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Rival da CazéTV, NSports usa sucesso da Copa para conquistar novas transmissões

CEO da NSports revela a estratégia da plataforma para crescer fora da TV aberta nos próximos anos

Luiz Almeida
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Tiago Leifert e Galvão Bueno são os rostos da Copa do Mundo pelo SBT, parceira da NSports
Tiago Leifert e Galvão Bueno são os rostos da Copa do Mundo pelo SBT, parceira da NSports - Foto: Divulgação

O encerramento da Copa do Mundo de 2026 neste final de semana, com a disputa do terceiro lugar no sábado, 18, e a grande final no domingo, 19, marca não apenas o topo do futebol global, mas também a consolidação de uma nova empresa nas transmissões esportivas no Brasil.

Nascida em 2017 com um modelo focado em produção de conteúdo para a CBF e o Comitê Olímpico, a NSports passou por uma transformação radical nos últimos 12 meses sob o comando do CEO André Barros. A empresa migrou para a cara do público, operando no YouTube, nas TVs conectadas e na TV paga, e colhe agora os frutos de sua parceria com o SBT.

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A resposta do público posicionou a plataforma em um grande espaço no mercado esportivo. “A Copa está sendo extremamente positiva para a gente", celebrou André Barros, em entrevista ao portal A TARDE.

"Os números estão aí mostrando isso. A gente, a NSports, é vice-líder de audiência entre as TVs pagas, perdendo só para a SporTV. O SBT também é vice-líder das TVs abertas. A repercussão tem sido muito boa sobre a qualidade do conteúdo, a qualidade das narrações, sobre o Galvão", afirmou o gestor, lembrando que Galvão Bueno é o principal narrador da Copa pela empresa.

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O sucesso credenciou a marca junto à FIFA para buscar novos direitos internacionais, mas o plano de expansão da empresa também aponta para o fortalecimento do futebol regional, com foco total no Nordeste, incluindo o Campeonato Baiano (Baianão).

Norte e Nordeste no centro da estratégia

Para além dos bilhões da Copa do Mundo, a NSports enxerga nos campeonatos estaduais e regionais um ponto importante para conseguir um engajamento de longo prazo.

De acordo com o executivo, a experiência prévia com o canal Goat e a transmissão da Série B do Campeonato Brasileiro em 2025 deixaram claro o potencial dessas regiões. "O ano passado, fazendo a transmissão da Série B, os jogos do Remo, Paysandu e Sampaio Corrêa, no Norte, eram os jogos mais vistos ali na plataforma", revelou o CEO.

O plano é trazer esse enorme volume de torcedores para dentro do ecossistema da empresa, incluindo o do Desimpedidos e Acelerados, que foram integrados ao grupo após uma recompra no ano passado.

“A gente entende que o Norte e o Nordeste do país têm uma força imensa ali quando se fala de futebol e torcidas bastante apaixonadas e engajadas. Então, faz total parte do nosso planejamento ativar cada vez mais e aproximar desses direitos, tanto de Copa do Nordeste, quanto os campeonatos baiano, pernambucano, cearense... O Nordeste está bastante dentro da nossa estratégia.”

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Enquanto costura os próximos passos para entrar nos estaduais do Nordeste, a NSports já garante entregas locais na atual temporada por meio de acordos de compartilhamento de direitos.

"Hoje a gente tem a parceria com o SBT para a Copa do Mundo e a gente está com a Globo na Copa do Brasil, no Brasileiro Feminino, inclusive vão ter jogos ali do Vitória e do Bahia que a gente vai transmitir. Então a gente está super feliz também de ter o Nordeste do Brasil representado aqui na nossa tela", comemorou Barros.

Nem formato engessado, nem palhaçada

A estratégia de conteúdo da empresa busca ocupar uma lacuna deixada pelos modelos atuais de transmissão. Segundo André Barros, o mercado hoje se divide em duas vertentes principais: o estilo da CazéTV (LiveMode), focado no humor e em total liberdade, e o modelo dos meios tradicionais, como Globo e ESPN, que são mais engessados.

“Tem uma audiência no meio desse tiroteio ali, que talvez não quer esse formato tão engessado de produção de conteúdo de esporte, mas também não quer a brincadeirinha todo o tempo, não quer a palhaçada só. E a gente está olhando esse lado, que é onde acaba sendo um pouco do amadurecimento do conteúdo do Desimpedidos. Você puxa o Desimpedidos um pouco para esse lado e puxa a NSports, que era mais quadradinha, para esse meio", disse.

André Barros, CEO da NSports
André Barros, CEO da NSports - Foto: Divulgação

Essa busca pelo equilíbrio se refletiu na tela durante o Mundial ao unir a experiência histórica de Galvão Bueno com a descontração de Tiago Leifert no pré-jogo, mesclando nostalgia e entretenimento.

O encaixe deu resultado nas redes sociais, onde a parceria entre NSports e Desimpedidos liderou as taxas de engajamento durante a competição, incluindo um vídeo em deepfake no pós-jogo do Japão que ultrapassou 50 milhões de visualizações.

A "dor" com a CazéTV

Um dos fundadores do Desimpedidos em 2013, Barros vendeu a empresa integralmente em 2021. Ao ver a CazéTV explodir e dominar o mercado a partir da Copa de 2022, ele admite o sentimento agridoce.

“Sabe que como pai da criança, como fundador do Desimpedidos, essa é uma das grandes dores. Fico muito feliz, obviamente, porque eu tenho vários amigos que participam da iniciativa da CazéTV, da LiveMode, mas ao mesmo tempo é uma das dores que eu tenho certeza que o Desimpedidos poderia estar ocupando esse lugar", desabafou.

O gestor ainda ressaltou: "Infelizmente, ou felizmente, por questões do destino ali no período que a LiveMode acabou tendo essa oportunidade junto à FIFA em 2022, eu não estava na empresa".

Para ele, a gestão da época não compreendeu o tamanho do universo dos direitos esportivos, que exige "uma combinação de dinheiro e relacionamento".

Após reassumir o controle do negócio no ano passado, o foco mudou. Com contratos que vão do futebol à Fórmula E, e de olho em grandes ciclos que se abrem a partir de 2027, a meta da NSports é seguir no ambiente digital e em multiplataformas fora da TV aberta. "A gente está super bem coberto hoje com o que já tem e com as parcerias que a gente está fazendo", concluiu.

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Tags

análise de mercado copa do mundo esportes NSports transmissão

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