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Em defesa da Bahia, do Nordeste e do respeito ao povo brasileiro
Confira o artigo de Edval Landulfo


No dia do Nordestino, o Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA) repudia manifestações que classificam a Bahia como “câncer do Brasil” e reproduzem o antigo estereótipo de que baianos seriam “preguiçosos”. Divergências políticas são próprias da democracia. Preconceito regional, desqualificação coletiva e ataques à dignidade de um povo, não.
E os fatos econômicos ajudam a desmontar essas afirmações. A Bahia possui a maior economia do Nordeste. Em 2023, seu PIB alcançou R$ 431 bilhões, equivalente a 3,9% do PIB brasileiro. Dados preliminares da SEI apontam aproximadamente R$ 536,7 bilhões em 2025. Com quase 15 milhões de habitantes, o Estado possui uma estrutura produtiva diversificada, que envolve agricultura, indústria, comércio, serviços, energia, mineração, ciência, tecnologia e economia criativa.
Essa contribuição resulta do trabalho de milhões de baianos. Está na produção de cacau, café, soja e algodão; na celulose, petróleo, química e mineração; na construção civil, na geração de energia, no comércio, nos serviços, no empreendedorismo e na produção de conhecimento. Uma sociedade que produz riqueza nessa escala não pode ser reduzida ao estigma da indolência.
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A contribuição da Bahia ao desenvolvimento brasileiro também está expressa em nomes como Rômulo Almeida e Milton Santos, no pensamento econômico e geográfico; Ruy Barbosa e Teixeira de Freitas, no Direito; Anísio Teixeira e Edgard Santos, na educação; Jorge Amado, Castro Alves e João Ubaldo Ribeiro, na literatura; Glauber Rocha, Dorival Caymmi, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa, nas artes e na cultura. Na dimensão humana e social, Santa Dulce dos Pobres tornou-se uma das maiores referências brasileiras de solidariedade e compromisso com os mais vulneráveis.
A Bahia não reivindica privilégios nem se exime de enfrentar seus problemas econômicos e sociais. Ao contrário: desigualdade, pobreza, emprego, renda e desenvolvimento regional exigem análise séria, políticas públicas consistentes e debate baseado em evidências.
Preconceito não é diagnóstico econômico. Estereótipo não explica desigualdades regionais. Ofensa não substitui argumento.
O povo baiano trabalha, empreende, pesquisa, educa, produz, cria e transforma. A Bahia é parte fundamental da economia, da cultura, da formação histórica e da identidade brasileira.
Neste Dia do Nordestino, o Corecon-BA reafirma seu compromisso com um debate público responsável, democrático e baseado em evidências, no qual diferenças políticas jamais legitimem a discriminação regional.
A Bahia não é o problema do Brasil. É parte essencial de sua construção, de sua riqueza e de seu futuro.
*Presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia – Corecon-BA

