TURISMO
Do Pantanal ao Atacama: 5 paraísos para quem ama viajar de carro
Do Pantanal ao Atacama, roteiro reúne opções para quem quer trocar o turismo convencional


Viajar de carro pode começar com uma estrada tranquila, uma mochila no porta-malas e vontade de conhecer um lugar diferente. Mas, para quem sonha em transformar o veículo em companheiro de expedição, alguns destinos podem funcionar como uma verdadeira escola.
É essa a experiência de Mauro e Vanessa, casal que já encarou viagens de milhares de quilômetros pelo Brasil e pela América do Sul. A maior delas percorreu 13 mil quilômetros em 23 dias, com destino ao Ushuaia.
Agora, quando a pergunta é por onde alguém que nunca fez uma viagem desse tipo deveria começar, eles não apontam necessariamente para os destinos mais famosos. A lista passa pelo Pantanal, Jalapão, Atacama, Bonito e Terra Ronca. Cada lugar, segundo eles, pode funcionar como uma espécie de etapa antes de encarar viagens mais longas e exigentes.
Pensando nisso, o portal A Tarde, junto com o casal, montou uma lista com cinco destinos que podem ser o ponto de partida para quem quer trocar o turismo tradicional por aventuras sobre quatro rodas.
Antes de Ushuaia, comece por uma estrada mais tranquila
Se a vontade é colocar o carro na estrada pela primeira vez, Mauro sugere começar pelo Pantanal Norte, pela Transpantaneira.
A rota é considerada por ele uma opção tranquila para quem ainda está se acostumando com esse tipo de viagem. E tem uma vantagem: em vez de começar encarando grandes distâncias ou terrenos extremos, o viajante pode se concentrar na própria experiência de dirigir e, ao mesmo tempo, ficar em contato direto com a natureza.
A Transpantaneira fica na região de Poconé, em Mato Grosso, e é conhecida pela presença de animais como jacarés, capivaras e diversas espécies de aves. O período entre maio e setembro costuma ser mais favorável para observar a fauna.
Para Mauro, é justamente esse equilíbrio que faz da região uma boa porta de entrada para quem ainda está descobrindo o prazer de viajar de carro.

Jalapão: o destino para aprender na prática
Depois de uma rota mais tranquila, vem um lugar que já coloca o motorista diante de situações diferentes.
O Jalapão, no Tocantins, aparece na lista porque não entrega apenas paisagem bonita. Ele também ensina.
“Você pode achar confusão, mas é bom pra treinar a pessoa”, explicou Mauro durante entrevista ao A Tarde.
A região reúne trechos de terra e areia e, dependendo do roteiro, exige mais atenção do motorista e preparo do veículo. Para quem está começando no universo das viagens de aventura, é uma oportunidade de entender, na prática, como o carro se comporta fora do asfalto.
Entre os pontos conhecidos estão as dunas, os fervedouros, a Pedra Furada, a Cachoeira do Formiga e a Serra do Espírito Santo. A maior parte dos deslocamentos na região é feita por estradas não pavimentadas, e o uso de veículos com tração adequada é importante em diversos trechos.
E é justamente o “perrengue” que faz parte da experiência para o casal. Na visão deles, enfrentar essas situações em uma viagem planejada ajuda o motorista a ganhar confiança antes de partir para expedições maiores.

Atacama pode ser mais fácil do que parece
Quando se pensa em uma viagem de carro até o Deserto do Atacama, no Chile, a primeira impressão pode ser de que o destino exige um veículo preparado para grandes desafios.
Mauro discorda. “Atacama é fácil”, afirmou durante a entrevista.
Segundo ele, não é necessário ter um carro 4x4 para chegar ao destino. Há caminhos asfaltados e também trechos de rípio — um tipo de estrada de cascalho muito comum na região. Para quem já está acostumado a viajar por terra, a opção acaba sendo a preferida do casal.
A base mais conhecida para explorar o deserto é San Pedro de Atacama, de onde partem passeios para lugares como o Vale da Lua, Vale da Morte, Salar de Atacama, Lagunas Altiplânicas e Piedras Rojas.
Para Vanessa, o destino ainda tem um significado diferente dos demais: foi sua primeira viagem internacional e uma experiência marcante ao lado do enteado, João Vítor. Por isso, entre todos os lugares visitados, o Atacama aparece como o seu preferido.

Bonito é para quem quer aventura sem abrir mão da estrutura
Nem toda viagem de carro precisa começar em um destino de estrada difícil.
Bonito, em Mato Grosso do Sul, entra justamente pelo caminho contrário.
O município tem uma estrutura turística consolidada e oferece uma combinação interessante para quem quer experimentar uma viagem independente sem precisar começar enfrentando grandes desafios fora de estrada.
Entre os atrativos estão a Gruta do Lago Azul, os rios de águas cristalinas e experiências de flutuação. A região também abriga o Abismo Anhumas, uma enorme cavidade subterrânea acessada por rapel.
É uma alternativa para quem quer entender como funciona uma viagem de carro — planejamento, deslocamento, hospedagem e organização dos passeios — antes de avançar para roteiros mais isolados.

