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Surto de vírus mortal preocupa após ultrapassar 100 mortes

Autoridades monitoram avanço da doença em dois países africanos

Isabela Cardoso
Por
O surto atual é provocado pela cepa Bundibugyo ebolavirus
O surto atual é provocado pela cepa Bundibugyo ebolavirus -

O avanço do novo surto de ebola na África levou autoridades internacionais de saúde a emitirem um alerta global. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (CDC África) confirmou 395 casos e 106 mortes relacionadas à doença entre a República Democrática do Congo e Uganda.

O cenário é considerado de alto risco devido à fragilidade dos sistemas de saúde locais e à intensa circulação de pessoas entre os países.

Diante da escalada dos casos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, no último sábado, 16, uma “Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional”, mecanismo usado em situações com potencial de disseminação global.

Apesar da classificação, a entidade esclareceu que o episódio ainda não atende aos critérios para ser considerado oficialmente uma pandemia, conforme prevê o Regulamento Sanitário Internacional.

O surto atual é provocado pela cepa Bundibugyo ebolavirus, considerada rara e sem vacina ou tratamento específico disponível até o momento. A doença é altamente letal e pode matar entre 30% e 40% dos infectados, sendo transmitida pelo contato com secreções corporais de pessoas contaminadas.

Casos aumentam e autoridades temem propagação internacional

Na República Democrática do Congo, especialmente na província de Ituri, autoridades registraram oito casos confirmados laboratorialmente, além de 246 casos suspeitos e 80 mortes que seguem sob investigação.

Já em Uganda, dois novos casos foram confirmados em laboratórios na capital Kampala, incluindo uma morte. Segundo autoridades sanitárias, os pacientes não tinham ligação aparente entre si, o que aumentou a preocupação sobre possíveis cadeias ocultas de transmissão.

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Outro fator que elevou o nível de alerta internacional foi a confirmação de casos envolvendo pessoas que haviam viajado recentemente da República Democrática do Congo para Uganda, reforçando o risco de disseminação entre fronteiras.

O diretor-geral do CDC África, Jean Kaseya, afirmou que o cenário exige ação imediata e coordenada.
“A confirmação do vírus ebola Bundibugyo em países interligados nos lembra, mais uma vez, que a segurança sanitária da África é indivisível. Devemos agir cedo, agir em conjunto e agir com base na ciência”, declarou.

Região enfrenta dificuldades para conter avanço da doença

O surto acontece em uma área considerada extremamente complexa pelas autoridades sanitárias internacionais. Além da alta mobilidade populacional entre Congo e Uganda, a região enfrenta insegurança, estrutura hospitalar precária e dificuldade para adoção de medidas de contenção.

O Africa CDC convocou uma reunião emergencial de coordenação com parceiros internacionais, incluindo a OMS e centros de controle de doenças dos Estados Unidos, China e Europa, para discutir estratégias conjuntas de resposta.

Entre as recomendações emitidas pela OMS estão:

  • ativação de centros nacionais de operações de emergência;
  • ampliação da vigilância epidemiológica;
  • fortalecimento do rastreamento de contatos;
  • campanhas de conscientização;
  • envolvimento de líderes religiosos, comunitários e curandeiros locais.

A entidade destacou ainda que muitos óbitos podem estar acontecendo fora dos sistemas oficiais de saúde, o que indica possibilidade de subnotificação.

Sintomas e transmissão do ebola

O ebola costuma provocar febre alta, dores musculares intensas, fraqueza, vômitos, diarreia e hemorragias em casos graves. A transmissão ocorre pelo contato direto com sangue, fluidos corporais e secreções de pessoas infectadas.

Como não há tratamento específico para a cepa atual, os pacientes recebem cuidados de suporte, como hidratação, controle dos sintomas e assistência respiratória.

O novo episódio acontece poucos meses após o fim do último surto registrado na República Democrática do Congo, encerrado no fim de 2025, na província de Kasai. Desde a descoberta do vírus, em 1976, este já é o 16º surto da doença no país africano.

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