SAÚDE
Sarampo perde cobertura e levanta alerta na América Latina
Opas aponta queda na imunização e aumento da vulnerabilidade a surtos


Os programas de vacinação infantil da América Latina e do Caribe voltaram a avançar em 2025 e já se aproximam dos índices registrados antes da pandemia de Covid-19.
O cenário, porém, ainda inspira cautela: a proteção contra o sarampo permanece abaixo do patamar necessário para impedir a circulação do vírus, segundo avaliação da Organização Pan-Americana da Saúde.
As estimativas mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância indicam que o número de crianças menores de um ano sem vacinação caiu de 1,3 milhão para 1,1 milhão no último ano, sinalizando uma retomada gradual das campanhas de imunização.
Sarampo perde cobertura
O principal ponto de atenção está na vacina contra o sarampo. Depois de apresentar melhora em 2024, a cobertura voltou a cair em 2025. A primeira dose passou de 89% para 88%, enquanto a segunda recuou de 79% para 78%.
A Opas lembra que a meta considerada eficaz para prevenir surtos é de 95% da população infantil imunizada.
“A redução da cobertura contra o sarampo deixa as comunidades mais vulneráveis ao surgimento de novos surtos”, destacou a organização em comunicado.
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Desigualdade entre os países
Os números variam bastante dentro da própria região. Enquanto alguns países já ultrapassam 90% de cobertura vacinal, outros permanecem abaixo desse patamar, criando bolsões de população suscetível à doença.
A situação é mais favorável para a vacina que protege contra difteria, tétano e tosse coqueluche. A primeira dose alcançou 92% de cobertura, enquanto a segunda chegou a 86%.
A América Latina também aparece entre as regiões com melhor desempenho na vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV). A cobertura entre adolescentes atingiu 71%, índice considerado elevado em comparação com outras partes do mundo.
Recuperação ainda incompleta
Para a Opas, os dados mostram que a região conseguiu retomar parte do terreno perdido durante a pandemia, mas o desafio agora é garantir que a recuperação alcance todas as vacinas do calendário infantil.
A entidade recomenda que os países reforcem campanhas de busca ativa e ampliem o acesso à imunização para evitar o retorno de doenças que já estavam sob controle.