Terra Ronca é a surpresa da lista
A quinta indicação talvez seja justamente a que mais combina com o perfil do casal.
Terra Ronca, em Goiás, não é o destino que aparece primeiro quando se pensa em uma viagem de carro pelo Brasil. E foi exatamente isso que chamou a atenção de Mauro e Vanessa.
Eles conheceram a região quase por acaso, durante o retorno de outra viagem, e ficaram impressionados com as cavernas e com a paisagem.
“Muito legal, pouco conhecido e um lugar fantástico”, contou Mauro.
O Parque Estadual de Terra Ronca reúne um dos maiores conjuntos de cavernas do país. Entre as principais estão Terra Ronca I e II, Angélica e São Bernardo. Algumas entradas impressionam pelas dimensões — Mauro chegou a destacar uma caverna cuja boca tem cerca de 100 metros de altura.
Para quem sai de Salvador, a viagem também já representa uma experiência de estrada mais longa, durando cerca de 1.200 quilômetros até São Domingos, em Goiás, além de aproximadamente 40 quilômetros de estrada de terra até São João Evangelista.
A região é preservada e o acompanhamento de guia é recomendado, principalmente para quem ainda não conhece o ambiente de cavernas.

E Ushuaia? Melhor deixar para depois
A escolha dos cinco destinos não significa que viagens mais longas estejam fora dos planos.
Pelo contrário.
Mauro e Vanessa já chegaram a rodar 13 mil quilômetros em 23 dias até Ushuaia. Também fizeram uma viagem de cerca de 9 mil quilômetros pela Argentina em 18 dias. Mas, para quem está começando, a cidade mais ao sul do mundo não aparece entre as primeiras opções.
O motivo é simples: distância.
Segundo Mauro, em viagens longas a média ideal fica entre 600 e 700 quilômetros por dia. Em alguns deslocamentos, porém, é preciso passar disso. Na viagem para Ushuaia, por exemplo, eles chegaram a fazer um trecho de 1.000 quilômetros entre São Paulo e Porto Alegre.
“Pra quem tá começando, você dirigir quase 800 km, 900 km no dia, a puxada é pesada”, explicou Vanessa.
Por isso, a recomendação é ganhar experiência aos poucos. Primeiro vêm as viagens menores. Depois, os terrenos diferentes. Só então entram os grandes deslocamentos.

O que não pode faltar dentro do carro
A preparação também muda conforme o tipo de viagem. Mas alguns itens, para o casal, fazem parte da lista básica de quem pretende pegar a estrada.
Entre eles estão:
- caixa de ferramentas;
- cintas de reboque;
- rádio comunicador;
- geladeira automotiva;
- saco de dormir;
- mapa ou GPS;
- guincho;
- snorkel;
- pneu adequado ao terreno;
- água e comida;
- repelente;
- protetor;
- capa de chuva;
- compressor de ar;
- prancha de desatolamento;
- pá;
- carregadores.
Mauro também destaca a importância de saber calibrar os pneus de acordo com o terreno. No asfalto, ele costuma trabalhar com 35 PSI; no areião, reduz para algo entre 12 e 14 PSI; na neve, já chegou a utilizar 9 PSI.
A calibragem, porém, precisa considerar o veículo, o pneu e as condições do terreno. E, depois de sair da areia ou da neve, é necessário usar o compressor para devolver a pressão adequada ao pneu.
Qual carro é ideal para uma expedição?
A resposta de Mauro é menos óbvia do que parece: não existe um único carro perfeito.
O casal já viajou com modelos diferentes e atualmente utiliza uma Nissan Frontier. Entre os amigos, há Toyota SW4 e Suzuki Jimny.
O próprio Jimny, inclusive, ganhou destaque na experiência deles. Pequeno e leve, o modelo surpreendeu o grupo em terrenos como neve e areia.
A avaliação faz sentido também fora da experiência do casal. Testes especializados da Quatro Rodas já colocaram modelos como Nissan Frontier, Toyota Hilux, Ford Ranger, Chevrolet S10 e Mitsubishi L200 em comparativos de uso misto, incluindo capacidade fora de estrada.
O Suzuki Jimny também tem uma longa tradição no segmento off-road e é conhecido pelo tamanho compacto e pela capacidade de enfrentar trilhas.
Mas, para Mauro, o mais importante é não transformar a preparação do carro em uma desculpa para nunca sair.
Não tem um 4x4? Evita alguns caminhos, mas vai viajar de carro! Afirmou Mauro
A ideia é começar com o que se tem e, conforme as viagens aumentam, entender quais equipamentos realmente fazem sentido para o próprio perfil.

E, para Mauro, existe uma razão ainda maior para não deixar os planos para depois: algumas viagens se transformam em memórias que ficam para sempre.
Não deixa pra amanhã. Tá com vontade de conhecer, vai conhecer logo, porque amanhã a gente não sabe Declarou Mauro, enquanto lembrava das viagens.














