INOVAÇÃO NA SAÚDE
Jovem tetraplégico mexe os braços após tratamento revolucionário
Rapaz, de 24 anos, mexeu os membros dez dias após receber tratamento

Por Andrêzza Moura

Um jovem tetraplégico, de 24 anos, recuperou os movimentos dos braços dez dias após receber tratamento experimental com polilaminina - molécula reconstituída a partir da proteína laminina -, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O rapaz, que não teve o nome revelado, sofreu uma fratura na vértebra C7 e lesão medular completa na altura da C4 após mergulhar em uma cachoeira, em Santa Leopoldina, Espírito Santo, e perdeu totalmente a sensibilidade e movimentos abaixo do pescoço. No dia 7 de janeiro, ele recebeu uma única injeção da polilaminina, dentro da janela terapêutica de 72 horas, considerada crítica para o sucesso do tratamento.
Dez dias depois, surpreendentemente, o jovem recuperou o movimento dos braços e a sensibilidade até a altura do umbigo. Um vídeo divulgado pelo médico Mitter Mayer, coordenador do Grupo de Trabalho Intersetorial da Polilaminina no Espírito Santo, mostra o paciente realizando movimentos comandados pelos médicos, incluindo força nas mãos, confirmando a recuperação funcional.
A polilamina
A polilaminina é um composto desenvolvido há mais de 20 anos pela equipe da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, na UFRJ, em parceria com o laboratório brasileiro Cristália. A substância é uma versão sintética da laminina, proteína que auxilia na conexão dos neurônios durante o desenvolvimento embrionário e tem potencial para regenerar lesões na medula espinhal.
O jovem é o quinto paciente a se beneficiar do tratamento experimental de uso compassivo. Os casos anteriores incluem Luiz Fernando Mozer, que recuperou sensibilidade e movimento após acidente de motocross, outro paciente que voltou a mexer o pé após queda de moto, Bruno Drummond de Freitas, que conseguiu andar novamente, e Diogo Barros Brollo, que recuperou os movimentos do pé.
Segundo informações dos médicos e pesquisadores, o avanço não é um milagre, mas sim resultado de décadas de pesquisa científica, método e coragem de aplicar a medicina experimental.
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Até 8 de janeiro, 10 pacientes haviam entrado na justiça para garantir acesso ao tratamento, que cria novas perspectivas para a regeneração da medula espinhal e coloca o Brasil em destaque internacional no desenvolvimento de terapias para lesões medulares, oferecendo esperança a milhares de pessoas tetraplégicas e paraplégicas.
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