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Maconha na adolescência: estudo alerta que uso afeta o cérebro

Estudo reuniu informações de mais de 160 mil estudantes do ensino fundamental e médio

Edvaldo Sales
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Estudo reuniu informações de mais de 160 mil estudantes do ensino fundamental e médio
Estudo reuniu informações de mais de 160 mil estudantes do ensino fundamental e médio - Foto: Freepik

Um estudo recente realizado nos Estados Unidos aponta um alerta importante: durante a adolescência, mesmo o consumo esporádico de maconha pode provocar impactos reais no funcionamento do cérebro, com reflexos no bem-estar emocional e no desempenho escolar.

O levantamento foi conduzido pela Universidade de Columbia e reuniu informações de mais de 160 mil estudantes do ensino fundamental e médio. A análise revelou que jovens que usam maconha apenas uma ou duas vezes por mês já demonstram mais dificuldades emocionais e acadêmicas quando comparados àqueles que nunca usaram a substância.

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“Enquanto estudos anteriores se concentraram nos efeitos do uso frequente de cannabis entre adolescentes, nosso estudo descobriu que qualquer quantidade de cannabis consumida pode colocar os jovens em risco de ficarem para trás na escola. E aqueles que usam com mais frequência podem correr maior risco ainda”, disse Ryan Sultán, um dos autores do estudo e professor de psiquiatria da Universidade de Columbia.

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Efeitos na saúde emocional e escolar

Os dados analisados abrangem o período de 2018 a 2022 e incluem adolescentes de 13 a 18 anos. Entre eles, cerca de 26% afirmaram já ter experimentado maconha ao menos uma vez, enquanto 13% relataram uso mensal.

Esses números se refletem em situações comuns no dia a dia: dificuldade para manter o foco, aumento das faltas, piora nas notas e desinteresse por objetivos que antes motivavam o jovem.

“Alguns ‘baseados inofensivos’ podem se transformar em consequências acadêmicas reais”, diz Sultán. “Não é raro vermos adolescentes que usaram maconha poucas vezes começarem a apresentar piora do humor e sinais de desmotivação.”

Pesquisas anteriores já indicavam que o uso de cannabis nessa etapa da vida pode comprometer funções cognitivas importantes. O novo estudo reforça que não é necessário um consumo intenso para que esses prejuízos apareçam.

Segundo os pesquisadores, adolescentes que relataram uso mensal apresentaram índices mais elevados de sintomas associados à depressão, ansiedade e impulsividade. Já entre aqueles que consumiam maconha quase todos os dias, a probabilidade de baixo desempenho escolar foi quase quatro vezes maior, além de maior afastamento das atividades educacionais.

Cérebro em desenvolvimento

Outro ponto destacado pelo estudo é a influência da idade no grau de impacto. Quanto mais cedo ocorre o contato com a cannabis, maiores tendem a ser os riscos. Os efeitos mais acentuados foram observados em participantes com menos de 16 anos.

Isso acontece porque a adolescência é um período crucial para o desenvolvimento cerebral. Nessa fase, o cérebro ainda está formando conexões fundamentais para aprendizado, controle emocional, tomada de decisões e autocontrole.

“O cérebro de um adolescente ainda está em formação. O uso de cannabis, mesmo que ocasional, durante esses momentos críticos pode interferir nesse processo e prejudicar o desenvolvimento normal", explica Tim Becker, coautor do estudo.

O papel dos pais

Especialistas destacam que a melhor abordagem não envolve ameaças ou punições, mas sim diálogo constante, honesto e sem julgamentos. Conversar sobre o tema desde cedo — e de forma recorrente — ajuda o adolescente a compreender os riscos de maneira realista.

“Certifique-se de que eles entendam que ‘substância natural’ não significa ‘seguro’. Os pais também precisam ficar atentos a sinais de alerta, como queda no rendimento escolar, mudanças de humor ou perda de interesse em hobbies — e considerar que a cannabis pode ser um fator", completa Sultán.

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Tags

adolescência Educação maconha

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