JUMENTOS NORDESTINOS
1ª vez no mundo! Ciência cria embrião de jumento nordestino in vitro
Trata-se dos primeiros embriões de asininos desse ecótipo produzidos in vitro no mundo


Um laboratório brasileiro conseguiu gerar, pela primeira vez no mundo, embriões de jumentos nordestinos in vitro - procedimento científico ou médico realizado em um ambiente controlado fora de um organismo vivo, ou seja, sem a necessidade de um corpo asinino.
Os resultados alcançados por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), a partir de material coletado, durante uma visita técnica à Fazenda Jegue Land, no interior da Bahia, foi realizado por meio de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI).
A ICSI é uma técnica de reprodução assistida onde um único espermatozoide é selecionado e injetado diretamente dentro de um óvulo maduro em laboratório.
Trata-se dos primeiros embriões de asininos desse ecótipo produzidos in vitro no mundo, de acordo com os pesquisadores.
Diante de um alarmante risco real de extinção da espécie, os pesquisadores acreditam que a pesquisa abre portas para a conservação da diversidade genética do ecótipo nordestino, para o melhoramento e a estruturação sustentável dos rebanhos, ampliando a contribuição dos animais selecionados para as próximas gerações.
Como o resultado foi alcançado?
A pesquisa que integra o projeto de mestrado de Frederico Freitas, aluno do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFV, sob orientação da professora Yamê Fabres, do Departamento de Zootecnia, se iniciou após a coleta dos oócitos de jumentos nordestinos na Jegue Land, localizada em uma fazenda próxima à região da Chapada Diamantina, a 250 km de Salvador.
Os oócitos, células reprodutivas femininas imatura produzida nos ovários da espécie, foram transportados para o Laboratório de Reprodução de Animais de Produção (Reprolab), do Departamento de Zootecnia da UFV, onde passaram pelas diferentes etapas da produção in vitro.
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Na ICSI, um único espermatozoide é introduzido diretamente no interior do oócito com o auxílio de equipamentos de micromanipulação. A técnica é considerada uma das biotecnologias mais avançadas empregadas atualmente na reprodução de equídeos.
Nove dias depois do início do cultivo, a equipe vitrificou os primeiros embriões produzidos em laboratório com os oócitos coletados na Jegue Land. A vitrificação vai permitir, por exemplo, o congelamento ultrarrápido para conservar os embriões para utilização futura.

Extinção da jumentos x Pesquisas de conservação
De acordo com os pesquisadores, os resultados comos embriõesin vitro abre novas possibilidades para preservar o material genético de animais de interesse e multiplicar indivíduos com características zootécnicas relevantes
Atualmente, o jumento brasileiro é uma espécie única no mundo e corre risco real de extinção.
“Estamos muito satisfeitos com os resultados alcançados até agora e otimistas com as próximas etapas. Ainda há poucos estudos sobre ICSI em asininos, por isso cada avanço ajuda a compreender melhor a técnica e pode contribuir para outras pesquisas nessa área, no Brasil e em outros países”, comentou Frederico Freitas.
Quais os próximos passos?
A pesquisa é desenvolvida no âmbito da parceria entre a universidade e a Jegue Land, que oferece animais, estrutura e condições de campo para a realização dos estudos.
A primeira coleta também contou com a participação dos pesquisadores Gustavo Carneiro, Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e Jorge Lucena, da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE).

Os resultados obtidos no primeiro teste piloto foram considerados promissores pela equipe, especialmente por envolverem a implementação da adequação da técnica às particularidades reprodutivas dos asininos. Além de apoiar a conservação genética, o projeto inaugura uma linha de pesquisa na UFV voltada à produção in vitro de embriões da espécie, contribuindo para gerar conhecimento, formar profissionais especializados e desenvolver protocolos adaptados aos jumentos nordestinos.
Na próxima etapa, os pesquisadores darão continuidade aos experimentos para aperfeiçoar a técnica e aumentar a eficiência da produção de embriões. Com o avanço do projeto, a perspectiva é transferi-los para jumentas e mulas receptoras, avaliar o estabelecimento das gestações e avançar até o nascimento dos primeiros animais provenientes da técnica.
“Conseguir produzir e vitrificar esses embriões já no primeiro teste piloto é um passo muito importante para a nossa equipe. Ainda precisamos aperfeiçoar o protocolo e avaliar se os embriões podem estabelecer gestações após a transferência. Ao mesmo tempo, esse resultado abre uma nova frente de pesquisa para a conservação genética e o melhoramento genético de jumentos nordestinos.”, finalizou Yamê Fabres.
Mercado de Carnes
Entidades e movimentos internacionais e nacionais, que lutam pela preservação da espécie de jumentos no mundo, entretanto questionam os métodos adotados pela Jegue Land, e os consideram contrário ao modelo de sustentabilidade e preservação da espécie.
Segundo defendem entidades como The Donkey Sanctuary, a criação de jumentos para venda não é viável como outros animais que são comercializados e não há capacidade reprodutiva adequada ao potencial de um mercado do tamanho da China, o maior e único exportador da proteína animal.
Atualmente, a carne de jumentos está ligada a um enorme mercado global. Além de carnes, o mercado de jumento também é cobiçado pelo couro e até do leite do animal.


