Busca interna do iBahia
HOME > SAÚDE
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

SAÚDE

Era do whey: alimentos proteicos funcionam ou só parecem saudáveis?

De sorvete a energético, produtos industrializados apostam em altas doses de proteína para atrair consumidores

Iarla Queiroz

Por Iarla Queiroz

09/04/2026 - 15:07 h | Atualizada em 09/04/2026 - 16:48

Siga o A TARDE no Google

Google icon
Academia
Academia -

Aproteína virou protagonista. Não só nas academias, mas também nos supermercados, aplicativos de delivery e até em redes de fast food.

Hoje, ela aparece onde antes parecia improvável: picolé, miojo, energético, biscoito e até cerveja. A promessa é quase sempre a mesma — mais saciedade, ganho de massa muscular e uma rotina mais “saudável”.

Tudo sobre Saúde em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

Mas será que funciona assim na prática?

Do freezer ao fast food: proteína em tudo

A lista de produtos com proteína adicionada cresce em ritmo acelerado e revela como a indústria tem explorado essa tendência.

Tem picolé com 6g de proteína e mais de 160 calorias, feito com uma longa lista de ingredientes que inclui edulcorantes, emulsificantes e aromatizantes. Na mesma lógica, snacks como biscoito de polvilho proteico prometem praticidade com 10g de proteína, enquanto versões mais intensas, como salgadinhos proteicos, chegam a 36g por pacote.

A proteína também entrou de vez no universo das bebidas. Um energético com 15g de proteína e cafeína aposta no discurso de performance, enquanto uma cerveja proteica — com 10g por lata — tenta unir estilo de vida fitness com consumo alcoólico.

Até refeições completas foram reformuladas. Há versões de "miojo" com 20g de proteína, enriquecidas com vitaminas e minerais, além de massas prontas com até 23g por porção, feitas com proteína de ervilha.

No fast food, a estratégia é ainda mais direta: adicionar whey protein ao que já existe. É o caso do milkshake que ganhou cerca de 20g de proteína “sem alterar o sabor original”, ou sanduíches com frango em dobro, que prometem atingir 40g de proteína em versões menores.

A lógica é clara: transformar qualquer produto em “funcional”.

Super mercado
Super mercado | Foto: TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL

O alerta por trás dos rótulos

Em entrevista ao A Tarde, o nutricionista Davi Costa dos Reis faz um alerta direto: proteína não é sinônimo de saúde.

“O fato de conter proteína não torna automaticamente um alimento saudável”, explica. Segundo ele, o consumidor precisa olhar além do destaque nas embalagens. “Muitos desses produtos são ultraprocessados e contêm aditivos como corantes, aromatizantes, adoçantes e conservantes, que podem comprometer a qualidade nutricional.”

Esse ponto aparece claramente na composição de vários desses itens — com listas extensas de ingredientes e presença frequente de substâncias industrializadas.

Leia Também:

Natural x industrializado: uma diferença que pesa

A comparação entre fontes de proteína também é essencial. Segundo o especialista, há uma diferença importante entre consumir proteína em alimentos naturais e em produtos industrializados.

“Alimentos in natura devem ser sempre a base da alimentação, pois oferecem proteína e um conjunto equilibrado de micronutrientes”, afirma. Já os industrializados, mesmo enriquecidos, tendem a ter mais sódio, aditivos e menor densidade nutricional.

Além disso, o corpo responde melhor ao que é menos processado. A digestão e a resposta metabólica tendem a ser mais favoráveis com alimentos minimamente processados.

Quando ajuda e quando atrapalha

Isso não significa que esses produtos precisam ser totalmente descartados. Eles podem ter um papel pontual.

Segundo Davi, esses alimentos “Podem ser úteis em situações específicas, como rotina muito corrida ou necessidade aumentada de ingestão proteica”.

O problema começa quando viram regra. “Podem atrapalhar quando passam a substituir refeições equilibradas ou são consumidos em excesso”, diz o nutricionista. O resultado pode ser aumento calórico, consumo elevado de sódio e maior ingestão de ultraprocessados.

Comida saudável
Comida saudável | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A armadilha da “proteína que compensa tudo”

Outro ponto crítico está na forma como esses produtos são vendidos. A proteína, muitas vezes, funciona como um “selo de saúde” que mascara outros problemas.

“Não compensa. A presença de proteína pode criar uma falsa percepção de saúde e esconder excesso de açúcar, sódio e aditivos”, alerta.

Isso vale, principalmente, para itens como milkshakes proteicos ou lanches de fast food. “A adição de proteína não transforma um alimento em saudável”, reforça. Mesmo com mais proteína, esses produtos continuam sendo, em geral, calóricos e ricos em gordura e sódio.

Academia
Academia | Foto: JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

Estamos consumindo proteína demais?

Com tantas opções disponíveis, surge outra preocupação: o excesso.

A recomendação média gira entre 1,2 e 1,6g de proteína por quilo de peso corporal para a população geral, podendo aumentar em casos específicos, como atletas. Fora disso, não há ganho garantido.

“Acima dessas necessidades, o excesso pode contribuir para aumento calórico total e não necessariamente traz benefícios adicionais”, explica.

Marketing ou mudança real?

No fim, a “era do whey” parece misturar duas coisas: uma demanda real por alimentação prática e uma estratégia clara da indústria.

Para o especialista, o risco está na percepção distorcida. “Esses produtos podem levar a uma falsa sensação de alimentação saudável”, diz.

A recomendação final é direta e vai na contramão da tendência:

“Não existe fórmula mágica. O ideal continua sendo priorizar comida de verdade. Quanto mais natural a alimentação, melhor tende a ser o impacto na saúde.”, finalizou.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Tags:

gastronomia Saúde supermercado

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas

A tarde play
Academia
Play

Jovem tetraplégico mexe os braços após tratamento revolucionário

Academia
Play

Vídeo: centenas de peixes são encontrados mortos no Dique do Tororó

Academia
Play

Catu: moradores denunciam precariedade em posto de saúde improvisado

Academia
Play

Pacientes com doenças crônicas ficam sem passe livre em Feira

x