SAÚDE
Empresas passam a pagar canetas emagrecedoras para funcionários
Coorporações ampliam programas de combate à obesidade com custeio de medicamentos


As chamadas canetas emagrecedoras estão ganhando espaço nos programas de saúde corporativa de grandes empresas brasileiras. Companhias como Petrobras, VLI Logística e Mondelez International já adotam ou avaliam iniciativas que incluem o subsídio parcial ou integral desses medicamentos como estratégia para enfrentar o avanço da obesidade entre seus colaboradores.
O movimento acompanha uma preocupação crescente do setor empresarial com os impactos do sobrepeso e da obesidade na qualidade de vida dos trabalhadores, na produtividade e nos custos relacionados à assistência médica e à saúde ocupacional.
Embora ainda esteja em estágio inicial no Brasil, a prática já desperta atenção de operadoras de saúde, empresas de telemedicina e especialistas em gestão de bem-estar corporativo, que observam uma expansão gradual desse tipo de benefício.
Interesse cresce entre empresas
Dados do setor indicam que a adoção dos medicamentos para tratamento da obesidade deixou de ser uma discussão restrita ao ambiente médico e passou a integrar as estratégias de gestão de pessoas.
Segundo levantamento citado pelo jornal Estadão, cerca de um quarto das empresas atendidas pela Teladoc Health, especializada em telemedicina corporativa, já implementou ou estuda programas que incluem medicamentos para controle de peso.
A tendência também é observada pela Slimpass, empresa focada na gestão da obesidade. Atualmente, aproximadamente 10% dos clientes já subsidiam o tratamento medicamentoso, enquanto outros 20% avaliam a possibilidade de adotar a iniciativa.
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Especialistas apontam que a expectativa de redução dos preços dos medicamentos nos próximos anos, impulsionada pelo vencimento de patentes ligadas à semaglutida, pode acelerar a expansão desses programas.
A avaliação é que tratamentos mais acessíveis tendem a ampliar o número de empresas dispostas a investir em ações de combate à obesidade.
Obesidade preocupa empregadores
O interesse corporativo ocorre em meio ao aumento dos índices de excesso de peso no Brasil.
Além dos impactos individuais na saúde, a obesidade está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, problemas articulares e outras condições crônicas que podem gerar afastamentos do trabalho e elevar custos assistenciais.
A Associação Brasileira de Qualidade de Vida identificou um crescimento dos investimentos empresariais em programas voltados à prevenção e ao tratamento da obesidade, refletindo uma mudança de abordagem das organizações em relação à saúde dos funcionários.
VLI investe R$ 200 mil em programa de tratamento
Um dos casos mais avançados é o da VLI, empresa de logística multimodal que possui cerca de 8 mil colaboradores. Durante exames periódicos realizados em 2025, a companhia identificou aproximadamente 2 mil funcionários com algum grau de obesidade.
Após avaliações médicas, 206 trabalhadores foram selecionados para participar de um programa específico de tratamento. Os participantes foram divididos em quatro grupos, e o primeiro deles, formado por 55 pessoas, iniciou o acompanhamento em fevereiro deste ano.
Somente nesta fase inicial, a empresa investiu cerca de R$ 200 mil na compra dos medicamentos, assumindo integralmente os custos do tratamento para os colaboradores escolhidos.
Tratamento vai além dos medicamentos
Apesar da atenção que as canetas emagrecedoras despertam, especialistas destacam que os melhores resultados costumam ser alcançados quando o tratamento é acompanhado por uma equipe multidisciplinar.
Na VLI, o programa inclui suporte de endocrinologistas, médicos do trabalho, nutricionistas, psicólogos e preparadores físicos. A iniciativa faz parte do programa corporativo Bem Cuidar, criado para oferecer assistência ampla à saúde dos trabalhadores.
Segundo a gerente de Saúde da VLI, Aparecida Carvalho, os medicamentos representam uma ferramenta importante no tratamento da obesidade, mas não substituem mudanças no estilo de vida e o acompanhamento profissional.
A proposta é promover não apenas a perda de peso, mas também hábitos mais saudáveis e resultados sustentáveis a longo prazo.
Mercado observa tendência
O avanço das canetas emagrecedoras nos programas corporativos acompanha uma transformação mais ampla no mercado de saúde empresarial.
Nos últimos anos, empresas passaram a investir cada vez mais em iniciativas preventivas, buscando reduzir a incidência de doenças crônicas e melhorar os indicadores de saúde dos funcionários.
Nesse cenário, a obesidade passou a ser vista como uma questão estratégica, especialmente por sua relação com diversas condições médicas que impactam diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores e os custos dos planos de saúde corporativos.
Com a ampliação da oferta de medicamentos e a expectativa de redução dos preços nos próximos anos, especialistas avaliam que programas semelhantes poderão se tornar mais comuns em grandes empresas brasileiras.


