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Saiba como a saúde bucal pode influenciar doenças cardíacas

Especialistas explicam a relação entre doenças bucais e o aumento do risco de problemas no coração

Andrêzza Moura
Por

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Bactérias presentes na boca podem atingir a corrente sanguínea
Bactérias presentes na boca podem atingir a corrente sanguínea - Foto: Reprodução

Pouca gente associa uma ida ao dentista com a prevenção de doenças cardíacas. Mas, essa relação é mais direta do que parece e pode ser decisiva para reduzir riscos graves, como o infarto. Especialistas alertam que cuidar da boca vai muito além da estética: é também uma forma de proteger o coração.

Dados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) mostram que as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo, atingindo cerca de 14 milhões de brasileiros.

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O cenário se torna ainda mais preocupante diante do aumento dos casos entre jovens e mulheres, segundo dados recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Nesse contexto, um fator frequentemente negligenciado passa a ganhar destaque: a saúde bucal.

Da gengiva ao coração

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023), infecções como a periodontite podem estar associadas a até 45% das doenças cardiovasculares. Isso acontece porque bactérias presentes na boca podem atingir a corrente sanguínea e provocar inflamações nos vasos e comprometer o funcionamento do coração.

“As bactérias presentes na placa subgengival e seus produtos inflamatórios caem na corrente sanguínea através da escovação, mastigação ou procedimentos odontológicos, gerando uma inflamação sistêmica", explica a cardiologista e professora de medicina da Afya Itabuna, Ana Paula Scher.

Ela ressalta ainda que "a periodontite não é um fator de risco como o tabagismo e a hipertensão, mas é um alerta e deve ser investigada e tratada como parte de um controle global de risco cardiovascular”.

Quando a dor aparece, o problema já avançou

Na odontologia, o alerta também é claro: esperar sentir dor pode ser tarde demais. A professora de Odontologia da Afya Salvador, Sandra Castro, chama atenção para o caráter silencioso das doenças bucais.

“Quando dói é porque o problema já está em um estágio evoluído. A cárie, por exemplo, começa sem dor. Com o passar do tempo, ela vai crescendo e quando começa a doer, muitas vezes, é porque o dente já está com uma perda grande de tecido dentário", aponta.

Visita ao dentista deve ser de seis em seis meses
Visita ao dentista deve ser de seis em seis meses | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

"Algumas vezes, o paciente precisa fazer tratamento de canal, que é o tratamento endodôntico. E no terceiro momento, quando está mais severo ainda, pode levar até a perda dental. Já a gengivite, que é a inflamação gengival, quando começa a doer é porque já pode vir a causar ou agravar doenças cardiovasculares”, completa ela.

A experiência de quem viveu na pele

A relação entre boca e coração não é apenas teórica. A professora de Vitória da Conquista, no sudoeste do estado, Lívia Sigliani, 48 anos, descobriu isso após um susto.

“Eu não sabia disso [relação saúde bucal e problemas cardoácos] e fiquei surpresa ao saber. Em 2017, eu tinha 39 anos e infartei. Procurei tratamento com cardiologista e ele explicou que a pessoa que infarta precisa de acompanhamento [dentário] a cada seis meses”, conta.

A professora Lívia Sigliani infartou aos 39 anos
A professora Lívia Sigliani infartou aos 39 anos | Foto: Arquivo pessoal

"Ele falou que uma bactéria da boca, em casos de cárie ou placa bacteriana, pode acabar causando infecção no coração”, lembrou a professora, afirmando que, desde então, não abre mão das visitas ao dentista periodicamente.

Números que acendem o alerta

Dados do DataSUS revelam um aumento expressivo nos casos de infarto em pessoas com menos de 50 anos no Brasil. Em 2020, foram registrados 18.290 casos. Em 2025, esse número saltou para 26.472, um crescimento de cerca de 45%.

Na Bahia, a situação também é preocupante. Informações da Secretaria da Saúde do Estado (SESAB) mostram que, entre 2015 e 2021, mais de 41 mil pessoas morreram por infarto. Em algumas regiões, a taxa de mortalidade chega a 76,5 óbitos por 100 mil habitantes.

Prevenção começa na rotina

  • Escovar os dentes após as refeições
  • Usar fio dental diariamente
  • Visitar o dentista regularmente
  • Manter uma alimentação equilibrada
  • Reduzir o consumo de açúcar
  • Praticar atividades físicas

Leia Também:

Atendimento gratuito em Salvador

Para quem precisa de atendimento, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece serviços odontológicos gratuitos em Salvador.

  • Centro Municipal Odontológico Liberdade (CMOL) - limpeza, restauração, extração - (71) 3611-4015
  • UAO Dique do Tororó (atendimento 24h) - urgências e emergências - (71) 3202-6028.
  • UPA Hélio Machado (Itapuã) - urgência e emergência 24 horas
  • Unidades Básicas de Saúde - tratamentos especializados

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Tags:

Coração doenças cardiovasculares Odontologia prevenção saúde bucal

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