a evolução clínica do paciente.
"O tratamento não deve ser feito de forma isolada. É fundamental associar a medicação à alimentação adequada, atividade física e acompanhamento médico para reduzir riscos e garantir resultados seguros", ressalta ela.
Fuja das fórmulas manipuladas
Outro alerta feito pela endocrinologista é sobre os chamados "protocolos injetáveis" e fórmulas manipuladas vendidas, muitas vezes em clínicas de estética ou pela internet.
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Mariana diz que as empresas responsáveis pelos medicamentos originais não fornecem matéria-prima para manipulação. Por isso, esses produtos manipulados são clandestinos e não possuem comprovação de bioequivalência.
Portanto, a recomendação principal da Dra. Strauch e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), junto à Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), é que qualquer tratamento medicamentoso para perda de peso seja iniciado somente após avaliação médica individualizada.


