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OSBREGA volta à Concha e transforma o “brega” em sinfonia de amor e pertencimento

Evento abre o verão da OSBA na Concha

Grazy Kaimbé*

Por Grazy Kaimbé*

01/01/2026 - 6:01 h
OSBREGA prova que o amor também é sinfônico
OSBREGA prova que o amor também é sinfônico -

A Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) apresenta a terceira edição do OSBREGA – Concerto do Amor, na sexta-feira, dia 9 de janeiro, às 19h, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. O concerto traz releituras sinfônicas de clássicos da música romântica popular brasileira, e a apresentação reúne as cantoras Juliana Linhares e Raquel Paulin (soprano) e o cantor Guigga.

O projeto se afirma como um espaço de debate simbólico sobre gosto, classe social e pertencimento, questões que atravessam o repertório rotulado, muitas vezes de forma pejorativa, como “brega”. Sob regência do maestro Carlos Prazeres, a edição também marca a consolidação do OSBREGA dentro da programação da própria orquestra.

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“Agora, na terceira edição, a gente já pode dizer que o OSBREGA é um concerto calendarizado. A ideia é sempre iniciar janeiro, o verão da OSBA, com o OSBREGA. É um concerto que veio para ficar, muito amado pelo público baiano e que já faz parte do repertório da Orquestra Sinfônica da Bahia”, afirma Prazeres.

A origem do projeto está diretamente ligada a uma reflexão crítica sobre o termo “brega” e suas implicações sociais. O maestro conta que ao assistir ao documentário Vou Rifar Meu Coração (2012, disponível no YouTube), da cineasta Ana Rieper, ele passou a questionar as fronteiras simbólicas que separam repertórios populares e consagrados. “Fica claro que ‘brega’ é um termo carregado de preconceito social. No Brasil, uma mesma música pode ser vista de formas muito diferentes, dependendo de quem a canta. Quando vem de artistas das classes menos favorecidas, ela costuma ser desvalorizada. Quando é interpretada por figuras ligadas à classe média ou à elite, ganha outro status”, observa.

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No povoado do Peixe

Essa proposta se materializa também na escolha dos intérpretes. A presença de Guigga e Juliana Linhares reforça o diálogo entre música, teatro e performance.

“São artistas com uma bagagem cênica muito forte. Isso traz mais movimento, mais cores, mais teatralidade. A orquestra, que já tem essa característica de transversalidade com outras artes, só tem a ganhar”, avalia o maestro.

Segundo ele, o processo de criação dos arranjos buscou cruzamentos inesperados. “Algumas junções vão surpreender e divertir muito o público. É um concerto de amor, mas também de risco e invenção”, observa Prazeres.

O cantor Guigga conta que a participação dele no OSBREGA carrega um sentido profundamente pessoal. Nascido em Maracás, no Vale do Jiquiriçá, o cantor associa o repertório à própria história familiar e à formação musical no interior da Bahia.

“Cantar com a Osba as músicas que eu cresci cantando com o meu pai tem um valor muito especial pra nós. Meu primeiro palco na vida foi uma carroça de caminhão, numa festa de São João, no povoado do Peixe, de onde eu venho. Agora, eu vou cantar na Concha Acústica, com a Orquestra Sinfônica do meu Estado, músicas que representam a cultura e a musicalidade do meu povo”, conta.

Imagem ilustrativa da imagem OSBREGA volta à Concha e transforma o “brega” em sinfonia de amor e pertencimento
| Foto: Divulgação

O artista ressalta que a experiência envolve também um peso simbólico. “Pra mim, é um grande presente e uma grande responsabilidade. Historicamente, artistas populares que vêm do lugar de onde eu venho não ocupam espaços de prestígio como esse. Estar ali é ocupar um lugar que sempre nos foi negado”, diz.

“Eu tive a sorte de nascer filho de dois artistas muito sensíveis, meu pai Tião e minha mãe Ilma. Cresci não só ouvindo essas músicas, mas cantando esse repertório com meu pai em festas de argolinha, cavalgadas e festas de São João. Cada canção me leva para um lugar de memória muito precioso, que é a minha formação musical junto a eles e a tantos outros artistas do interior”, complementa.

A expectativa, segundo ele, é que essa memória se transforme em experiência compartilhada.

“Espero conseguir transmitir para o público toda a emoção de viver esse momento especial da minha vida e que a gente celebre nossa música popular cantando juntos esse repertório, que fala tanto de nós e das nossas formas de amar intensamente”, salienta.

Diversos e coloridos

Na avaliação de Carlos Prazeres, é justamente essa identificação que explica a força do OSBREGA junto ao público.

“Desde o advento do Cineconcerto, eu não via um projeto ganhar tanto o coração das pessoas. Ele dialoga com um público que a gente ainda buscava alcançar, especialmente o público das classes menos favorecidas, da classe C. E este público tem todo o direito de acessar a orquestra, que é subsidiada pelo Estado e tem como princípio ser acessível a todos”, afirma.

O maestro observa que o impacto do projeto já se reflete no perfil da plateia da Osba. “Hoje, os concertos são muito mais diversos, muito mais coloridos, com pessoas de todas as classes sociais. Isso é uma grande vitória para nós. O OSBREGA promove uma união, ainda que no plano simbólico do sonho musical, entre pessoas que cresceram ouvindo o mesmo cancioneiro, que cantam juntas e se emocionam juntas”.

Osbrega: Concerto do Amor Vol. 3 / Dia 09.01 (sexta-feira), 18h / Concha Acústica do Teatro Castro Alves / R$ 80 e R$ 40 / Vendas: Sympla e bilheteria da Concha Acústica do TCA

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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