Busca interna do iBahia
HOME > VERÃO
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

É SOM NA CASA

Cortejo Afro, Almério e Joana Terra abrem projeto inédito na Casa Rosa

Pátio Viração recebe ‘Juntos na Casa’ com explosão percussiva

Manoela Santos*

Por Manoela Santos*

20/01/2026 - 8:07 h
Cortejo Afro recebe Almério e Joana Terra no Rio Vermelho
Cortejo Afro recebe Almério e Joana Terra no Rio Vermelho -

Nesta sexta-feira, 23, o Pátio Viração da Casa Rosa recebe a primeira edição do projeto Juntos na Casa | Encontros CCBB na Casa Rosa. A estreia reúne Cortejo Afro, Almério e Joana Terra, em uma noite dedicada ao encontro entre diferentes trajetórias da música brasileira.

Segundo a curadora artística da Casa Rosa, Rose Lima, o Juntos na Casa foi pensado como um encontro entre trajetórias e modos de fazer música que, em diálogo, iluminam a potência criativa da Bahia em relação ao Brasil. “Curar esse projeto é pensar caminhos possíveis entre artistas que, mesmo vindos de lugares diferentes, partilham afinidades estéticas e um desejo de troca. É um gesto de continuidade do que acreditamos para uma cidade como Salvador, que se reconhece na sua própria diversidade”, diz Rose.

Tudo sobre Verão em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

Menino que velho respeita

A abertura da noite fica por conta do Cortejo Afro, grupo que há mais de três décadas constrói uma sonoridade própria a partir da fusão de ritmos africanos, percussão afro-baiana e elementos eletrônicos e pop, um movimento que o próprio coletivo define como uma “revolução musical afro-baiana”. Parte fundamental do Bloco Cortejo Afro, idealizado pelo artista plástico Alberto Pitta, o grupo é reconhecido pela força rítmica, pelas performances vibrantes e pela estética marcante, que alia tradição e contemporaneidade.

Para Portella Açúcar, integrante do Cortejo Afro, o compromisso do grupo é entregar música de qualidade com elegância e sofisticação, mesmo sendo um dos blocos afros mais jovens de Salvador. “Existe um cuidado estético, musical e conceitual muito forte no que a gente faz. Isso faz parte da nossa identidade”, afirma.

Já o artista Aloísio Menezes, também integrante do bloco, recorre à mitologia dos orixás para definir a trajetória do Cortejo. “Eu sempre digo que o Cortejo Afro é como Logun Edé. É um menino que todo velho respeita. A gente tem o respeito do Ilê Aiyê, do Muzenza, do Malê. Somos o queridinho deles. Esse é o nosso lugar”, diz.

A relação com a Casa Rosa, segundo os integrantes, vem de longa data e se conecta diretamente à proposta estética do grupo. “A Casa Rosa se une ao Cortejo Afro em frente ao mar, com as histórias contadas nos tecidos de Alberto Pitta. E a gente está lá com essa finalidade: juntar toda essa cultura nossa”, explicam.

A pluralidade sonora também é um ponto central da identidade do Cortejo. “Nossa sonoridade não é uma coisa só. A gente canta o afro, o pop, mistura linguagens. É uma linguagem contemporânea, moderna, que transita entre segmentos culturais”, destacam. “O pano, a música, a estética, tudo se mistura e combina com esse encontro que acontece na Casa Rosa”, afirma Portela.

O grupo celebra ainda a presença de Joana Terra e Almério na mesma noite. Para os integrantes, o encontro reforça valores fundamentais do Cortejo Afro. “Receber amigos é parte da nossa forma de existir. Esse acolhimento, essa ancestralidade, essa troca. Tudo isso está presente quando a gente se encontra no palco”, conclui Aloísio.

Leia Também:

Potência da mistura

Na sequência, sobe ao palco Almério, cantor e compositor pernambucano, natural de Altinho (PE), dono de uma voz intensa e interpretações marcantes. Ao longo de sua trajetória, o artista construiu uma linguagem própria ao misturar rock, pop, brega e reggae em canções que atravessam temas como amor, saudade, tempo, espiritualidade e Carnaval, dimensão festiva que o aproxima do encontro com o Cortejo Afro.

Considerado um dos nomes mais expressivos da nova geração da música brasileira, Almério já percorreu palcos e festivais pelo país e soma colaborações com artistas como Elba Ramalho, Ney Matogrosso e Martins.

Para o cantor, a apresentação na Casa Rosa carrega um sentido especial de liberdade criativa e troca com o público. “Minha base vem da MPB, e a MPB me dá essa elasticidade de cantar o que me emociona. A Casa Rosa também me oferece essa liberdade de me expressar do jeito que eu gosto e me entendo”, afirma.

“Tenho certeza de que vai ser uma noite linda, de comunhão. Gosto de chamar esses encontros de ‘jardim sonoro’. Ainda mais ao lado de Joana Terra e do Cortejo Afro, que têm essa massa sonora, essa identidade tão forte. Quando junta tudo isso, vira um jardim muito bonito”, diz.

