A TARDE ESG
Sinduscon na economia do mar
Setor de turismo costeiro baiano lidera o crescimento no Brasil com alta acumulada de 5,9%


A Bahia, contemplada com 1.605 km de costa, o maior litoral entre os estados brasileiros, incluindo as reentrâncias das maiores baías do país, a de Todos-os-Santos, e a baía de Camamu; abriga, ainda, quarenta e seis municípios banhados pelas águas do Oceano Atlântico, uma Zona Econômica Exclusiva (ZEE) de 5.7 milhões de km2 e 200 milhas náuticas de largura, batizadas pela Marinha como Amazônia Azul, circundando todo o litoral nacional, onde 95% do petróleo e 85% do gás natural são produzidos e 95% do comércio exterior é movimentado.
Segundo dados do IBGE, que incorporou oficialmente a Amazônia Azul no mapa oficial do Brasil, em 2026 o setor de turismo costeiro baiano lidera o crescimento no Brasil com alta acumulada de 5,9% no ano e um salto expressivo de 18,6% somente no mês de julho, apresentando o 2º maior avanço entre as 17 estados costeiros da Federação onde o agregado de atividades turísticas é pesquisado separadamente.
Neste particular, destaca-se a cidade do Salvador, com um total de 66 km de área litorânea, a maior costa urbana do Brasil, banhada de um lado pela BTS e, de outro, pelo Oceano Atlântico, ambos cobiçados pela indústria da construção onde a 'vista para o mar' agrega valor aos imóveis.
Autora de uma das teses mais abrangentes sobre o tema no Brasil, a Profa. Dra. Andréa Bento Carvalho, mostra que o conceito de economia do mar vai muito além da pesca e da navegação, abrangendo cerca de 40 tipos de atividades econômicas distribuídas em municípios costeiros. Segmentos que envolvem desde indústria naval, transporte marítimo, indústria náutica, pesca, turismo costeiro, óleo e gás, tecnologia e biotecnologia marinhas e, inclusive, a construção em áreas litorâneas.
A Lei 14.672/2024, promulgada em 29 de abril de 2024, instituiu a Política Estadual de Incentivo à Economia do Mar no Estado da Bahia em sessão especial na Assembleia Legislativa.
O Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE/BA), em articulação inédita no plenário do TCE-BA, reuniu representantes da Marinha, Ministério Público (MP-BA), Companhia de Transportes do Estado (CTB) e da ACBEU, para debater essas diretrizes. Diante dos fatos, agora acelerados pela IA, o Sindicato da Indústria da Construção Civil da Bahia (Sinduscon-Ba) passou a analisar novos cenários para transformar ideias em soluções reais, promovendo debates sobre "Economia do Mar, vetor para o desenvolvimento da Bahia".
De acordo com a Marinha, cerca de 25% da população nacional depende diretamente de atividades ligadas ao mar, e o setor representa aproximadamente 20% do PIB de R$12,7 trilhões (2025 / IBGE) do país. Na Bahia, com um PIB de R$ 495 bilhões em 2025, segundo a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais - SEI / SEPLAN, a economia do mar, ou seja, todas as atividades relacionadas de alguma forma ao mar, incluindo construção civil e industrial, movimentaram cerca de 20% deste total. Só em exportações, as estatísticas mostram que a Bahia encerrou 2025 com R$59 bilhões, mantendo o estado entre os principais exportadores brasileiros segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).
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Entidade privada e sem fins lucrativos, o Sinduscon-Ba representa a indústria da construção no estado, atuando nos segmentos da construção civil, incorporação imobiliária, engenharia consultiva, montagem e manutenção industrial, além de obras de infraestrutura, energia e saneamento; promovendo desenvolvimento, inovação e competitividade - todos conectados também com o mar. Tem como missão e visão, expressos no site sinduscon-ba.com.br, representar, unir, defender, desenvolver e fortalecer o setor da construção, com responsabilidade socioambiental, e ser reconhecida como instituição representativa e inovadora dos segmentos de obras públicas, industriais, corporativas, imobiliárias, habitação de interesse social, saneamento e infraestrutura elétrica. O Atlas da Economia do Mar da Bahia, em fase de elaboração, evidenciará essas conexões.
Erguendo-se no meio da Baía de Todos os Santos - declarada pela ACB como capital da Amazônia Azul - a ponte de 12,5 km entre Salvador e Itaparica construída pelos chineses, traz exemplos de tecnologias inovadoras empregadas na obra. Com as empresas chinesas virão novas técnicas construtivas e inteligências novas que podem ser aproveitadas localmente, inclusive no desenvolvimento sustentável dos municípios impactados pelo fluxo. Nesta era da IA, de comunicações virtuais, isto representa a conexão de uma megaponte de 16.134 km (distância entre Salvador e Pequim).
O consórcio vencedor da ponte, o CCCC South America, é parte da China Communications Construction Company (CCCC), que integra princípios ecológicos e de baixo carbono ao desenvolvimento urbano, infraestrutura e engenharia, e foca na transformação dos espaços urbanos e de transporte tradicionais em ecossistemas sustentáveis e resilientes às mudanças climáticas.
A Caitec [Chinese Academy of International Trade and Economic Cooperation] já firmou convênio com o Instituto de Planejamento Econômico Aplicado - IPEA, para transferir conhecimentos e tecnologias, implementando logísticas, prazos, comandos e entregas que moverão uma força de trabalho movida a R$12 bilhões de reais numa área pobre da Bahia, carente de investimentos, gerando cerca de 7.000 empregos, a maioria do mar. Ações de interesse dos associados do Sinduscon.
*Eduardo Athayde é diretor do WWI no Brasil. [email protected]


