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PAIS E FILHOS

Saiba como proteger as crianças da frustração e ansiedade na Copa

Psicólogo orienta como transformar vitórias e derrotas da Seleção em lições de resiliência

Redação
Por Redação
Entenda por que os pequenos sofrem mais com os jogos e saiba como ajudar
Entenda por que os pequenos sofrem mais com os jogos e saiba como ajudar - Foto: Freepik/Divulgação

A Copa do Mundo transforma a rotina das famílias, mobiliza escolas, enche as ruas de bandeiras e cria um clima de entusiasmo coletivo que envolve diretamente as crianças. Embora a competição desperte alegria e um forte senso de pertencimento, o período também se desenha como uma oportunidade única para ensinar os filhos sobre expectativas, frustrações e amadurecimento emocional.

Segundo o psicólogo Bruno Jardini Mäder, coordenador do curso de Psicologia da Faculdades Pequeno Príncipe — unidade vinculada ao Hospital Pequeno Príncipe —, as crianças vivenciam a expectativa pelos jogos de forma muito diferente dos adultos. Isso ocorre porque elas ainda estão desenvolvendo as habilidades cognitivas e emocionais necessárias para separar o desejo da realidade.

"A criança tem mais dificuldade para modular suas expectativas. E a sua imaturidade cognitiva dificulta conseguir separar um pouco a expectativa da realidade. Ou seja, a expectativa de realização é muito próxima sensorialmente da própria realização", diz
Bruno Jardini Mäder, psicólogo

Essa característica faz com que a espera pelo desempenho da Seleção seja mais difícil para os pequenos. Enquanto os adultos compreendem o longo caminho até uma conquista, para muitas crianças a ideia de ser campeã parece algo imediato, gerando picos de ansiedade até mesmo durante as partidas.

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Por que as crianças criam tantas expectativas?

As expectativas infantis não surgem por acaso; elas são moldadas pelo forte contexto cultural do futebol no Brasil. Ao observar os adultos decorando as casas, vestindo a camisa verde e amarela e organizando reuniões, as crianças absorvem o valor social do momento histórico e passam a compartilhar o mesmo entusiasmo de forma imersiva.

Transformando derrota e vitória em lições de vida

O especialista afirma que tanto o fracasso quanto o sucesso em campo oferecem ricas experiências educativas se mediadas corretamente pelos pais:

  • Na derrota: O fracasso de um time permite conversar sobre outras frustrações cotidianas, como uma nota baixa ou um plano que não deu certo. O papel dos adultos é validar a tristeza e acolher o sentimento, sem permitir comportamentos agressivos ou descontos em terceiros, incentivando a resiliência.
  • Na vitória: Saber ganhar é tão importante quanto saber perder. O momento deve ser usado para ensinar o respeito aos sentimentos alheios, comemorando sem humilhar os adversários ou menosprezar quem torcia para outra seleção.

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O papel dos pais e o checklist de recomendações

As disputas esportivas funcionam como canais civilizatórios para manifestar a competitividade e controlar impulsos de maneira aceita socialmente. Para garantir que a experiência da Copa seja totalmente positiva e saudável, o psicólogo sugere que os pais adotem sete atitudes práticas:

  • Explicar claramente às crianças o significado real da competição;
  • Destacar o esforço, o treino e a dedicação dos atletas;
  • Valorizar o mérito e a qualidade dos adversários;
  • Promover momentos de convivência e união familiar durante as transmissões;
  • Envolver os filhos nos rituais saudáveis do jogo, como decorar a casa;
  • Ensinar o respeito absoluto às diferenças e às torcidas rivais;
  • Aproveitar o momento para apresentar elementos da cultura e da identidade nacional.

Sinais de alerta na frustração infantil

Embora ficar triste com a derrota do Brasil seja normal, os cuidadores devem ficar atentos a reações desproporcionais por longos períodos ou comportamentos desadaptativos que atrapalhem o desenvolvimento social, tais como: recusa em ir à escola, isolamento social ou agressividade excessiva. Se esses sinais persistirem no cotidiano além do futebol, é recomendável buscar apoio profissional.

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copa do mundo crianças Futebol psicologia saúde mental

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