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Cachorro não vê em preto e branco; saiba como funciona visão canina
O portal A TARDE conversou com uma especialista que detalhou como os animais exergam o mundo


A visão dos cachorros é um assunto que desperta o interesse de diversos tutores que tentam compreender o universo dos pets. Entender como o animal vê o mundo vai além de curiosidade, mas ajuda a perceber as necessidades e proporcionar melhor qualidade de vida para os companheiros de quatro patas.
Uma das dúvidas mais comuns é se os cães podem enxergar da mesma forma que os humanos. Há até quem pense que eles veem apenas em preto e branco, o que é um grande mito.
O portal A TARDE conversou com a professora Arianne Pontes Oriá, titular do Departamento de Anatomia Patologia e Clínicas da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia da UFBA, que explicou como funciona a visão dos cachorros.
"Eles conseguem perceber cores, mas de forma diferente dos seres humanos. Tanto cães quanto pessoas possuem células na retina responsáveis pela visão em cores, chamadas cones, e células especializadas na visão em ambientes pouco iluminados, os bastonetes", explicou.
Entretanto, os humanos apresentam a mácula, uma região altamente especializada da retina, e responsável pela visão mais detalhada e percepção refinada das cores. Nos cães, a distribuição dessas células é diferente, que resulta em percepção limitada do espectro de cores.
Cães enxergam melhor azul e amarelo
A especialista explica que, desta forma, os cachorros tem mais percepção em algumas cores do que em outras.
"Cães distinguem melhor tons entre o azul e o amarelo, enquanto têm dificuldade em diferenciar cores como vermelho, verde e laranja, que podem ser percebidas em tonalidades semelhantes", disse Arianne.
Melhor detecção de movimentos e visão em baixa luminosidade
Em compensação, os cães possuem maior proporção de bastonetes e uma estrutura denominada tapetum lucidum, localizada atrás da retina, que reflete a luz e aumenta a sensibilidade visual em ambientes pouco iluminados.
"Tais características fazem com que eles detectem movimentos com grande eficiência e enxerguem melhor em condições de baixa luminosidade, como ao amanhecer, ao entardecer ou durante a noite", contou.
Assim, os cães não exergam de forma inferior aos seres humanos, mas sim de maneira adaptada às necessidades da espécie, que privilegia a detecção de movimento e a visão em ambientes com pouca luz.
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Saiba como identificar problemas
Para garantir a saúde da visão canina e prolongar a capacidade ocular do animal, os tutores precisam adotar cuidados. Assim como acontece com os seres humanos, os cães também devem realizar avaliações periódicas com o médico veterinário oftalmologista.
A consulta é ainda mais importante quando são observados sinais como:
- Mudança na coloração dos olhos;
- aumento da produção de secreção;
- vermelhidão;
- lacrimejamento excessivo;
- olhos fechados;
- sensibilidade à luz ou desconforto, que pode ser percebido quando o animal esfrega os olhos com as patas ou em objetos.
"Os responsáveis nunca devem utilizar colírios por conta própria. Medicamentos indicados para seres humanos ou utilizados em outros animais podem ser inadequados e, em alguns casos, agravar lesões oculares e até comprometer a visão", alertou a veterinária.
Como cuidar dos olhos dos cães?
Algumas raças braquicefálicas, caracterizada pelo focinho curto, como Shih-tzu, Pug, Bulldog Francês e Bulldog Inglês, apresentam predisposição a diversas alterações da superfície ocular em razão da anatomia dos olhos e da face.
"Esses cães devem ser acompanhados por um oftalmologista veterinário desde filhotes, para permitir o diagnóstico precoce e o tratamento adequado de alterações que podem comprometer a qualidade de vida e a visão", pontuou.
Além das consultas regulares, é importante:
- Manter a região ao redor dos olhos limpa;
- observar qualquer mudança no aspecto ocular;
- procurar atendimento veterinário sempre que houver sinais de dor, secreção ou alteração da aparência dos olhos.
O diagnóstico precoce é fundamental para preservar a visão e garantir bem-estar aos animais.
Mês de conscientização à doença do olho seco em cães
No próximo mês é celebrado o Julho Turquesa, em conscientização à doença do olho seco em cães. No dia 18, das 8h às 12h, os grupos de pesquisa e estudos em Oftalmologia Veterinária da UFBA e Programa de Pós-graduação em Ciência Animal nos Trópicos, oferecerão, de forma gratuita, atendimento para cachorros, no Hospital de Medicina Veterinária.
No local, os profissionais irão oferecer uma avaliação oftálmica sem custos, para a população de cães de Salvador e Região Metropolitana. O exame para diagnóstico do olho seco será conduzido por médicos veterinários com formação em Oftalmologia Veterinária que militam em diferentes clínicas e Hospitais Veterinários e que aceitaram somar forças nesta ação social.
No Brasil, o Julho Turquesa é celebrado desde 2017 na Oftalmologia Humana e a escolha da cor turquesa não foi aleatória, porquanto tal tonalidade simboliza a pureza da água limpa e das lágrimas, que são elementos fundamentais para a saúde e bem-estar dos olhos. O objetivo é conscientizar a população que os cães também sofrem com o olho seco