Almério também celebra o caráter festivo do encontro. “Vai ser uma alegria, um festejo, uma festança dividir o palco com Joana Terra, que é minha amiga, cantora, compositora e parceira, e com o Cortejo Afro, essa explosão de amor e criatividade”, diz. “Tenho certeza de que nossos códigos e nossa arte vão contagiar o público”, acrescenta.

O artista destaca ainda a relação afetiva com Salvador e com a música baiana. “Me apresentar em Salvador sempre será muito importante. Minha música sofre influência de muitos artistas baianos. É uma música que eu amo e respeito. É um santuário que eu respeito demais”, completa. “Com certeza, o público vai se divertir e se emocionar”, afirma

Movimentos coletivos

A noite também ganha brilho com a participação de Joana Terra, cantora, compositora e violonista nascida em Barra da Estiva, na Chapada Diamantina. Com uma obra marcada pela sensibilidade poética e por um olhar feminino sobre o amor, os afetos e os processos de transformação da vida, a artista constrói um trabalho que articula música, poesia e identidade.

Seu álbum de estreia, Vermelha, venceu o Prêmio Grão de Música com a canção Lugar do Amor. Já o trabalho mais recente, Feito Raio, celebra a parceria com Almério, com quem divide também uma trajetória de afinidades artísticas. Suas composições já foram gravadas por nomes como Simone, Mateus Aleluia Filho, Gabi da Pele Preta e Zé Manoel.

Mesmo em carreira solo, Joana destaca a força das experiências coletivas em sua formação. “Sou uma artista que, embora esteja em carreira solo, tem sua formação em movimentos coletivos. Fiz parte de uma banda de samba formada apenas por mulheres, o Samba das Moças, quando morei em Salvador e estudava música na Escola de Música da UFBA”, conta.

Ela também integrou a formação do bloco Dhja8 e mantém vínculos com diferentes articulações culturais por onde passa, como a mostra Reverbo, em Pernambuco, iniciada no período em que viveu no estado.

Para a artista, o projeto Juntos na Casa dialoga diretamente com seus princípios criativos. “Unir artistas de diferentes linguagens e regiões contempla tudo o que acredito e que trago nos meus pensamentos e canções”, afirma.

Joana celebra ainda o encontro com os demais nomes da noite. “Estou ainda mais feliz de dividir essa noite com meu amigo amado Almério e com o Cortejo Afro. Almério é um irmão, temos uma troca bonita, muitas histórias e canções em parceria. Estar com ele é sempre um presente, no palco e na vida”, diz.

Sobre o Cortejo, ela completa: “É aquele deslumbramento no coração da gente. Não tem como passar ileso à força desses tambores e dessa história. Sou fã da música e do que representa social e politicamente”. Para ela, dividir esse encontro com o público da Casa Rosa torna a experiência ainda mais especial. “Sempre fui recebida com amor nesse palco. Feliz de voltar em uma noite tão especial”.

Novos encontros

Juntos na Casa — Encontros CCBB na Casa Rosa é projeto que reafirma o espaço como um dos polos mais consistentes e dinâmicos da cena cultural de Salvador.

A iniciativa celebra a força da música brasileira por meio de três encontros musicais. Além do dia 23, estão previstos shows para os dias 30 de janeiro e 6 de fevereiro, sempre com artistas da Bahia ao lado de convidados de outros estados brasileiros.

Com curadoria voltada à diversidade e ao intercâmbio cultural, cada noite apresenta um formato que reúne um artista baiano em ascensão e um artista de projeção nacional, oriundo de outra região do país. A combinação cria um ambiente de diálogo entre diferentes cenas, territórios e estéticas, reforçando a arte como campo de troca e expansão.

Juntos na Casa: Almério, Cortejo Afro e Joana Terra / Sexta-feira (23), 22h / Casa Rosa (Praça Colombo, 106, Rio Vermelho) / R$ 30, R$ 15 ou R$ 20 (clientes com Cartões BB) / Vendas: Sympla ou site bb.com.br/cultura / Classificação indicativa: 18 anos

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Tags:

Almério Casa Rosa Cortejo Afro Joana Terra

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas

A tarde play
Cortejo Afro recebe Almério e Joana Terra no Rio Vermelho
Play

VÍDEO: Ivete diz como conheceu Margareth Menezes: "Tesão nela"

Cortejo Afro recebe Almério e Joana Terra no Rio Vermelho
Play

Já é Carnaval? Timbalada leva multidão para o Farol da Barra

Cortejo Afro recebe Almério e Joana Terra no Rio Vermelho
Play

Carla Perez é flagrada disfarçada em show de pagodão de Saulo; veja

Cortejo Afro recebe Almério e Joana Terra no Rio Vermelho
Play

Filho de traficante, Oruam se revolta após cancelar show no Carnaval de Salvador

x