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Novo tratamento reduz em 60% o risco de retorno do câncer

Dados apresentados na ASCO 2026 mostram redução do risco de recorrência

Isabela Cardoso
Por
Câncer de bexiga
Câncer de bexiga - Foto: Reprodução

O câncer de bexiga continua entre os principais desafios da oncologia mundial. Segundo estimativas internacionais, mais de 614 mil novos casos são diagnosticados todos os anos, tornando a doença o nono tipo de câncer mais comum no planeta.

Em cerca de 30% dos pacientes, o tumor é identificado na forma músculo-invasiva, considerada mais agressiva porque invade a camada muscular da bexiga e apresenta maior risco de disseminação. Nesses casos, o tratamento frequentemente exige a retirada cirúrgica do órgão.

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Mesmo após a cirurgia, aproximadamente metade dos pacientes pode apresentar recorrência da doença, o que torna a busca por terapias mais eficazes uma prioridade para especialistas.

Resultados apresentados na ASCO 2026

Os novos dados foram apresentados durante a ASCO 2026, um dos maiores encontros mundiais da área de oncologia. A Pfizer Brasil destacou resultados de dois estudos de fase 3:

  • KEYNOTE-905/EV-303 - voltado para pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo;
  • EV-302/KEYNOTE-A39 - focado em pacientes com câncer urotelial localmente avançado ou metastático.

Ambos avaliaram a combinação de PADCEV com pembrolizumabe.

Redução de 60% no risco de recorrência

O estudo KEYNOTE-905/EV-303 incluiu pacientes que não podiam receber quimioterapia com cisplatina ou optaram por não utilizá-la.

Nesse grupo, a combinação de enfortumabe vedotina e pembrolizumabe foi administrada antes da cirurgia (tratamento neoadjuvante) e continuada após o procedimento (tratamento adjuvante).

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Os resultados mostraram redução de aproximadamente 60% no risco de recorrência, progressão ou morte e redução de cerca de 50% no risco de morte quando comparados à cirurgia isolada.

Após dois anos, 74,7% dos pacientes tratados com a combinação permaneciam livres de eventos relacionados à doença, enquanto no grupo submetido apenas à cirurgia esse percentual foi de 39,4%.

O estudo também registrou taxa de resposta patológica completa de 57%, contra aproximadamente 9% no tratamento baseado somente na cirurgia.

Além da eficácia, os pesquisadores relataram que o benefício foi alcançado sem impacto clinicamente relevante na qualidade de vida dos participantes.

Sobrevida mais que dobra na doença avançada

Já o estudo EV-302/KEYNOTE-A39 avaliou 886 pacientes com carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático que ainda não haviam recebido tratamento sistêmico.

Com acompanhamento mediano de 42,8 meses, a combinação de enfortumabe vedotina com pembrolizumabe apresentou sobrevida global mediana de 33,6 meses, enquanto os pacientes tratados com quimioterapia baseada em platina tiveram 15,9 meses.

As taxas estimadas de sobrevida em 42 meses foram de 44% no grupo da combinação e 24,6% no grupo da quimioterapia.

Os dados também mostraram taxa de resposta objetiva de 67,5% com a combinação, em comparação com 44,2% com quimioterapia, além de resposta completa em 30,4% dos pacientes, contra 14,5% no tratamento padrão.

Entre os pacientes que alcançaram resposta completa, a taxa estimada de sobrevida em 42 meses ultrapassou 83%, indicando uma resposta profunda e duradoura em parte dos casos.

Especialista destaca impacto dos resultados.

“Os resultados apresentados nos estudos EV-303 e EV-302 reforçam o potencial da combinação de enfortumabe vedotina com pembrolizumabe em diferentes etapas da jornada do câncer urotelial, desde a doença músculo-invasiva até o cenário localmente avançado ou metastático. São dados que ampliam a discussão científica sobre novas possibilidades terapêuticas com potencial de impactar desfechos relevantes para os pacientes”, afirma Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer Brasil.

O que é o câncer urotelial?

O câncer urotelial é o tipo mais comum de câncer de bexiga. Ele se desenvolve nas células que revestem o interior do trato urinário e pode atingir a bexiga, ureteres e parte da uretra.

Os principais fatores de risco incluem tabagismo, exposição ocupacional a substâncias químicas, idade avançada, histórico familiar e inflamações crônicas da bexiga.

Sangue na urina, dor ao urinar e aumento da frequência urinária estão entre os sintomas mais comuns.

Aprovação no Brasil

No Brasil, a combinação de PADCEV com pembrolizumabe já possui aprovação da Anvisa para pacientes adultos com câncer urotelial localmente avançado ou metastático.

O uso perioperatório da combinação em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo inelegíveis à cisplatina também recebeu aprovação recente para essa população.

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Câncer oncologia Saúde

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