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Nem toda distração é TDAH; entenda riscos do autodiagnóstico

Transtorno acomete 5,9% das crianças e adolescentes e 2,5% dos adultos

Luiza Nascimento
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Ilustrativa
Ilustrativa - Foto: Freepik

Distração, procrastinação, impulsividade e dificuldade de concentração são algumas das características presentes em pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). No entanto, todos esses fatores podem estar ligados a hábitos, personalidades e outras condições.

Nas redes sociais, tem se popularizado relatos pessoais e testes compartilhados. Com a sensação de pertencimento causada pelos aplicativos, internautas acabam se identificando com os sintomas e, através de interpretações equivocadas, começam a achar que também possuem o transtorno. É aí que mora o perigo.

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Apesar do acesso à informação facilitar e ampliar a busca por atendimento especializado, o fator também contribui para o autodiagnóstico, o que pode atrair riscos sérios, tanto ligados à saúde quanto a questões sociais.

A discussão ganha força em julho, mês dedicado à conscientização sobre o TDAH. Especialistas ressaltam que o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento com critérios diagnósticos bem estabelecidos, que não pode ser confirmado por testes on-line ou relatos compartilhados na internet.

"O aumento da informação é extremamente positivo porque ajuda a reduzir preconceitos e incentiva muitas pessoas a procurar atendimento. O problema começa quando vídeos curtos, relatos individuais ou testes disponíveis na internet passam a substituir uma avaliação clínica criteriosa", explica Fabricia Signorelli, Psiquiatra do Ambulatório de TDAH no Adulto da Unifesp e Mestre em transtornos do Neurodesenvolvimento.

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O que é TDAH?

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por padrões persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade, isolados ou combinados, capazes de provocar prejuízos acadêmicos, profissionais, sociais e familiares.

Embora seja mais frequentemente identificado na infância, o transtorno pode persistir na vida adulta e acompanhar o indivíduo ao longo de toda a vida.

O transtorno acomete cerca de 5,9% das crianças e adolescentes e aproximadamente 2,5% dos adultos, segundo a pesquisa TikTok and Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: A Cross-Sectional Study of Social Media Content Quality. Canadian Journal of Psychiatry.

Apesar disso, ainda permanece subdiagnosticado em muitos casos e frequentemente é confundido com ansiedade, estresse crônico, burnout,

depressão, privação de sono e alterações de atenção relacionadas ao estilo de vida contemporâneo.

Quais sintomas e como identificar o TDAH?

A intensidade e a combinação de sintomas, que variam de acordo com cada pessoa, passam por:

  • Dificuldade para manter a atenção;
  • esquecimentos frequentes;
  • desorganização;
  • procrastinação;
  • inquietação;
  • impulsividade;
  • dificuldade para concluir tarefas.

Ficar atento aos sintomas é fundamental para buscar ajuda especializada, mas o diagnóstico é essencialmente clínico, feito apenas mediante avaliação.

A avaliação deve ser realizada por médico especialista, levando em consideração a história clínica desde a infância, o impacto funcional dos sintomas em diferentes contextos e a investigação de outras condições que podem apresentar manifestações semelhantes, como ansiedade, depressão, transtornos do sono, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades/superdotação.

"Vivemos um momento importante, em que muitas pessoas finalmente encontram explicações para dificuldades que carregam desde a infância. Isso representa um avanço. Mas o diagnóstico de TDAH não nasce nas redes sociais. Ele é resultado de uma avaliação médica cuidadosa, baseada em critérios científicos", conclui Fabricia Signorelli.

Como tratar?

O tratamento vai além da medicação, deve ser individualizado e pode incluir psicoeducação, psicoterapia, adaptações escolares ou profissionais, estratégias de organização da rotina e medicamentos quando indicados.

O objetivo é reduzir o impacto dos sintomas e melhorar a qualidade de vida, a autonomia e o desempenho funcional do paciente.

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Tags

Conscientização neurodesenvolvimento psiquiatria

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