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RISCO DE MORTE

Energético e bebida alcoólica, uma mistura fatal

Especialista alerta que, quando combinados com bebidas alcoólicas, esses estimulantes podem representar um risco grave à saúde

Jair Mendonça Jr
Por Jair Mendonça Jr
A combinação pode ser extremamente perigosa para o coração e para o sistema nervoso
A combinação pode ser extremamente perigosa para o coração e para o sistema nervoso - Foto: Reprodução internet

Prometendo energia rápida para a rotina acelerada, os energéticos se tornaram populares entre jovens e adultos. Recheados de cafeína e outros estimulantes, esses produtos ganharam espaço nas baladas, nas festas e no dia a dia. No entanto, especialistas alertam que, quando combinados com bebidas alcoólicas, esses estimulantes podem representar um risco grave à saúde, especialmente ao sistema cardiovascular e ao sistema nervoso central.

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O cardiologista Otávio Carvalho, especialista em arritmias, explica que essas misturas sobrecarregam o organismo de forma silenciosa. Segundo ele, enquanto o energético estimula artificialmente o corpo e aumenta o estado de alerta, o álcool atua como depressor do sistema nervoso, reduzindo os reflexos, o raciocínio e a percepção. O resultado dessa combinação é uma falsa sensação de sobriedade que pode levar ao consumo exagerado de bebida alcoólica, ultrapassando os próprios limites sem que a pessoa perceba.

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Ainda de acordo com o médico, essa sobrecarga pode desencadear efeitos instantâneos como aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial, arritmias e, em casos mais graves, crises hipertensivas e lesões em órgãos como cérebro, rins e olhos. Otávio destaca que, em pessoas hipertensas, a elevação adicional da pressão pode precipitar quadros mais graves, e que indivíduos com arritmias subclínicas — aquelas que ainda não foram diagnosticadas — podem ter o primeiro episódio sintomático justamente após o consumo dessa combinação.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o limite máximo de 400 miligramas de cafeína por dia, o equivalente a cerca de quatro latas de energético. No entanto, dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas (ABIR) mostram que o consumo anual per capita de energético no Brasil passou de 400 ml para 870 ml entre 2011 e 2021, sinalizando um aumento significativo na ingestão da substância.

O especialista alerta que o consumo isolado de energético já exige moderação, mas, quando somado ao álcool, o risco é potencializado. “O corpo recebe sinais conflitantes: ao mesmo tempo em que tenta acelerar com o energético, está sendo freado pelo álcool. Isso sobrecarrega o sistema cardiovascular e pode levar a reações perigosas”, afirma o especialista.

O cardiologista ainda ressalta a importância de orientação, especialmente para o público jovem, que muitas vezes consome a mistura em situações recreativas sem conhecer os efeitos reais sobre o organismo. Ele ressalta que a informação e a prevenção são as principais ferramentas para evitar complicações sérias decorrentes dessa combinação.

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