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TURISMO SUSTENTÁVEL E REGENERATIVO

Além das festas: Porto Seguro aposta em nova experiência de turismo na Bahia

Cidade aposta em sustentabilidade, experiências culturais e contato com comunidades locais

Andrêzza Moura
Por

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Praia de Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz Cabralia, em Porto Seguro
Praia de Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz Cabralia, em Porto Seguro -

No extremo sul da Bahia, Porto Seguro, um dos destinos mais tradicionais do turismo brasileiro, inicia uma nova fase ao reposicionar sua imagem com base em práticas de sustentabilidade e turismo regenerativo.

No cenário global em que viajantes buscam experiências mais autênticas e responsáveis, a cidade, conhecida historicamente pelo apelo de sol, praia e festas, passa a investir em iniciativas que vão além da preservação ambiental, promovendo a valorização das comunidades locais, da cultura e dos ecossistemas.

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A estratégia, apresentada pelo secretário de Turismo e Cultura, Guto Jones, reflete uma mudança no perfil do visitante e aponta para um futuro em que viajar também significa contribuir ativamente para os destinos.

Segundo o secretário, o município precisava avançar. “Porto Seguro já é um destino bem consolidado no turismo, principalmente nacional. Mas, precisava se posicionar e apresentar novidades que reforcem o nosso diferencial”, afirmou.

Ele destaca que o destino tem investido em experiências que vão além do tradicional.

“Além dos corredores turísticos revitalizados, nós temos o turismo sustentável e regenerativo, com visitação a parques nacionais, avistamento de aves, observação de baleias, turismo rural e experiências comunitárias”, explicou o secretário.

Da preservação à regeneração

O turismo sustentável, conceito já difundido, propõe reduzir impactos negativos, preservar recursos naturais, respeitar culturas locais e fomentar a economia regional. Já o turismo regenerativo amplia essa lógica.

Em vez de apenas evitar danos, ele busca restaurar ecossistemas, fortalecer comunidades e criar um impacto positivo duradouro. É uma mudança de mentalidade, tanto para gestores quanto para turistas.

Coroa Vermelha, em Porto Seguro
Coroa Vermelha, em Porto Seguro | Foto: Reprodução Redes Sociais

Em Porto Seguro, de acordo com o secretário Guto Jones, isso se traduz em iniciativas concretas. Entre elas, visitas ao Parque Nacional do Pau Brasil e ao Parque Nacional do Monte Pascoal, onde atividades como observação de fauna e flora ganham destaque.

“Quando a gente fala de regenerativo, a gente fala de preservação de aves, de espaços verdes e da valorização da nossa fauna e flora”, pontuou Jones.

Comunidade no centro da experiência

Outro pilar desse novo modelo é o envolvimento direto das comunidades locais. Em conversa exclusiva com o Portal A TARDE, durante a WTM Latin America, em São Paulo, o gestor revelou que regiões como Trancoso, empreendimentos turísticos têm apostado na agricultura comunitária e na produção própria de alimentos.

“Eles envolvem os moradores, consomem os produtos locais e proporcionam ao turista uma experiência totalmente diferente”, destacou.

Exemplos citados por ele incluem o beach club Almar e o espaço Suá, que trabalham com produção própria de alimentos, mel e chocolate, conectando o visitante à origem do que consome.

Para Guto Jones, essa lógica fortalece a economia local e cria uma cadeia mais justa e sustentável.

Povos originários e identidade cultural

O turismo regenerativo em Porto Seguro também passa pela valorização dos povos originários. A região abriga cerca de 29 aldeias indígenas, muitas delas abertas à visitação responsável.

Eventos culturais como o Araguaxã, que reúne povos Pataxó de diversas regiões do país, reforçam essa conexão.

“A nossa principal referência cultural são os povos originários, e essas experiências são únicas para quem visita”, afirma Guto.

Um novo perfil de turista

A transformação também acompanha uma mudança no comportamento do viajante, especialmente no pós-pandemia. “O turista hoje quer experiência, ele quer vivenciar, entender o local, ter contato com a cultura e a natureza”, explicou o secretário.

“Nós qualificamos o nosso público com esses novos produtos. Não é só sol e praia, isso virou consequência”, afirmou.

Ainda conforme ele, o destino tem recebido um público mais diversificado e com maior poder aquisitivo, incluindo visitantes da Europa, América do Norte e América Latina.

Sustentabilidade como exigência global

Para Gabrielle Andrade, coordenadora de ESG da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), o movimento seguindo por Porto Seguro está alinhado com uma demanda internacional crescente.

“A Bahia é um destino ícone do Brasil e o fortalecimento do afroturismo dialoga diretamente com sustentabilidade e inclusão”, apontou a coordenadora.

Ela ressalta ainda que práticas sustentáveis deixaram de ser diferencial e passaram a ser exigência do mercado global.

“É importante continuar buscando esse caminho, porque o mercado internacional cada vez mais exige. E precisamos ter responsabilidade em medir o impacto que estamos causando e ter compromisso com o outro e com o planeta”, concluiu.

O futuro do destino

O secretário Guto Jones revelou que a aposta em turismo regenerativo representa uma virada estratégica construída ao longo dos anos.

"Em 2010, sentimos uma grande necessidade de apresentar outros corredores turísticos, porque o próprio agente de viagem estava receoso em comercializar um destino que consideravam voltado apenas para crianças, adolescentes e festas. Então, nos reunimos e começamos a mostrar novas alternativas dentro do turismo local", relembra.

"Já entre 2020 e 2026, o desafio passou a ser apresentar novas experiências. E, de 2022, 2023 até hoje, estamos focados no turismo regenerativo, que tem como base a preservação", completou o secretário.

Para ele, o foco agora está na diversidade de experiências e na conservação. "Principalmente, porque precisamos conservar toda essa área, mas também porque há um novo olhar para um turista com ticket médio mais elevado, que busca experiências mais qualificadas e sustentáveis.

Porto Seguro, na Bahia
Porto Seguro, na Bahia | Foto: Reprodução Redes Sociais

Com cerca de 90 quilômetros de praias e uma rica combinação de natureza, cultura e história, o destino mostra que é possível evoluir sem perder a essência e, mais do que isso, contribuir ativamente para um futuro mais sustentável.

No novo cenário do turismo global, Porto Seguro não quer apenas ser visitado. Quer ser cuidado, vivido e regenerado.

"Ele [turista] vai para poder curtir uma hospedagem de luxo, um atendimento personalizado e conhecer essas outras culturas, essas outras segmentações e essas experiências que Porto Seguro oferece nos seus 90 quilômetros de praia", finalizou o gestor.

Leia Também:

**A repórter Andrêzza Moura participou da Feira Internacional de viagens e turismo da América Latina, entre os dias 14 e 16 de abril, em São Paulo, a convite da WTM Latin America e assegurada pela Vital Card, empresa de seguro de viagens.

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Tags:

Turismo Turismo Sustentável Turismo sustentável Bahia

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