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PÓS-CARNAVAL

Ressaca pós-Carnaval: por que o corpo e a mente cobram o preço após a folia?

Cansaço, distúrbios do sono e sintomas gripais são comuns nos dias seguintes ao Carnaval

Andrêzza Moura

Por Andrêzza Moura

23/02/2026 - 9:46 h

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Foliões curtindo o Carnaval de Salvador no Circuito Osmar em 2026
Foliões curtindo o Carnaval de Salvador no Circuito Osmar em 2026 -

O Carnaval é sinônimo de festa, alegria e muita energia, mas a folia podem cobrar um preço alto no corpo e na mente nos dias seguintes. Fadiga intensa, distúrbios do sono, diarreia e sintomas gripais estão entre os problemas relatados por quem participou da folia, resultado do excesso de álcool, noites mal dormidas e alimentação irregular, mesmo para quem se expôs à festa por apenas um ou dois dias.

Priscila Reis Gonzaga, 31 anos, vivenciou esses efeitos rapidamente. “Fui para o Carnaval sexta e sábado, eu e meu esposo. No domingo, fiquei com o corpo mole e sensação de gripe e gripei. De terça para quarta, tive uma diarreia. Estou me recuperando, mas estou sentindo cansaço, muito cansaço. Acho que estou com a imunidade baixa”, relatou a vendedora interna.

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Mesmo com esses sintomas, Priscila optou por cuidados caseiros em vez de buscar atendimento médico. “Estou me cuidando em casa, tomando vitamina C, bebendo bastante água e tomando xarope”, disse ela.

Já Michele Correia, 36, participou da folia por apenas um dia, na segunda-feira, mas também sentiu os reflexos no corpo. “Estou com coriza, muita tosse, dor de cabeça e um pouco de cansaço. Aliviou mais os sintomas porque estou tomando remédio”, contou a dona de casa.

Michele só foi na rua brincar o Carnaval um dia e mesmo assim ficou doente
Michele só foi na rua brincar o Carnaval um dia e mesmo assim ficou doente | Foto: Arquivo pessoal

O médico e professor da Afya Salvador, Yuri Oliveira, explica que as viroses após o período do carnaval possuem sintomas diversos.

"As viroses, após períodos de festas, possuem sintomas bastante inespecíficos, que se confundem, inclusive, com cansaço físico e a desidratação. O tempo de contato do vírus, até o início dos sintomas como dor de cabeça, náuseas, vômitos e febre, pode variar entre 2 a 10 dias, logo, podendo surgir apenas após as festas", explica.

Fatores que atrasam a retomada da rotina

Yuri Oliveira explica que o tempo de recuperação varia conforme o preparo físico, a idade e a intensidade da exposição durante o Carnaval.

"Quanto mais agressões ao corpo, maior será o tempo de recuperação. Imagine a desidratação como uma delas, o esforço físico mais uma, a exposição solar contínua, o consumo de álcool, e cada uma delas aumenta o tempo necessário para se voltar bem à rotina. Importante frisar que não é uma soma, a recuperação poder ter seu tempo multiplicado quando mais danos forem sofridos", alerta o especialista.

"O tratamento é sintomático, com repouso, reposição das perdas hídricas e atenção para os sinais de gravidade, a exemplo de vômitos intensos que impedem alimentação ou uso de medicamentos, febre alta (acima de 39°C), diarreia com sangue, confusão mental, ou até desmaios, que, quando associados ao quadro viral, podem ser mais graves e, nesses casos, o paciente deve buscar atendimento médico", alerta o médico.

Participantes do Carnaval relatam fadiga intensa e sintomas gripais, resultado de excessos durante a folia.

Além dos impactos físicos, a mente também precisa se readaptar à rotina. O psicólogo Jonatas Tourinho observa que a transição abrupta do ritmo festivo para as atividades cotidianas exige reativação de funções cognitivas como planejamento, atenção e regulação emocional.

“Quando essa transição ocorre de forma súbita, aumentam sintomas como ansiedade, irritabilidade, sensação de sobrecarga e dificuldade de concentração”, explica Tourinho.

Carnaval de Salvador em 2026
Carnaval de Salvador em 2026 | Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE

Ele aponta ainda que é preciso compreender o Carnaval como um evento pontual ajuda a não prolongar mentalmente o estado de excitação. Pequenos rituais de transição, como reorganizar sono e retomar atividades gradualmente, favorecem a autorregulação emocional.

"Exercícios físicos, respiração e meditação reduzem a hiperativação do corpo e da mente. Essas estratégias auxiliam a recuperar foco, atenção e disposição para retomar a rotina com equilíbrio", aconselha o psicólogo.

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Reflexos do pós-Carnaval na saúde pública

O impacto da folia também se reflete nas unidades de saúde. Dados da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS) mostraram que, em 2025, as unidades básicas da capital registraram um aumento de 22% nos atendimentos relacionados a fadiga, desidratação e distúrbios do sono, sem contar os casos de gripe nas duas semanas seguintes ao Carnaval.

Esse aumento é associado ao consumo excessivo de álcool, alimentação irregular, baixa ingestão de água, exposição prolongada ao sol e noites mal dormidas.

A reportagem procurou a SMS para obter informações sobre a procura da população nos postos de atendimento após o Carnaval, mas o órgão informou que ainda não há dados consolidados sobre o tema.

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