SAÚDE
Pacientes brasileiros que receberam polilaminina fora de estudo clínico morreram
Tratamento busca estimular regeneração de células nervosas


Sete pessoas que receberam a polilaminina por meio do uso compassivo, fora de um estudo clínico, morreram desde fevereiro deste ano. A informação foi apresentada pela pesquisadora Tatiana Sampaio durante uma palestra na Rio Innovation Week, realizada nesta sexta-feira, 7.
De acordo com o Laboratório Cristália, responsável pela substância, os óbitos não foram provocados pela polilaminina. A empresa afirmou que os pacientes morreram por outros motivos, sem ligação comprovada com o tratamento experimental.
O uso compassivo permite que pacientes tenham acesso a medicamentos ou terapias ainda em fase de pesquisa antes da conclusão dos estudos clínicos, desde que haja autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Substância busca estimular recuperação de lesões na medula
A polilaminina é uma substância produzida a partir de uma proteína encontrada na placenta humana. O objetivo da pesquisa é avaliar se ela pode contribuir para a regeneração de células nervosas afetadas em pessoas que sofreram trauma raquimedular.
A aplicação é feita diretamente no local lesionado da medula, normalmente em uma única dose. Após o procedimento, os pacientes continuam o processo de recuperação com sessões de fisioterapia.
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Apesar da expectativa gerada em torno do tratamento, a eficácia da substância ainda não foi comprovada. Especialistas apontam que a recuperação de pessoas com lesões medulares pode ocorrer por diferentes fatores, já que a evolução do quadro costuma mudar nos primeiros dias após o trauma, especialmente após intervenções como cirurgia e reabilitação.
Em alguns casos, pacientes apresentam melhora espontânea, o que dificulta identificar se os avanços são consequência direta da polilaminina.
Mais de 100 pacientes receberam tratamento experimental
O último paciente que recebeu a substância em uso compassivo teria morrido na quinta-feira (6). Desde fevereiro, quando a polilaminina ganhou repercussão após o relato de um paciente que afirmou ter recuperado movimentos, mais de 100 pessoas receberam a aplicação.
Segundo Tatiana Sampaio, outros 10 pacientes tratados fora do estudo clínico apresentaram evolução no quadro. No entanto, a pesquisadora destacou que ainda não é possível afirmar que a melhora ocorreu por causa da polilaminina.
Os pacientes tiveram avanços relacionados a funções sensoriais ou motoras na região anal, mas não recuperaram a capacidade de voltar a andar.


