A TARDE AGRO
Jegue Land: fazenda na Bahia aposta na ciência para valorizar jumentos
Projeto busca contribuir para uma cadeia produtiva que envolve reprodução


Uma fazenda localizada na região central da Bahia, a cerca de 250 quilômetros de Salvador, pretende se tornar referência em pesquisa e desenvolvimento da pecuária asinina no Semiárido brasileiro.
Batizado de Jegue Land, o projeto busca unir ciência, conservação genética e produção sustentável de jumentos.
A iniciativa pretende contribuir para a estruturação de uma cadeia produtiva que envolve reprodução, produção de leite e derivados, cosméticos, alimentos, carne e outros produtos de valor agregado.
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Projeto reúne universidades
A Jegue Land já mantém parcerias com pesquisadores de instituições públicas de ensino superior, como a Universidade Federal de Viçosa (UFV), a Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
A fazenda foi concebida como um laboratório a céu aberto, com a proposta de aproximar pesquisas científicas dos conhecimentos tradicionais do campo. O objetivo é desenvolver tecnologias adaptadas às condições ambientais, climáticas e produtivas da Caatinga.
As pesquisas serão divididas em cinco áreas: conservação e genética; nutrição e uso de forragens disponíveis no Semiárido; manejo reprodutivo e sanitário; bem-estar animal; e viabilidade econômica da cadeia produtiva.
Pesquisa envolve genética e reprodução
Entre os estudos previstos estão inseminação artificial, produção de embriões in vitro, criopreservação de sêmen e embriões e transferência de embriões.
Segundo a médica-veterinária e pesquisadora da UFV Yamê Fabres, as pesquisas podem contribuir para a preservação da diversidade genética dos asininos e para o melhoramento dos rebanhos diante do aumento da demanda por produtos derivados dos animais.
O acompanhamento também deverá gerar indicadores relacionados à fertilidade, nascimento, crescimento, ganho de peso, conversão alimentar, qualidade da produção e custos da atividade.
Ciência e produção no Semiárido
Para o administrador e zootecnista Alex Bastos, o projeto busca combinar preservação, conhecimento científico e desenvolvimento econômico, além de valorizar a cultura nordestina.
Já o professor e pesquisador da UFRPE Gustavo Carneiro afirma que a proposta é transformar a fazenda em um polo de ciência, tecnologia e inovação voltado aos asininos, com pesquisas em áreas como reprodução, genética, sanidade, nutrição e comportamento.
O professor e pesquisador da UFAPE Jorge Lucena destaca que a participação das universidades pode aproximar as tecnologias desenvolvidas nos centros de pesquisa da realidade dos criadores.
A expectativa é que os resultados das pesquisas possam ser utilizados pelos produtores, contribuindo para novas atividades econômicas e para o desenvolvimento sustentável da cadeia de criação de asininos no Nordeste.







