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Palhaços do Rio Vermelho colorem Salvador com desfile de pré-Carnaval

Cortejo celebra a cultura popular e reverencia um dos maiores nomes do samba baiano

Eugênio Afonso
Por Eugênio Afonso
Palhaços do Rio Vermelho
Palhaços do Rio Vermelho - Foto: FERNANDO NAIBERG

Desde novembro do ano passado, o movimento Palhaços do Rio Vermelho passou a integrar oficialmente o calendário de eventos do município de Salvador. Através da lei 9.898/2025, ficou determinado que todo dia 31 de janeiro passa a ser o Dia Municipal do Desfile dos Palhaços do Rio Vermelho.

Então, com mais de uma década de história, o Desfile dos Palhaços do Rio Vermelho vai sair neste sábado, 31, às 17h, homenageando Riachão (1921 - 2020), um dos maiores sambistas da Bahia. A concentração será na Rua da Paciência, e o encerramento, na Fonte do Boi.

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“O Desfile... é uma manifestação cultural que reafirma a força da festa de rua em Salvador. Com raízes que remontam a 1986, os palhaços surgiram com o propósito de resgatar o lado poético, irreverente e lúdico dos antigos carnavais”, lembra Lúcia Menezes, cofundadora dos Palhaços do Rio Vermelho.

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Quanto ao homenageado, Menezes diz que Riachão é referência incontornável da música popular brasileira e da cultura baiana. “Sua trajetória, construída a partir das ruas de Salvador, das chulas e dos sambas de roda do bairro do Garcia, representa exatamente o espírito do Desfile: alegria, criatividade, irreverência e conexão com o povo”.

Energia

Em 2026, a cantora Juliana Ribeiro e o compositor Nelson Rufino serão os padrinhos do movimento, que quer reafirmar seu lugar como uma das mais autênticas festas de rua de Salvador, celebrando a cultura popular, a arte e a ocupação criativa.

Diferentes gerações e expressões artísticas se encontram para levar alegria, cores e reflexão às ruas, além de reforçar valores como inclusão, acessibilidade e respeito ao espaço público, transformado simbolicamente em um grande picadeiro a céu aberto. Tudo isso no bairro que é reduto histórico da boemia e da produção cultural da cidade.

A abertura fica por conta do Ato Simbólico na Ala das Artes, dedicado a Riachão, e logo em seguida, o público vai poder acompanhar as tradicionais alas de grupos culturais, seguidas por bandas de fanfarra e percussão.

Palhaços do Rio Vermelho
Palhaços do Rio Vermelho - Foto: FERNANDO NAIBERG

“O desfile é aberto e acolhe todos que desejam participar, independentemente de idade ou experiência artística. Não é obrigatório estar fantasiado, mas incentivamos o uso da fantasia. A ideia é que todos possam ocupar o espaço da rua de forma livre e segura, integrando-se ao cortejo e à festa coletiva”, conclama Lúcia.

O repertório é diversificado, predominando percussão, fanfarras e intervenções artísticas sem uso de som mecânico. “Assim, o cortejo mantém sua energia contagiante, alternando música, poesia, circo e performance, sempre com foco na alegria e na celebração da cultura popular”, pontua Menezes.

Celebração

Para Juliana Ribeiro, participar do Desfile dos Palhaços do Rio Vermelho é motivo de muito orgulho. “Tenho uma grande admiração pela forma como é feito, pelo fato de ser empírico, verdadeiro, cristalino, de conseguir tomar as ruas do Rio Vermelho com uma manifestação brincante e sincera”.

“Eu estou chamando todo mundo para o dia 31, vamos fazer o pôr do sol mais brincante dessa cidade porque realmente é algo bonito e emocionante de ver nas ruas”, alinhava a cantora.

Segundo Juliana, sua participação está sendo costurada com fios de ouro. “Estaremos no carro alegórico, desfilando desde as 4h30 da tarde, nesse ano em que comemoramos 110 anos do samba, e cujo grande homenageado é Riachão, meu padrinho musical. Tem um carinho pessoal de estar ali como madrinha dos Palhaços do Rio Vermelho. Então, vou fazer o meu melhor. Realmente, é um dia de celebração”.

Tocatambor

Jorge Cortes, 72, folião há décadas, lembra que tem uma ligação de cumplicidade com o movimento. “Tenho uma admiração e um carinho muito grandes pelo Desfile dos Palhaços do Rio Vermelho e tenho uma relação de amizade com seus fundadores, Lúcia e Rui Santana”.

Ele conta ainda que este ano vai sair com o pessoal da oficina percussiva Tocatambor, parceira do evento. “Já tem dois anos que eu saio no Tocatambor. Estaremos, mais uma vez, alegrando o evento”, conclui.

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