VOLUNTÁRIOS
Doença de Crohn: Salvador abre vagas para testes gratuitos
Os resultados podem ampliar as alternativas de tratamentos disponíveis

Por *Madson Souza

Pacientes com Doença de Crohn estão sendo recrutados para participar de pesquisas de novos tratamentos em Salvador. Os estudos, realizados pela CliaGEN, envolvem medicamentos em fases avançadas de teste e podem ampliar as alternativas de tratamentos disponíveis para a enfermidade que não possui cura. Pacientes que não obtiveram resultados nas terapias disponíveis são parte do público ideal da iniciativa.
Esse é o caso da vereadora do município de Cordeiros na Bahia, Letícia Oliveira, 35, que após ver outros funcionarem por determinado tempo e depois falharem recebeu a recomendação de participar das pesquisas de tratamento.
“Meu proctologista disse que não tinha mais como me tratar e me encaminhou para um especialista, que foi quando procurei a CliaGEN. Estava muito debilitada, muito magra, tinha quadros de diarreia de ir ao banheiro aproximadamente 30 vezes por dia”, conta.
Ela relata que o estudo veio como uma esperança para estabilizar a enfermidade. Hoje ela relata não sentir nenhum sinal da doença e segue com a medicação, que aguarda aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para entrar no mercado nacional. Nos Estados Unidos, a droga já é utilizada. A experiência de Letícia – que foi em outra pesquisa da CliaGEN de tratamento para Doença de Crohn – não é garantia de resultado semelhante.
Vale explicar que os medicamentos estudados não estão em estágio inicial, indica a gastroenterologista e investigadora principal desses estudos da CliaGEN, Genoile Oliveira.
“Não é cobaia, é o avanço da ciência. A ciência só avança se tiver voluntários que aceitem participar dos estudos, então os medicamentos são aprovados e vem um controle melhor dessas doenças”, argumenta a pesquisadora.
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A pesquisa com novos medicamentos tem várias fases, que vão desde o momento pré-clínica, quando a investigação acontece em laboratórios e testes em animais, passando por experiências em indivíduos sadios que não possuem a enfermidade estudada, até exames para avaliar a dose adequada do insumo. Na CliaGEN, os principais estudos são da fase 3, em que já é sabido a dose correta do produto e o objetivo é medir a eficácia e segurança do tratamento. Para isso é feita uma comparação da resposta dos voluntários que utilizam o tratamento e dos quais estão utilizando apenas placebo.
Uma das pesquisas – que está em busca de voluntários – da clínica envolve o teste da eficácia da combinação de dois tratamentos que já são liberados pela Anvisa. Neste momento, são três estudos realizados na clínica para tratamento da Doença de Crohn que necessitam de voluntários.
A Doença de Crohn é uma enfermidade inflamatória da região intestinal que não tem a causa definida, segundo Genoile. Ela apresenta o panorama atual de tratamentos da enfermidade. “Temos um controle bom, inclusive o Sistema Único de Saúde (SUS) fornece medicamentos para esses pacientes, mas não há um controle em 100% dos casos. Conseguimos um controle em metade dos pacientes. Um bom controle é o que a gente chama de remissão, que é a doença não ter inflamação, estar controlada”, afirma a pesquisadora.
Como se voluntariar
O voluntariado é uma alternativa para pacientes que com os tratamentos disponíveis não obtiveram o controle da doença, mas também é uma opção válida para aqueles que ainda não utilizaram a medicação disponível. Genoile explica que o paciente não paga por nenhuma consulta ou exame, voluntários que moram em outra cidade têm o transporte custeado e no caso de necessidade de jejum, o patrocinador da pesquisa paga também pela alimentação.
Para receber mais informações sobre os estudos e descobrir se tem o perfil adequado, o interessado pode entrar em contato através do número: (71) 9 9957-8720. A expectativa é de que o tratamento dure 52 semanas (um ano). O candidato terá todo o quadro clínico avaliado para averiguar se há condição de participar da pesquisa. Genoile indica que é importante o voluntário conversar com seu médico sobre a iniciativa. A partir da aprovação, o voluntário realiza exames, que terão os resultados encaminhados para laboratórios no exterior.
“Analisamos todo o quadro pra ver se o paciente pode ser incluído no estudo. Caso preencha os critérios, ele passa pela etapa de randomização, quando é definido se usará o medicamento ou placebo, informação que a equipe também desconhece. A partir daí começa o tratamento, com acompanhamento do centro de pesquisa 24 horas por dia, acesso à equipe médica e possibilidade de deixar o estudo a qualquer momento”, afirma Genoile.
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