‘MAMILO DO CORREDOR’
Sangramento no mamilo: conheça condição que afeta atletas e tratamento
‘Mamilo corredor’ pode causar sintomas como ardência, vermelhidão, fissuras e até sangramentos


Pouco conhecida do público geral, o ‘mamilo do corredor’ (runner's nipple) é uma irritação ou assadura causada pelo atrito constante entre a pele e a peça de roupa, como camisetas ou tops inadequados, durante atividades físicas, especialmente em corridas de longa distância.
Chamada também de dermatose por fricção, que apesar de comum ainda é pouco discutida, pode causar sintomas como ardência, vermelhidão, fissuras e até sangramentos.
Publicado em 2019, um estudo do Journal of Sports Science and Medicine revelou que menos de 10% dos atletas que experimentam lesões mamárias relatam o problema a treinadores ou profissionais médicos.
Segundo a médica mastologista Larissa Bittencourt, “esse dado sugere que o constrangimento e a normalização do desconforto impedem a discussão aberta sobre o tema”.
“Há necessidade de normalizar conversas sobre saúde mamária para que atletas se sintam encorajados a relatar e, quando necessário, receber tratamento para lesões mamárias”, afirma.
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Mais comum entre homens

A incidência é maior entre os homens devido a fatores anatômicos e de vestuário, já que os mamilos ficam expostos e em contato direto com o tecido da camiseta durante a corrida, resultando em fricção contínua que causa irritação, escoriações e até sangramento.
No caso das mulheres, quando usam sutiãs esportivos adequados, os mamilos ficam protegidos do contato direto com o tecido externo. Elas, no entanto, podem desenvolver irritação mamilar por outros mecanismos relacionados ao exercício, principalmente por fricção causada por tops mal ajustados ou inadequados.
Esse cenário foi observado em um estudo de 2014 publicado no Journal of Sports Sciences. Ao investigar corredoras que participaram da Maratona de Londres de 2012, os pesquisadores constataram que 75% delas enfrentavam problemas relacionados ao sutiã esportivo.
“A prevenção da irritação mamilar baseia-se na redução do atrito e no fortalecimento da barreira cutânea, sendo essencial a aplicação de lubrificantes como vaselina, lanolina ou cremes anti-assadura antes do exercício, com reaplicação em treinos longos”, ressalta Larissa.
De acordo com ela, “como barreira física, homens podem utilizar protetores adesivos ou fitas hipoalergênicas, enquanto mulheres devem optar por sutiãs esportivos de alta compressão e tecidos sem costura”.
O corredor Emerson Santana explica que viveu essa situação em 2025, durante sua primeira corrida de longa distância. “Corri 16 km em cerca de duas horas e só percebi o problema quando cheguei em casa, durante o banho”, relata.
“Já tinha ouvido falar sobre isso, mas nunca imaginei que aconteceria comigo, porque já corria há algum tempo. Foi um episódio isolado que associo à ginecomastia, já que o aumento do tecido mamário pode ter facilitado o atrito. Hoje percorro distâncias maiores e isso não voltou a acontecer”, completa Emerson.
Embora a irritação prevaleça sobre os homens, as mulheres são frequentemente acometidas pelo problema, como descreve a corredora Tássia Café.
“Já concluí várias provas com uma irritação intensa na região dos mamilos, especialmente quando uso um top novo no dia da corrida. É um desconforto que causa muita ardência e acaba impactando bastante durante e após a prova”, explica.
Tratamento
A mastologista Larissa Bittencourt destaca que a prevenção é fundamental, mas, quando a lesão já está instalada, o cuidado adequado faz toda a diferença na recuperação.
Entre corredores, o manejo da assadura mamilar inclui a restauração da pele, a proteção contra novos atritos e a redução do processo inflamatório.
“Alguns produtos se destacam pela eficácia nesses casos, como os curativos de hidrogel, a lanolina, além de emolientes e hidratantes intensivos à base de vaselina, óxido de zinco ou dexpantenol”, explica.
“É importante lembrar que embora a assadura por atrito seja geralmente benigna e autolimitada, alterações cutâneas mamilares podem ocasionalmente indicar condições mais sérias, principalmente se lesões persistentes, e uma consulta médica especializada é fundamental”, finaliza a mastologista.


