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CONSUMISMO?

Só 1 a cada 10 brasileiros tem condições de comprar o Iphone 17 básico

Para a grande maioria dos brasileiros, o acesso a um aparelho como o iPhone 17 é uma realidade distante

Jair Mendonça Jr
Por
| Atualizada em
Consumo vai além da necessidade de um smartphone, se torna um símbolo de status
Consumo vai além da necessidade de um smartphone, se torna um símbolo de status - Foto: Divulgação Apple

O lançamento do novo iPhone é sempre um evento global, e no Brasil não é diferente. Com a chegada da linha 17, a Apple não apenas apresenta uma nova geração de tecnologia, mas também escancara uma realidade socioeconômica complexa do país: a disparidade de renda e o consumismo que move uma parcela restrita da população.

A linha iPhone 17 chegou ao Brasil na última sexta, 19, com quatro modelos, cada um com diferentes configurações e, claro, preços.

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Os valores iniciais, segundo a Apple, começam em R$ 7.999 para o modelo de entrada, o iPhone 17 básico, e podem atingir R$ 18.499 na versão mais completa, o iPhone 17 Pro Max de 2 TB.

Entre os outros modelos, o iPhone 17 Pro parte de R$ 11.499, e a novidade, o iPhone Air, de R$ 10.499.

Contradição da renda e o apelo do consumo

Para a grande maioria dos brasileiros, o acesso a um aparelho como o iPhone 17 é uma realidade distante.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados pelo IBGE, revelam que a renda domiciliar per capita no Brasil em 2024 foi de R$ 2.069.

Isso significa que, em média, a renda de um brasileiro em um mês mal seria suficiente para cobrir um quarto do valor do iPhone 17 mais básico.

A análise se aprofunda quando observamos o cenário das rendas mais altas. A pesquisa do IBGE também aponta que apenas uma parcela ínfima da população, cerca de 10%, detém rendimentos significativamente superiores, recebendo, em média, 13,4 vezes mais que os 40% mais pobres.

Embora o IBGE não divulgue dados específicos sobre o percentual de brasileiros com renda acima de R$ 8 mil mensais, é possível supor que esse grupo se encaixa no topo da pirâmide social, exatamente o público-alvo dos lançamentos da Apple.

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Consumismo

O preço inicial de R$ 7.999 para um celular demonstra que a Apple não tem a intenção de dialogar com a base da pirâmide social brasileira. Pelo contrário, a estratégia da empresa é clara: focar em um nicho de mercado de alto poder aquisitivo, que não apenas pode pagar o preço exorbitante, mas que também é motivado por um forte apelo ao consumismo.

Renda domiciliar per capita no Brasil em 2024 foi de R$ 2.069

O consumo, nesse contexto, vai além da necessidade de um smartphone. Ele se torna um símbolo de status, uma forma de pertencimento a um grupo social seleto.

A jornada de um iPhone 17 no Brasil começa como uma simples notícia de tecnologia, mas rapidamente se transforma em um retrato do país, expondo a grande distância que separa aqueles que podem pagar R$ 18 mil por um celular e a imensa maioria que luta para sobreviver com uma renda que mal cobre as necessidades básicas.

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